segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Decepção.

Ao chegar a um lugar meio deserto, pouca vegetação e muitas rochas medianas. Estávamos próximos de onde o radar marcava a localização das esferas. Descemos do carro e tiramos o equipamento que era necessário.
A raposa instalou uma espécie de vídeo transmissor com várias antenas que se elevaram para o alto e começavam a transmitir a imagem para o televisor. 
Enquanto eu testava o meu robô de ultima geração e disse a mim mesmo:
- Agora sim com esse robô eu vou acabar com aquele garoto folgado.
Mai e Shu observavam o sinal e logo meus capachos vieram até mim:
- Senhor, descobrimos que o ponto fraco do garoto é o rabo.
Sorri satisfeito e fui até onde os meus servos estavam.
- Não é ótimo grande Pilaf? – a moça me perguntou com um sorriso meigo nos lábios.
- Não sabíamos o que fazer com aquele garoto invencível, nada o detém e ele está atrás das esferas do dragão – bebia um suco enquanto Mai falava, assim que terminei a olhei:
- Eu sabia que Kami-sama não ia me abandonar, pois ele quer que eu seja dono desse mundo. Eu sou o eleito, o grande – estava de punhos erguidos para cima e feliz da vida, afinal ia ser o senhor do mundo. De qualquer modo a esfera do dragão está guardada nesta caixa especial que eu projetei, por isso não aparece no radar daquele garoto, resumindo; aquele moleque não pode saber onde está o artefato mágico que está comigo. Por outro lado podemos saber onde estão as outras esferas que estão com ele graças ao nosso radar - olhava a caixa com alegria.
Meus capachos aplaudiam o meu discurso animados e convictos de que íamos conseguir.
- Grande Pilaf, meu amo – chamou a raposa me adulando. – Neste exato momento o Goku está lutando com os guerreiros de vovó Uranai para que ela revele onde está a esfera que está aí na caixa – apontou Shu para a caixa. - E se o garoto vencer? – perguntou a raposa meio preocupada.
- SEU IDIOTA!- bati na cabeça dele com a caixa. – Essa vidente é uma farsante – eu estava bravo com ele. – Mesmo que o garoto descubra onde está a bola dourada, sabemos o ponto fraco dele, além do mais temos a melhor tecnologia. Não percebem que nossa batalha já esta ganha – estava convicto de que eu ia vencer. – Finalmente a vitória esta do nosso lado – engano meu, um belo engano, querem ler?
- O senhor tem razão – Mai concordava comigo. - Essas máquinas são diabólicas é produto de um grande gênio – a moça puxava o meu saco.
- Agora vamos derrotá-lo – ergui o punho para cima e convicto da nossa vitoria.
Mai, Shu e eu encapsulamos os robôs, encapsulamos o equipamento vídeo transmissor, guardamos no automóvel. Depois entramos no mesmo e partimos para o local onde o garoto estava lutando. Afinal eu seria finalmente o senhor de todo mundo.
Viajamos de carro pela estrada, estava com um plano em mente, pois sabíamos do ponto fraco dele e eu teria as esferas em minhas mãos.
- Dentro de pouco tempo finalmente o deus dragão realizará o meu desejo – esfreguei as minhas mãos umas nas outras.
Estava imensamente feliz só de pensar naquelas esferas todas juntas, brilhantes e com aquele dragão imenso brilhando, os olhos vermelhos e realizando o meu sonho. Só de imaginar eu já babava pelo canto da boca.
- Sim, meu amo – começou a rasgação de seda da raposa. – Depois de tanto tempo chegara a nossa vez. – Shu estava imensamente feliz.
- Tem razão, eu lembro que já sofremos muito e também nos demos muito mal algumas vezes – busquei as minhas recordações enquanto Mai e Shu também se lembravam, afinal eles estiveram comigo em todo o sofrimento que passamos até agora.
- Vocês já sofreram muito, não é? – Perguntei, pois apesar de tudo eu gostava daquele bando de inúteis.
- Sim- concordou Mai com lágrimas nos olhos.
            - Mas agora a vitória está cada vez mais próxima e eu poderei governar o mundo com minhas próprias mãos. Todas as criaturas terão que me obedecer.
            - O que o senhor pensa em fazer? – perguntou a raposa se aproximando de mim.
            - Bem eu... – fiquei pensando.
            - Vamos me diga? – Shu insistia.
- Bem eu... – ainda estava pensativo.
- Diga, o que o senhor vai fazer quando for rei do mundo?
- ORA, CALE A BOCA! E não me amole – dei um cascudo nele e Mai continuou dirigindo o carro sobre uma estrada de chão batido.
Alguns minutos se passaram e ouvimos um barulho no capô do carro.
- O que foi isso? – perguntou a moça olhando a estrada.
- Deve ter sido alguma pedra – comentei, quando vi a cabeça do garoto aparecendo pelo para-brisa do carro.
- Oi pessoal! – ria ele animado. – Eu preciso da esfera do dragão – ele estava muito feliz.
- Hum! – dissemos uníssonos, estranhando aquele fato.
- Me desculpe- começou o jovem novamente. – Por acaso vocês viram a esfera do dragão?
Assustamo-nos muito com o garotinho que tinha aparecido de surpresa. Mai começou a perder o controle do carro virando o volante tentando o controlar.
O garoto foi lançado para longe do carro, mas conseguiu cair de pé um pouco mais distante de nós.
Mai conseguiu parar o carro e Shu disse:
- Mas é aquele garoto!
- Não acredito! Não pode ser... – fiquei abismado.
