Ele sempre matou crianças
inocentes decepando as suas cabeças e martirizando sua alma em nome do que ele
chamava justiça, fez das paredes de sua casa um arsenal de cabeças de pessoas
mortas. Ele sempre menosprezou o amor alheio desde antes da luta contra os
cavaleiros de bronze em busca de salvar a Atena a deusa daquele universo em que
eles viviam.
Durante anos ele matava sem
dó nem piedade, por que era divertido colecionar cabeças, por que era bom ver
os olhos das pessoas sofrendo no seu golpe destroçando a alma delas, por que
era prazeroso ver a pessoa cair sem a cabeça no chão morta e sua alma no
Shekishike depois que elas morriam, eram tão simples que para ele era natural
ver o sofrimento e a dor no olho da pessoa enquanto ele matava mandando para o
Sekishike.
Após a luta contra os
cavaleiros de bronze, especificamente contra Shiryu, ele havia morrido, mas
suas lembranças dolorosas de ser leal a Hades para reviver sua medíocre vida,
foi a pior delas, pois ele tinha a missão de proteger Atena como cavaleiro de ouro.
Era o seu destino, mas não ele havia traído a deusa que ele jurou proteger, não
uma, mais varias vezes, ele havia se tornado em um mero zumbi prestando serviço
para Hades para apenas ter uma pequena e nova chance de se redimir, mas não
adiantou, por que ele perdeu novamente para os cavaleiros de bronze, pois eles
sim sempre foram leais a Atena.
Suas lembranças dolorosas
sempre vinham em sua mente e depois de todo o ocorrido durante sua vida de
mostro assassino e agora mais vivo que nunca em sua casa, há casa de câncer.
Ele simplesmente olhava aquelas paredes carregadas de rostos com a expressão de
desespero, de angustia e dor, depois de suas almas terem sido levadas para o
submundo com a crueldade que um dia existiu dentro dele, porém agora não
existia mais.
Ele sentia cada facada de
arrependimento no seu peito, o sofrimento que causada àquelas pessoas fazia seu
corpo, sua alma doer fundo por ter feito tanto mal a elas.
Ele se arrependia
amargamente de cada assassinado que fizera na antiguidade e um monstro na
atualidade. Sim era assim que ele se sentia quando olhava cada rosto dentro de
sua casa, um monstro cruel, que nunca tivera um coração e se tivesse não soube
usar. Ele se sentia triste por ter causado tanta dor e sofrimento a muitas
pessoas. Ele sentia o amargor do que causada a cada uma das pessoas que tinha a
cabeça presa em suas paredes. Sim ele suspirava fundo sentido uma dor
gigantesca dentro de si por cada sofrimento que causara.
Sentado na beira de sua cama
com seus cabelos azuis espetados, uma camiseta regata preta, uma calça meio
colada, uma bota preta nos seus pés, as mãos entrelaçadas uma na outra e os
olhos perdidos sem um rumo.
Não era a primeira vez que o
canceriano se sentia assim, um monstro solitário que talvez nunca fosse ter uma
companheira, pois ele parecia ter uma maldição que ele mesmo criara ao seu
redor. Nunca ninguém em sã consciência poderia gostar dele, ele nunca teria uma
garota como Mu, ou como qualquer outro cavalheiro, não ele seria um cavalheiro
solitário na sua casa amaldiçoada para toda a eternidade.
Suspirando fundo sentindo o
peso de cada morte que causara durante anos de sua vida ele ouve uma voz vindo
em sua direção.
-Pensando Máscara? – perguntou Mu entrando na
casa e o observando e vendo o sofrimento no rosto de seu amigo, mas não iria
argumentar nada, pois o respeitava.
- Sim – ele responde com um
suspiro fundo e olha o cavaleiro em suas vestes normais, uma blusa amarelada
com um chalé vermelho em volta de seu pescoço, sua calça verde, uma fita preta cruzando
na sua canela e uma bota preta, seus cabelos longos e lilás preso em um leve
rabo de cavalo.
- Quer compartilhar? – ele
vê o amigo meio triste.
- Não – ele levanta da cama
e o deixa ali para ir dar uma volta.
Mu nunca entenderia a sua
dor, a dor do arrependimento, a dor de ser um monstro assassino e cruel durante
anos e anos. Nenhum dos cavaleiros saberia compreender o que ele sentia.
Ele caminhava distraído e
pensando em todo mal, como sempre fazia. Sim ele sempre estava ali solitário e
fechado no seu mundo carregado de morte e dor.
Mascará da Morte caminhava com
as mãos dentro do bolso de sua calça olhando as árvores balançando as folhas
lentamente com a brisa da tarde morna e de certa forma acolhedora da sua dor e
do seu arrependimento.