- O que ele faz aqui? – perguntou a moça receosa.
- Mas eu tenho certeza que coloquei a esfera dentro dessa caixa especial – ergui a caixa na altura dos meus olhos. – Eu não estou entendendo.
O garoto olhava o nosso carro e gritou:
- ÀH EU CONHEÇO VOCÊS! SEMPRE ESTÃO ATRÁS DAS ESFERAS DO DRAGÃO! – apontou ele com o dedo indicador para o nosso carro. – E OUTRO DIA VOCÊS TENTARAM ME MATAR!
 - O que vamos fazer? – perguntou Mai com medo. – Decidimos fazer um ataque surpresa, mas não esperamos que ele viesse atrás de nós – a jovem estava assustada.
- Não se desespere – estava calmo e com tudo planejado. – Se pensarmos com calma, nós veremos que é sorte para nós, ele ter vindo até aqui. Se ele for eliminado as esferas do dragão serão minhas. Não se preocupem.
Peguei a bola de uma estrela e a ergui na altura de meus olhinhos, o brilho dourado refletiu nas minhas retinas, sorri ironicamente:
 – Esse garotinho não vai nos vencer, pois somos muito mais fortes que ele - grande ilusão a minha.
Ainda olhava o precioso artefato mágico em minhas mãos.
- Ei vocês! Saiam do carro – ordenou o garoto.
Saímos do carro e o encaramos penetrantemente o garoto.
- Você não manda em mim pirralho – apontei o dedo indicador a ele, enquanto Mai encapsulava o carro.
- Garoto, o fato de você ter encontrado as esferas prova que você é muito esperto, mas não tanto quanto eu – estava convicto de que ia vencer.
            - Vocês vão fazer alguma maldade? – perguntou ele com o cenho franzido. – Eu acho melhor vocês entregarem a esfera do dragão – ameaçou ele.
- Você só pode estar brincando! – estava muito exaltado. – Além de você, nós também queremos esses preciosos tesouros – segurava uma das bolas comigo. – O que acha disso? – comecei a dar condições a ele. – Se você ganhar, eu entrego a esfera que está comigo, mas se eu ganhar você entrega as seis esferas que estão com você. O que acha disso?
- Hum... Vocês já sabem que eu tenho as outras seis esferas? – perguntou ele ingenuamente e com aquela cara de tonto. 
Ri cinicamente a ele.
- Ora, eu sou mais que um gênio. De qualquer forma aceita o desafio? – perguntei a ele convicto da vitória, afinal eu ia lutar com ele e as esferas iam ser minhas. Santa inocência viu.
- Mas é claro que sim – ele respondeu muito animado.
- Então me dê o seu dedinho – ergui o dedo mindinho.
- Mas eu não quero ficar sem ele – ele fez uma cara tonta e nós caímos para trás com a ingenuidade daquela criança.
- Deixa de piadinhas – peguei o dedo mindinho dele e uni ao meu. – Essa é a promessa do dedo mindinho, se você não cumprir estará ferradinho – soltei o dedo ele e sorri maleficamente.
Jogamos as cápsulas para o alto e depois da fumaça esbranquiçada evaporar pelo céu, apareceram três robôs.  Um para Mai, um para Shu e um para mim.
Entramos nos robôs e sorrimos ironicamente e eu perguntei:
- Ficou surpreso? – Estávamos dentro dos robôs. – Esses robôs são os mais fortes do mundo. Eles são os robôs do Pilaf. Se vai se render, faça de uma vez, ou vamos acabar contigo – apontei com a mão mecânica do mesmo.
- Legal, eu adoro lutar com os mais fortes – por alguma razão ele estava mais animado e eu não entendia o motivo. – Agora vamos lutar.
- Claro que vamos – eu tentei convencer Mai a lutar, mas o garoto que estava impaciente veio para cima de nós e começou a atacar os nossos robôs.
Nós conseguimos revidar e o lançamos em uma pedra fazendo-a a quebrar, no entanto aquele garotinho saiu ileso.
Mai e Shu partiram para cima dele, mas ele acabou usando um bastão mágico e me atacou com o mesmo me lançando contra outra pedra.
Recuperei-me e me levantei com aquela arma móvel e gigantesca. Agora eu ia colocar meu plano em prática, foi quando a raposa virou-se e disse:
- Senhor, não dá para ver o rabo dele, ou está bem escondido.
- O quê? – olhei para o traseiro do garoto e fiquei surpreso.
Pedi um tempo e começamos a cochichar entre nós, depois de muita conversa decidimos continuar com o nosso plano.
Começamos a lutar novamente contra o garoto e então a moça agarrou o garoto com as mãos mecânicas do robô.
Depois Shu usou o fogo que saía de uma cauda do robô que ele usava, queimando a roupa do garoto e mostrando o bumbum dele.
Fui para pegar o rabo do garoto, mas para a minha surpresa, não havia mais nada, apenas um sinal. Mexi com a mão mecânica, feito bobo e com cara de quem não entendia mais nada.
O menino ficou nervoso e usou toda a sua força para sair das mãos do robô que Mai usava. Ela não conseguia mais segurar e não tinha mais cauda nenhuma.
Comecei a suar e a ficar preocupado. Percebi que a cauda dele tinha sumido. Finalmente eu havia percebido a realidade dos fatos.
Então ele conseguiu se soltar e eu perguntei indignado:
- O que aconteceu com o seu rabo?
- Ele foi arrancado – ele estava muito bravo. –Você é uma pessoa má – ele cerrou o punho me olhando. - Acabou com a minha roupa. Agora vão me pagar.
Mai, Shu e eu unimos os robôs em um só, acoplando ao mesmo. Assim que nós nos unimos, o garoto lançou uma energia e acabou com o robô de Mai.
Viramos uma espécie de avestruz robótica eu segurei no pescoço dela enquanto fugíamos, já que o garotinho era mais poderoso que nós.
Enquanto corríamos, lançamos um míssil, mas o garoto conseguiu pegar com muita facilidade e mandar de volta para nós, nos vencendo.
Eu tive que entregar a esfera do dragão a ele e Shu a suas roupas, já que nós havíamos acabado com a roupa do menino.
Para a nossa sorte ele nos deixou vivo e saiu dali voando naquela nuvem dourada.
Eu havia perdido novamente. O meu sonho havia sido levado mais uma vez e eu teria que esperar mais uma vez para vê-lo realizado.
“Será que um dia eu iria realizar o sonho de ser o senhor do mundo?” Era assim que eu pensava.
Entramos no carro e voltamos ao meu castelo, derrotados, humilhados e totalmente desiludido.
Dia 20 de janeiro 751
“Cheguei a meu castelo com o rabinho entre as penas, como um cachorrinho sem dono, aborrecido, desorientado por ter deixado o meu sonho passar entre os meus dedos mais uma vez. Sentei-me em meu trono, coloquei a mão no queixo e suspirei fundo lembrando de tudo que havia passado até agora, de todos os sofrimentos e as humilhações que eu passei.
Vi Mai parar em minha frente e disse:
- Senhor! Ficamos sabendo de uma história de um ser maligno que foi lançado ao fundo do mar preso em um recipiente.
- Hum – fiquei pensativo, pois afinal já tinha passado por uma experiência, que não levou a algo agradável.
No entanto, não custaria tentar, ou será que custaria? Eu tinha as minhas dúvidas, porém eu pensei e pensei:
- Isso me dá uma ideia para dominar o mundo.
- Qual mestre? – perguntou Mai me olhando ajoelhada diante de mim.
- Pesquise sobre esse ser e vamos soltá-lo para unir a ele e derrotar aquele menino macaco e depois podemos governar o mundo – sorri maliciosamente esfregando as minhas mãos.
Eu iria me aventurar em uma coisa insegura novamente, no entanto eu tinha que arriscar.
- Certo – ela saiu da sala do trono e eu fiquei ali bolando vários planos para dominar o mundo.
****
Algumas horas se passaram e mais tarde Mai voltou com toda a pesquisa em mãos, me reverenciou e me entregou. Eu li linha por linha e disse:
- Vamos libertar esse tal de Piccolo Daimao – estava satisfeito e convicto de que meu novo plano poderia dar certo.
Depois de ler a pesquisa eu tinha esperanças nesse ser, mesmo ainda com o pé atrás, mas eu iria tentar. Sim eu iria.
- Sim, mestre – Mai foi preparar para irmos ao local que mostrava nas pesquisas.
Logo em seguida, nós saímos em viagem para o mar, onde o recipiente havia sido jogado.
Depois de algumas horas chegamos ao local e passamos muitas dificuldades para tirar a vasilha do fundo do mar, mas assim que tiramos, voltamos à nave e eu o repousei sobre a mesa, apertei o botão e abri o recipiente.
Uma fumaça esverdeada saiu do mesmo e foi tomando uma forma de um ser alto, verde, com orelhas pontudas, rugas no rosto, duas antenas na testa pendidas para frente.
- Foi você que me libertou? – perguntou a voz envelhecida, com aqueles olhos carregados de crueldade, o símbolo da maldade no peito, as unhas compridas e os dentes com algumas presas.
- Sim – eu tremia ao ver aquele ser e estava começando a me arrepender por ter libertado ele.
Ele sorriu ironicamente, com um olhar assassino para mim e disse:
- Agora você irá morrer! – ai que eu tremi na base e comecei a argumentar:
- Espere... Eu sei coisas que pode nos unir e dominarmos o mundo juntos.
- É mesmo? – ele perguntou com desprezo na voz, mas de certa forma interessado. – Você tem cinco minutos para me dizer – ele me olhava friamente.
Respirei fundo, aliviado e pedindo a Kami-sama que aquele ser não me matasse. Então comecei a narrar a ele sobre as esferas, o torneio de artes marciais e tudo mais.
- Hum... Então vamos atrás delas, chamou um pterodátilo que era seu servo.
 Colocou um ovo pela sua boca, de dentro dele saiu um tipo de dragão esquisito, verde com asas e pediu para partirmos.
Voávamos em busca das esferas do dragão, enquanto um dos servos dele foi atrás da lista de participantes do torneio de artes marciais. Então ele se virou para mim e perguntou:
- Se eu tiver as sete esferas do dragão eu posso ter tudo que eu quiser? – O monstro estava com meio sorriso.
- É isso mesmo – respondi com as duas mãos unidas a sua frente. – Imagino que o pedido de Piccolo Daimao é dominar o mundo? – estava esperançoso na resposta, pois queria governá-lo também.
- Não preciso das esferas para isso – seu sorriso irônico era assustador. – Dominar o mundo, TSC. Isso não me custa absolutamente nada – o ser verde desdenhou virando a cabeça para o lado.
- Então o que o senhor quer? – perguntou Shu educadamente.
- O que eu mais quero é a juventude eterna. Com ela eu posso governar a todos com muita facilidade.