Como um lobo solitário ele
olhava o céu meio azulado com algumas nuvens mais espeças que escondia o sol do
final da tarde, quase que via o mesmo começar a se por.
****
Mu voltou para sua casa meio
triste, pois sabia que o amigo estava sofrendo de alguma forma.
Algumas horas depois gritos
altos espalham pelo santuário e os cavaleiros vão correndo em direção aos
gritos de desespero para quer o que estava acontecendo encontram corpos
degolados escorrendo sangue pelo chão sem suas cabeças.
Atena chegou e viu escondeu
seu rosto nos ombros de Seya que chegou logo atrás.
- Máscara da Morte... –
Aldebaran disse olhando o corpo da empregada do santuário no chão.
Mu chegou um pouco depois e
viu os demais empregados recolhendo o corpo.
- Por que motivo Mascara da
Morte faria isso? - ele ficou pensativo.
- Pelo simples fato dele
gostar de assassinar pessoas inocentes – Shiryu falou vendo o chão sendo limpo
e se lembrando do trabalho que tivera para mata-lo no passado.
- Atena o que acha disso? –
Aldebaram perguntou a deusa.
- Não sei, não posso julgar
uma pessoa que não está aqui nesse momento – Saori olha o cavalheiro que
parecia desgostoso com a sua opinião.
- Concordo com Atena, pois
vi Máscara da Morte saindo do Santuário há um tempo.
- Ele pode muito bem ter
voltado e ninguém percebeu – Shiryu já julgando e saiu dali.
Atena apenas olhou para Mu
de um modo que ele consentiu com a cabeça, pois sabia que ela esperaria para
ver quem era verdadeiro culpado.
*****
Máscara da Morte sentou-se
em baixo de uma copa de uma árvore sobre uma grama rasteira e verde, ele olhava
o horizonte vendo o sol levemente
avermelhado, já escurecendo, aparecendo as primeiras estrelas no céu e perdido em
seus pensamentos dolorosos, sentiu vontade de voltar para o santuário. Levantou-se
e novamente caminhou lentamente observando as primeiras estrelas que já estavam
no céu iluminando, os primeiros grilos começavam a fazer sua serenata, a coruja
já deu o seu primeiro piado anunciando que a noite chegara e ele já ia pegar o
caminho de volta quando ouviu uma voz doce e meiga vindo atrás dele.
- Olá! – a voz saiu meio
tímida e trêmula, mas em bom tom para ele ouvir.
Máscara da morte olhou virou
o seu rosto olhando para trás, sentiu a leve brisa levar os seus cabelos
enquanto ele se virava para olhar e assim que ele olhou viu os cabelos
prateados voado com o vento junto com algumas folhas, a luz das estrelas e da
lua tocando a pele branca e delicada iluminando a moça como se fosse um anjo
que tinha acabado de cair do céu, seus olhos cor de mel o fitava de uma forma
meiga e gentil, seu vestido listrados de diversas cores, simples e comprido ia até
os pés com alças finas presas aos seus ombros, uma sandália rasteira e uma
cesta com fruta e um livro dentro dela, fez Máscara da Morte admirá-la por um
tempo, mas balançou levemente a cabeça espantando qualquer pensamento que
poderia levá-lo a um interesse de um relacionamento com uma garota, ainda mais
linda como aquela.
“O que ela vai querer com um
monstro assassino como eu?” Ele se pergunta em pensamento e responde com seu ar
sério.
- Olá, posso ajudar em algo?
– ele perguntou a fitando.
- Você é um dos cavaleiros?
– ela perguntou segurando o braço com uma das mãos, a cesta na outra próxima a
suas pernas.
- Sim – ele respondeu sem
muita emoção.
- É um cavaleiro de bronze,
prata, ouro, ou o que?
- Sou de um dos cavaleiros
de ouro.
- Nossa! Você deve ser
importante no santuário.
“Se ela soubesse iria me
odiar”. Ele pensa e devia o olhar e já vai começar a andar de novo.
- E que eu sempre tenho
observado você aqui solitário debaixo dessa árvore já um tempo, então fiquei me
perguntando se você era um cavaleiro? -
Máscara da Morte volta seu olhar para ela de novo. - Se você tinha amigos? Por que você está sempre triste e pensativo,
meio solitário nesse lugar - ela apontou para debaixo da árvore onde a grama
fazia um colchão onde Máscara da Morte ficava deitado e olhando para o
horizonte sempre que se sentia perdido em sua dor e seu arrependimento.
Ele deu um leve sorriso de
canto e caminhou um pouco até ela.