- É uma ótima ideia! – tremia de medo. - E sobre isso que eu queria falar... Foi um grande sofrimento encontrar aquele recipiente onde o senhor estava... E... E fui eu que trouxe o senhor de volta e falei dos preciosos artefatos mágicos – batia um dedo no outro um pouco nervoso.
- O que você quer dizer? – Piccolo se inclinando um pouco para frente.
Meus capachos e eu estávamos suando temerosos e no fundo já estava arrependido de ter liberado aquele ser. Agora era deixar do jeito que estava.
- Não é nada importante... – balancei minhas pequenas mãos em gesto de não. – Quando o senhor for dono do mundo eu gostaria de... – comecei a ficar nervoso novamente. – Eu gostaria de ter a metade do mundo. Eu também falei para o senhor dos lutadores de artes marciais que eram de todas as partes do mundo.
- O quê? – O monstro mostrava a sua cara mal humorada.
- Um terço já está bom – a cara dele ficou ainda pior. – Que tal a quarta parte?- a cara dele piorou. – A sexta parte? – ele me encarava. – Não deu... – desisti de argumentar quando o ser se pronunciou.
- Vou pensar no seu caso, Pilaf.
- Ótimo... Eu ficaria muito agradecido se o senhor concordasse – eu balançava as mãos nervosamente, apesar de estar crente no que ele me disse.
- Pilaf, o Tamborim já voltou?
- Mai! – chamei a moça e me virei para ele.
- Sim, eu vou verificar – Mai já sabia o que eu queria.
Ela apertou um botão no painel de controle da nave.
 Saiu um globo esverdeado do teto da nave e a moça disse:
- Ele está se aproximando sem problemas – a moça olhava o globo onde piscava o sinal do dragão estranho que tinha saído de um ovo que saiu da boca daquele ser.
- Por que quer o nome de todos os lutadores do torneio de artes marciais? – perguntei curioso.
- Foi um deles que me capturou! Não sei o truque que usou, mas isso não vai se repetir – os olhos dele brilharam e o recipiente simplesmente evaporou em uma fumaça marrom e densa.
Mai, Shu e eu nos abraçamos temerosos, pois aquele ser era terrivelmente forte, assustador e mau.
- Vou mostrar a esses lutadores a realidade da morte. Não conseguiram me derrotar – ele olhava um ponto qualquer com o semblante carrancudo.
- Faremos o máximo possível – comentei com a voz trêmula com meus puxa sacos perto de mim.

Tirei a mão do papel movimentando, pois já estava ficando com cãibras nos dedos de tanto escrever, mas logo eu voltaria a colocar as minhas memórias naquele papel a minha frente. 

Festival?


           
            As lutas contra Hades havia terminado, tudo estava tão calmo e pacato, os dias passavam monotamente devagar, sem muito o que fazer, apenas cada um dos cavaleiros ficando em suas respectivas casas.
            O dia estava quente, o sol torturava o dia, as poucas nuvens ralas no céu mostrava que o clima quente de verão estava no auge.
Na casa de virgem Shaka nem conseguiu se concentrar em seu mantra, pois o suor descia em seu corpo pela túnica branca preza por um broxe de ouro que lembrava uma flor de lótus. A túnica era um tecido de seda e mesmo assim ele conseguia sentir um calor invernal, levantou-se desanimado e resolveu ir até a casa do aquariano na esperança de se refrescar um pouco e poder meditar.
Assim que chegou à casa de aquário, Shaka viu não só Camus, mas Afrodite, Seiya, Saore, Shiryu, Shunrei, Shun, June, Kanon, Saga, Hyoga estavam na casa do aquariano tentando o convencer a deixar a casa geladinha para que eles pudessem se saciar do calor.
 Mu estava em sua casa abanando se por um leque, sacudindo em uma rede furadinha, suando igual tampa de cuscuz, naquele dia quente e ensolarado o melhor era curtir a preguiça, sem saber o que ocorria ao seu redor.
Com um pé para fora da rede, balançando lentamente, a mão fazendo vai e vem com o leque, Mu estava sem camisa, apenas com uma calça verde meio colada, mesmo assim sua vontade era de pular em um rio bem gelado ou ir para qualquer canto mais refrescante, mas a coragem era tanta que ele nem queria se mover. Ouviu passos dentro de sua casa, viu que alguém se aproximou dele lentamente e ele viu a silueta magra, cabelos longos e negros, ele também estava sem camisa.
- Olá Shiryu, o que faz por aqui?
- Olá Mu – ele deu um leve sorriso ao amigo. – Vem sentir um ar condicionado na casa do Camus, afinal o dia está parecendo um deserto de tão quente.
- Realmente nunca vi um dia tão quente como hoje – ele comentou tentando sentir a brisa do seu leque.
- Nós conseguimos fazer com que o aquariano nos desse um refresquinho na casa dele com direito a escorregador gelado e tudo, não quer ir até lá?
Mu suspirou e imaginar-se levantando deu um desanimo muito grande, mas ao olhar a cara de felicidade do cavaleiro de bronze a sua frente diz:
- Vamos, talvez eu me encoraje mais, no friozinho do nosso querido aquariano.
Mu se levantou da rede com uma coragem que até uma lesma ganhava dele e foi caminhando ao lado de Shiryu até a casa de aquário, mas parecia uma longa caminhada, os minutos pareceram horas e quando os dois finalmente chegaram à casa do aquariano Francês, ele finalmente pode sentir o frescor gelado que vinha de dentro e acompanhado por Shiryu ele entrou no local e viu vários de seus amigos brincando como crianças em meio a água derretida pela casa e um tobogã feito de gelo no lado esquerdo a porta da casa.
Sorriu ao sentir o frescor batendo em seu rosto o suor diminuindo e uma voz forte soou por de trás dele.
- Veio se apoderar dos meus poderes também carneirinho?
- Claro que não, senhor lugar onde se coloca os peixes – Mu sorriu. – Só vim por que o Shiryu me chamou, mas que aqui está bem mais gostoso que naquele sol de rachar isso está.
- Ficar gastando o meu cosmo com esses inúteis vai me cansar muito – ele balançou seus cabelos verdes e molhados.
- Ora Camus, não seja ruim e deixa o povo se divertir – risadas eram ouvidas, próximo a eles.
Mu olhou e viu Seiya agarrando Saori só de biquine em um cantinho mais escuro da casa, dava para ver que era a silueta dos dois e estavam começando a se grudar como carrapatos no couro do cachorro.
- Viu só, minha casa já esta virando bordel.
- É, mas cadê as moças do olimpo que sempre vem aqui fazer charme para você? – ele perguntou como quem não queria nada.
- Não faço ideia do que esta falando carneirinho – ele cruzou os braços e fez uma cara nervosa. – Usa o seu tele transporte e leve esse povo daqui – ele estava muito grilado.
Mu sorriu e já ia caminhando para conversar e se divertir um pouco.
- Por favor, Mu, eu não aguento mais gelar o ambiente para esse povo, tira eles daqui – Camus quase ajoelhou aos pés de Mu.
- Por que não pede o Hyoga para gelar a casa um pouco no seu lugar, ele está ali jogando conversa fora mesmo – Mu olhou o rapaz loiro a sua esquerda deitado no chão sobre uma possa d’água olhando um ponto qualquer do teto conversando com Ikki que estava do mesmo modo.
- Aquele pupilo é um inútil – Camus concentrou e liberou um pouco mais de gelo com o seu pó de diamante.
- Eu falo com ele Camus, mas deixa o povo se refrescar um pouco realmente está quente.
- Mu, você também é um inútil – saiu pisando bravo em uma direção onde não havia ninguém para lhe torrar a paciência.
Mu se aproximou do Hyoga e deitou-se ao lado dele.
- Olá Mu, como anda as coisas lá pelo lado da casa de Áries.
- Vão bem e você como anda, ou melhor como nada?
- Hehe, engraçadinho – ele revirou os seus olhos azuis. – Aqui pelo ao menos está fresco.
- Devia ao menos ajudar o seu mestre um pouco com o seu pó de diamante.
- É, mas eu estou muito desanimado – ele virou para o outro lado e deixou um ali ainda conversando com Ikki.
Shaka se aproximou dele e disse:
- Ora carneirinho o que faz aqui? Desgarrou do seu rebanho – Shaka adorara tirar com a cara de Mu.
- Melhor ser um carneiro desgarrado do que um virginiano loiro falsificado – Mu se levantou e o encarou.
- Eu não sou loiro falsificado seu... - Shaka já ia concentrar o seu cosmo e ao menos tirar um dos sentidos de Mu quando Shurei apareceu entre dos dois.
- Vocês estão sabendo? – ela perguntou como quem não quer nada.
- O que? – os dois perguntaram uníssonos piscando algumas vezes e encarando a jovem.
- Terá o festival de verão aqui perto, Shiryu e eu vamos, vocês não quer ir? – a moça estava realmente animada com o mesmo.
- Festival?
- Sim, um lugar para se passear com namorado, ou namorada, com barraquinhas para se divertir, olhar os fogos.
- Iiii então não rola de nós irmos – comentou Camus escutando a coversa próximo dali.
- Por que Camus? – perguntou Shiryu o olhando.
- Namorado ou namorada passear juntos, ou seja, não me enquadro no perfil desse festival.
Shiryu riu divertido e disse:
- Camus, não é só para casais, tem varias barracas para homens solteiros e que podem ter uma namorada ou algo parecido nesses festivais, pois neles sempre tem garotas.
- Festival? Eu ouvi bem? – Seiya se aproximou todo marcado de batom, arranhões e só de sunga perto dos outros.
- Será ótimo não é meu pegasuzinho do amor – Saori estava com o biquine fora do lugar, suada, cabelos molhados e também toda marcada.
Camus bufou, revirou os olhos e preferiu ficar em silêncio ou ia acabar fazendo uma esquife de gelo com os dois dentro para não usar sua casa como bordel.
- Vamos Camus, Shaka, Mu? – Shurei estava esperançosa.
- Ir onde Shun, June e Afrodite se aproximavam do grupinho unido.
Hyoga estava dormindo no mesmo lugar e nem ouvia a conversa.
Ikki nem se atreveu a ir até lá odiava onde tinha muita gente.
- Em um festival que terá em uma aldeia aqui perto – Shiryu olhou de um por um.
- Um seria legal ver umas gatinhas – Afrodite sorriu malicioso.
- Ue, Afrodite desde quando você gosta de garotas? – perguntou Seya incrédulo ao ver o pisciano se intrometer na conversa, já que viu que a sua casa era do lado do aquariano.
- Olha aqui seu cavalo mal trapilho, para o seu governo, não é por que eu sou delicado e gosto de rosas que eu não gosto de garotas, ouviu bem – ele estava quase tirando uma rosa negra no cavaleiro de pegasus de tão estressado que ficou.
- Mas eu sempre achei que você fosse do babado Afrodite – foi a vez de Shaka se manifestar.