- Acho que despertei a sua
curiosidade, mocinha – ele olha dentro do cesto, pega uma das maçãs e a encara
da forma que ele sempre olhava para matar ou tirar a vida de alguém, mas ela
apenas o olha meigo.
Máscara da Morte olha a maçã
vermelha e cintilante e diz:
- Posso?
- Bom da hora que você está
ai e deve estar com fome – ela da um sorriso e olha para o seus pés desviando
os olhos do dele.
- Estava me observando todo
esse tempo - ele morde a maçã a olhando e pega o livro e lê o título.
- Sim...
- A Bela e a Fera – ele vira
o livro para ler a sinopse, ela se antecipa.
- Gosta de ler? – ela
ansiosa. – É um livro que fala de uma menina que ficou no lugar do pai para
salvar ele da Fera, mas ela o vê solitário e não tem medo dele, mesmo todos o
achando que ele é um monstro, ela ainda continua acreditando nele e vê muito
além que isso nos olhos dele.
- Interessante, mas não
curto contos de fadas – ele coloca o livro de volta. – Não existe conto de
fadas na vida real, mocinha – ele morde mais uma vez a maçã, e ela diz:
- Achei você meio parecido
com a Fera do livro – Máscara desvia o seus olhos do dela meio incomodado.
- Vai por mim, sou bem pior
que essa Fera do seu livro e se eu fosse você não me aproximaria de mim de novo,
até por que não seria saudável para você – ele se virou de costas para ela e
começou a caminhar.
- Vai voltar amanhã,
cavalheiro?
Ele não respondeu e continuou
seu caminho de volta.
Ela ficou o observando e deu
um sorriso, no dia seguinte ela ia falar com ele novamente.
*****
Não demorou muito Máscara da
Morte chegou em sua casa olhando as paredes novamente. Pensou em como
libertaria aquelas almas sofridas e desesperadas, em como libertar o
arrependimento e o sofrimento que ele causou por muito e muito tempo. Suspirou
fundo e olhou cabeça por cabeça, quando viu uma que ele desconhecia presa em
sua parede.
Lembrou-se da imagem da
garota que nem quis saber o seu nome, já que não se sentia digno de ter um
relacionamento, já que ele era um mostro assassino e ficou com as marcas do
arrependimento em sua alma.
Olhou mais uma vez as
paredes e disse:
- Mas... – ele encarou de
forma desesperada.
Sabia a dor que causara nas
pessoas donas daquelas cabeças, sabia de cada uma que ele havia matado, mas
aquela, aquela ele não tinha feito nada, simplesmente nada com ela.
Escutou um grito de agonia e
dor vindo de fora do santuário, conhecia claramente aquele grito, e logo em
seguida a cabeça da pessoa aparecendo em sua casa.
- NÃO!!! – ele saiu correndo
para onde o grito vinha e assim que chegou lá viu o corpo sem cabeça,
escorrendo o sangue pela calçada.
- Pode explicar por que fez
isso Máscara da Morte? – Saori o encarou séria.
Ele tinha um passado
manchado de sangue e dor, ele podia ter traído a sua deusa que poderia ter
protegido, ou cumprido a sua promessa de protegê-la, mas não, ele errou muito
no passado. Ele podia ter a pior reputação de todas, sim ele podia ser um
monstro, mas ele não queria mais ser esse monstro, Máscara da Morte queria
mudar e por algum motivo alguém estava brincando com ele, brincando com os
atuais sentimentos dele e isso não ficaria assim.
- Não fui eu... – as
palavras saíram em um tom calmo, pois ele podia ter toda a culpa de um passado
sombrio, mas agora ele não era culpado.
- Não é o primeiro que
acontece hoje – Aldebaram de braços cruzados e um porte imponente.
- Olha, eu sei que tudo
aponta para mim, tanto que as cabeças estão aparecendo na minha casa, mas eu
sei cada uma que eu matei, mas essas pessoas não fui eu – ele encara os que
estão ali.
Mu chega e ouvi o fim da
conversa.
- Temos que investigar, não
podemos acusar o Máscara da Morte assim.
- Ele mesmo disse que as
cabeças estão indo para casa dele – Shiryu aproximou e o encarou. – Quer maior
prova que isso?
- Eu sei que você não gosta
muito de mim Shiryu, mas o que eu disse é verdade, as cabeças estão aparecendo
na minha casa, mas não sou eu – ele o encara de uma forma fria que Shiryu se
afasta.
Máscara olhou um por um e
antes de sair disse:
- Façam o que quiserem, só
não me acusem injustamente – ele sai pisando alto e apertando o punho.
“Seja lá quem for tentando
me incriminar ele vai pagar cada centavo” – ele sorri lateralmente pensando em
como seria a morte de quem estava fazendo se passar por ele no santuário.