Afrodite aproximou-se lentamente de Shaka e disse:
- Tenho certeza que eu sou muito mais homem que muitos aqui – ele saiu pisando alto e foi para sua casa.
- Iii eu acho que ele se magoou – Seiya olhou para Saori que deu os ombros.
- Então quem vai? – perguntou Shurei esperançosa.
- June e eu vamos – manifestou Shun.
- Eu vou aproveitar e ficar aqui bem longe de confusão – Camus suspirou aliviado achou que ia ter todos ali até o outro dia aproveitando do seu cosmo.
- Saori e eu também vamos aproveitar, não é mesmo minha deusa?
- Sim meu cavalhinho chucro – ela o abraçou próximo aos demais.
- Quanta poca vergonha e falta de respeito – resmungou Camus não vendo a hora de ficar tranquilo em sua casa.
- Mu!
- Hum – ele piscou algumas vezes e olhou para a garota de cabelos negros.
- Você e o Shaka não vão ao festival?
Mu olhou o virginiano e o virginiano olhou para o carneiro como se quisesse dizer eu só vou se você for.
- Eu irei sim, tomar uma brisa da noite e ver pessoas novas é sempre bom.
Shaka apenas sorriu um sorriso lateral concordando e ficou combinado para irem juntos ao festival de verão.
- Será muito divertido – Shunrei abraçou Shiryu e os dois caminharam em direção à porta.
Pouco a pouco os cavaleiros e as moças foram saindo e pouco a pouco ficou só o aquariano e seu discípulo na casa, tranquilos, sem cenas explicitas, sem conversar alta, sem uma palavra se quer só o silêncio e Camus ia aproveitar bem esse silêncio e repor a suas energias gastas com um pó de diamante para refrescar aquele bando de folgados. 

domingo, 22 de dezembro de 2013

As sete esferas do dragão.

Fiquei ali tentando me acalmar, tentando tirar as lembranças da minha mente, era como se eu mexesse em um vespeiro e sentisse cada ferroada em mim.
Abri lentamente meus olhinhos e senti a claridade arder nas minhas retinas, levantei-me da cama calmamente e fui lavar o meu rosto.
Senti fome, mas achei melhor ficar em jejum. Passei pela mesa e vi o diário fechado, a cadeira encostada na mesa. Então resolvi me sentar, puxei a cadeira e me sentei. Fitei o diário e o abri lentamente vendo as entrelinhas que eu havia escrito. Decidi escrever mais um pouco, acho que não me custaria nada. Sorri meio de lado, olhei a folha que ainda estava em branco, peguei a pena, a molhei na tinta do meu lado esquerdo, levei a mão até o papel e continuei meu relato, ou melhor, continuei colocando as minhas pequenas memórias naquele diário:
Dia 16 de janeiro 750
Algumas horas depois meus fiéis servos e eu acordamos com uns rugidos ferozes, passos que faziam o chão tremer.
Fomos ver o que era e vimos um macaco gigante que destruía tudo pela frente. Tentamos combatê-lo, mas em vão, pois ele parecia extremamente forte.
Tentamos fugir, mas eu não queria abandonar o meu castelo que eu havia construído com tanto suor.
Voltamos ao castelo, mas ele estava destruído e no meio dos escombros estava o garotinho dormindo.
- Então aquele garotinho que era o monstro e que destruiu o meu lar – chorei humilhado e ressentido.
Tudo tinha ido por água a baixo; o meu sonho, o meu castelo, tudo.  Virei- me para a moça e a raposa limpando as lágrimas e disse:
- Reconstruam imediatamente – dei a ordem e eles começaram a reconstruir o meu precioso castelo.
***
Dia 17de janeiro 750
As esferas voltaram a apitar no radar do dragão, satisfeito com a nova possibilidade de ter aqueles preciosos artefatos mágicos em minhas mãos. 
No entanto eu estava com medo de encontrar aquele garoto que virava um macaco gigante. Foi aí que eu conheci o mestre Tsuru e o Tao Pai Pai. Eu os conheci procurando ajuda para procurar os preciosos artefatos mágicos. Pois estava muito difícil reuni-las. 
Contei a eles sobre a lenda e fomos para uma base secreta, onde eles me pediram para consertar o radar do dragão para que pudéssemos procurar as bolas e realizar o meu desejo.
Convicto de que eu teria ao menos uma parte do mundo parafusava dentro do radar junto com meus capachos. Já estávamos sujos de graxa e ainda não havíamos terminado.
Foi quando radar começou a fazer um barulhinho na tela e começou a piscar mostrando o local onde cada artefato mágico estava.
- Eu consegui! – gritei olhando para Tao Pai Pai e mestre Tsuru.
Eu estava realmente animado e ao meu lado Mai e Shu estavam da mesma forma.
- Mas que ótimo amo – comemorou a raposa.
- Nós podemos encontrar as esferas do dragão agora mesmo! – era a Mai me ajudando.
- O radar do dragão finalmente está pronto! – Sorri tão feliz que nem dava para acreditar.
- Entendo. Então cada um desses pontos mostram onde estão as famosas bolas do dragão – riu mestre Tsuru.- Agora finalmente podemos conquistar o mundo.
- E, mas elas estão espalhadas pelo mundo todo, vai ser difícil de pegá-las. – era Tenshinhan alertando.
- Não se preocupe com isso vamos conseguir – mestre Tsuru ainda olhando o grande radar a frente dele.
- Estamos felizes por ajudar – uni as mãos e sorri animadamente.
- Pode confiar na gente – era moça esperançosa e estava no meu lado esquerdo.