Mu o acompanhou e viu seu
amigo entrando na sua casa.
- Veio me incriminar também?
– ele perguntou ríspido e sério.
Mu suspirou fundo e o
encarou.
- A forma de matar e o jeito
são muito parecidos com o seu – ele fala sem mostrar que está o incriminando,
afinal o cavaleiro de Áries sabia como era o seu amigo.
- Não é – ele o encara. - Pode
parecer a olho Mu, mas se você olhar bem há falhas no pescoço e como o sangue
escorre pelo chão – ele aponta para as duas novas cabeças na parede – A forma
que as cabeças aparecem na minha parede e diferente de quando eu matava e se
fosse prestar bem a atenção no rosto de alguém que eu assassinei – ele apontou
para uma cabeça. - Observe bem os detalhes do sofrimento que eu causei na
pessoa, em como o ar de desespero ficou estampado no rosto dela.
Mu olha minuciosamente o
rosto.
- Agora olha o rosto que
apareceu na minha casa. – ele aponta para outra cabeça. – Ela morreu de uma
forma trágica e sofrida, mas faltou o desespero da alma, da dor e do sofrimento
antes dela morrer – ele faz uma pausa. – Quando eu matava eu usava meu cosmo
para penetrar a alma e causar o maior desespero possível na alma da pessoa que
eu ia assassinar. Veja aquele rosto – apontou para um dos rostos que matara.
Era prazeroso para mim, eu me sentia bem em ver a pessoa sofrendo de corpo e
alma enquanto eu cortava a cabeça em forma retamente sem deixar um rastro de
sangue no lugar, além de saber que as pessoas ainda iam sofrer no Shekishike,
por isso esse ar de desespero nelas – ele suspirou fundo sentindo-se desconfortável
com aquelas lembranças, era tudo que ele menos queria naquele momento e olhou
para o Mu. – Ele não vai parar até fazer todo mundo acreditar que sou eu.
- Os estilos são bem
parecidos – Mu tirou o olhar dos rostos, já sentia um desconforto em olhá-los.
- Me deixa sozinho Mu – ele
o encarou de forma fria e Mu sentiu o olhar de desaprovação dele por ele
parecer não acreditar nele.
- Vai investigar? – ele
perguntou olhando o amigo.
- Isso não é da sua conta –
ele passou pelo ariano e saiu novamente com raiva.
Mu ficou olhando o amigo
andando quando ouviu mais um grito de dor e agonizante. Olhou novamente e
continuou vendo Máscara da Morte andado tranquilamente sem se importar com o
grito que ouvira. Mu olhou para a parede e viu a cabeça aparecendo na casa do
ariano, olhou e o amigo já estava um pouco distante da sua casa, dava para ver
da janela.
- Não tem como ele estar em
dois lugares ao mesmo tempo – Mu colocou a mão no queixo pensativo e foi ver o
ocorrido.
Mais um corpo sem a cabeça,
mais poça de sangue espalhada pelo chão e mais um inocente morto sem motivo
nenhum.
- Atena você tem que fazer
alguma coisa – Aldebaram observava.
Mu chegou e eles já limpavam
o chão retirando o sangue.
- Temos que investigar e ver
se realmente é o Máscara da Morte matado essas pessoas.
- Simples, e só ir a casa
dele, as cabeças estão na parede dele – Shiryu apareceu ali. – Precisa de mais
provas que essas Saori?
- É verdade que as cabeças
estão aparecendo na casa do nosso canceriano, mas eu estava com ele agora a
pouco e o vi sair ao mesmo tempo em que ouvi o grito da pessoa – Mu encarou
Saori.
- Também acho que tem algo
suspeito aí – Saori sentia que o que eles viam não era a verdade.
Eles foram até a casa do canceriano
e viram as cabeças novas que apareceram.
- Acho que não precisa de
mais provas Saori – Shiryu olhou para as paredes. – Você tem que fazer algo
Saori antes que isso piore.
- Ainda acho que devemos
investigar, ou esperar os demais cavaleiros voltarem.
- Para que? - Aldebaran perguntou indignado. – Mais
pessoas inocentes vão morrer só para preencher o ego do Máscara da Morte? Todos
sabem o que ele fez – ele saiu com raiva.
- Mu... – Saori quer saber a
opinião dele.
- Faça o que você achar que
deve, porém não se arrependa da sua decisão depois – Mu saiu os deixando ali.
Eles estavam com um
assassino no Santuário, todos achando que era o Mascara da Morte, mas o mesmo
tinha a sua consciência limpa das mortes recentes. Ele só queria achar o filho
da mãe que estava tentando jogar a culpa nele, ou algo do tipo, mas seria
difícil.