- Certamente não vamos contar nada a ninguém – a raposa sorria alegremente.
- Eu sei disso – começou o mestre com a voz estridente. – Tao Pai Pai o prêmio deles.
- Claro – respondeu ele com a voz fria e cruel. – Vocês estão com muita sorte que vão receber um prêmio meu.
Rimos satisfeitos, talvez uma pequena parte do mundo fosse nossa. Ou melhor, minha, já que Mai e Shu eram meus servos. 
Vimos Tao Pai Pai caminhar lentamente em nossa direção, com os braços para trás, postura ereta, cara carrancuda.
Ele parou em nossa frente, jogou a trança para trás e eu vi que estávamos em uma tremenda enrascada.
Tremendo de medo Mai, Shu e eu tentamos fugir, mas não conseguimos. Tao Pai Pai nos deu uma surra e nos expulsou dali.
Eu prometi a mim mesmo que não ia pedir ajuda a mais ninguém.
Naquele mesmo dia vi que as esferas haviam sido usadas, pois o céu escureceu e meu sonho tinha ido por água a baixo mais uma vez.
Dia 18 de janeiro 751
O tempo se passou rapidamente depois daquela infelicidade que eu tive com aquele tal de Tao Pai Pai e mestre Tsuru, agora seria bola para frente.
O radar começou a dar um pequeno sinal. O que significava que as esferas haviam voltado e poderiam ser usadas novamente para um novo desejo.
Esfreguei as minhas mãos satisfeito e disse:
- Finalmente elas voltaram e eu posso finalmente dominar o mundo – olhava o painel.
A raposa entrou a sala da nave e disse:
- Já faz mais de um ano mestre, por isso as esferas já estão reagindo.
-Sim Shu! – não acreditava que eu poderia juntá-las e realizar o meu sonho. - Isso é ótimo, agora ninguém vai me impedir de realizar o meu desejo – sorri animadamente. - Onde está á Mai, a chame para irmos procurar essa esfera.
- Está bem senhor – Shu me reverenciou e saiu.
Alguns minutos depois, meus capangas e eu sobrevoávamos uma vila, aterrissamos e começamos a caminhar pela rua meio deserta, o sol quente sobre os nossos ombros, a terra seca e alguns comerciantes estavam espalhados; então falei para ela nervoso:
- Perguntando às pessoas não vamos encontrar os artefatos mágicos – estava com olhos semicerrados.
- Eu não tenho culpa se nosso radar não tem tecnologia suficiente – ela respondeu calmamente.
- Maldição – reclamei bravo para ela, enquanto caminhávamos pela rua à procura da esfera.
Paramos em uma loja e eu me encantei com uma bela coroa. O vendedor me disse que tinha sido de um embaixador muito famoso chamado Alexandre “o grande”. Adentrei mais a loja para ver se eu aproveitava para investigar se tinha alguma bola do dragão por ali.
O vendedor me disse algumas coisas querendo me vender vários objetos, mas depois se lembrou da lenda do dragão passada de geração para geração e me mostrou uma esfera de quatro estrelas.
Claro que eu a comprei na hora e com todo o dinheiro que eu tinha.
Estava saindo da loja muito feliz e satisfeito com o artefato mágico em uma caixa, que estava em minhas mãos.
Estava distraído quando olhei para o lado e o vi:
- Ah! Você é o marciano! – apontou o garoto para mim com o dedo indicador, surpreso em me ver.
- E você é o monstro que eu vi da ultima vez! – apontei o mesmo dedo para ele. Depois abracei a caixa que estava em minhas mãos. - Isso é meu e eu acabo de comprar por um preço muito alto, gastei todo o dinheiro que eu tinha.
- Essa é uma esfera do dragão? – perguntou ele com uma cara tonta.
- Cala a boca, moleque – Mai tirou o revólver do bolso e começou a atirar nele.
Depois começamos a correr como loucos para poder despistar aquele monstrinho, mas o garoto veio correndo atrás de nós.
No entanto Mai e eu conseguimos entrar na nossa nave a tempo.
Mas eu havia me esquecido que aquele moleque tinha uma nuvem e podia voar sobre ela. E para o meu azar ele vinha atrás de nós.
Mai olhou o radar e disse:
- Senhor tem algo errado, estamos indo na direção contrária da esfera – ela apontou para o painel que piscava. - E a que o senhor tem, não reage.
Foi aí que percebemos que a esfera que eu tinha era falsa.
Sem querer deixei a esfera cair e ela quebrou em vários pedaços.
- Ela não passava de vidro barato – falei olhando os cacos no chão.
- Droga, pagamos muito dinheiro por uma imitação.
- BURRA! – gritei com ela nervoso. - Não é o dinheiro que me importa – ela tremia de medo. – É o meu sonho de ser o senhor de todo mundo – estava possesso de tanta raiva.
- Amo! – era a raposa gritando feito um louco. – O radar deve estar com defeito, por que estamos indo na direção contrária da bola do dragão.
- Venha aqui Shu – o chamei e ele se aproximou de mim.
Dei um cascudo na cabeça dele com muita raiva.
- Ao! – ele ficou esfregando o local com a mão.
- Deixa comigo – esfreguei as mãos e sorri lateralmente, olhei a janela da nave e vi o garoto com a cara pregada no vidro olhando para dentro.
            Fui em direção à mesma em passos apressados, abri a janela e disse apontando o dedo indicador a ele:
- O que quer aqui... – o vento me puxou para fora da nave, me levando para longe, comecei a cair em queda livre gritando e pedindo socorro.
            O garoto veio até mim, parou ao meu lado em cima daquela nuvem dourada e disse:
            - Devolva a esfera que meu avô deixou de lembrança para mim e eu te salvo.
            - Quem é o seu avô? – perguntei curioso e ainda em queda livre. – Eu não conheci o seu avô!
            - Eu estou falando da esfera que está com você – ele me olhou sentado naquela nuvem amarela. “Como ele consegue voar nessa coisa”? Perguntava-me ainda olhando. “Aquilo era mágico?”
            - Ah! Eu já sei qual é... – respondi e pensei. “Eu dou aquela imitação a ele, esse monstro me salva e eu posso ir atrás das originais”.
            Olhei para baixo e quase tive uma vertigem.
- Eu devolvo o que você quiser, mas me salva de uma vez – eu mal pude ouvir as minhas próprias palavras e ele pegou o meu pé, saiu me levando pelo céu afora.
- Salvei a sua vida, agora me devolva a esfera – eu mal pude ouvir as palavras do garoto, pois estava tonto, quase desmaiado, juro que eu achei que ia morrer.
Assim que ele me deixou na nave que voava pelo céu, coloquei Shu e Mai para colar a imitação que estava em cacos.
O garoto já estava parado em cima da nuvem, rente à janela.
- Vou ter que esperar muito? – perguntou ele com os cabelos sendo soprados pelo vento.
Comecei a dar algumas desculpas a ele, lhe ofereci um chá, mas logo Mai e Shu entraram na sala da nave com a esfera em mãos. Mai entregou a esfera ao garoto alertando para ter cuidado.
- Já tem o que queria, agora vá embora – disse com raiva fechando a janela na cara dele.
“Enganei o moleque e agora eu irei atrás dos meus preciosos tesouros”. Pensei olhando pela janela com os braços para trás e um sorriso cínico no rosto.
Algumas horas mais tarde, nós sobrevoamos uma aldeia e minha fiel puxa saco comentou:
- Excelência, desculpa aborrecê-lo, mas temos sérios problemas, será muito difícil competir com o rei Cutelo.
- Sua imbecil – ergui o dedo indicador para cima. – Eu vou governar o mundo e mesmo que esse reizinho. Seja lá quem for ele. Mesmo que ele esteja com uma das esferas do dragão, eu tenho certeza que eu vou consegui-las.
- Mas excelência... – ela já ia argumentar.
- Ele é extremamente horrível e todo mundo tem medo dele – foi à vez de Shu argumentar me olhando. – Ele é um vilão terrivelmente odioso.
- O rei Cutelo? – perguntei desanimado.
- O senhor não sabia excelência? – perguntou Mai pilotando a nave.
- É claro que sim, mas... Não se fala em vitória sem antes lutar – apesar de estar com medo eu tinha que tentar, estava ficando difícil a busca por aquele tesouro.
Aproximamo-nos das casas e eu estava ansioso para ter o meu precioso artefato mágico, apontei para frente e disse:
- Vamos atacar... – olhava para uma espécie de televisão que me mostrava as pessoas e as casas que nossa nave sobrevoava.
- Espere excelência... – A moça me pediu. - Veja – ela mudou a tela do visor e vimos algumas pessoas nos dando boas vindas com placas e em uma delas estava escrito: “Bem vindo Goku”
- Elas estão nos confundindo com aquele garoto, esse é o nome dele – Mai estava calma e pilotando a nave.
Eu sorri malignamente e tive uma grande ideia, então virei para a raposa e o mandei disfarçar de Goku. Ele se disfarçou me obedecendo como um cachorrinho obedece ao dono. Saímos da nave e fomos muito bem recebidos pelo rei Cutelo.
Até ali o meu plano estava dando certo e logo eu teria a esfera original em minhas mãos.
Seguimos para a casa do rei, acompanhado pelo mesmo, depois nos sentamos no chão e o rei mandou entrar a comida que seria servida ao Goku que ficaria noivo da filha do rei.
O gigante conversava animadamente enquanto a comida era servida, virei para Shu:
- Pede o dinossauro assado a ele – sussurrei a ele.
- Mas mestre, eu não dou conta de comer tanto.
- O que estão cochichando ai? – perguntou o grande homem com um chapéu de chifres na cabeça para nós.
- É que o Goku quer levar um desses pratos – eu estava meio inseguro.
- Pode levar o que quiser – ele deu um tapa nas costas do Shu e a cabeça saiu e foi rolando chão afora, mas  assim que pegamos a cabeça para disfarçar a raposa de Goku novamente.
O castelo foi atacado quase no mesmo momento, para nossa sorte, ou azar...
Não sabíamos ao certo o que era, mas iríamos aproveitar para roubar a esfera. 
Entrei dentro do dinossauro assado e tirei o meu precioso tesouro, saí correndo, mas aqueles homens começaram a atirar em mim com pistolas. Corri o mais rápido que pude, desviei de todas as balas o mais rápido que podia.
Entrei na nave às pressas e Mai decolou, enquanto sobrevoávamos deixando aquela pequena vila de lado.
Eu alisava a pequena bola dourada com muita felicidade e disse:
- Seu brilho misterioso é a evidência de que essa é a original. Não tenho dúvida a respeito.
- Então por que trouxemos a falsa da outra vez? – perguntou Shu sentado no banco de passageiro da nave.
- O que disse idiota? – bati com a esfera na cabeça dele.
- De qualquer forma, os inimigos ainda estão atrás de nós – foi Mai quem pilotava a nave.
- Vamos despistá-los – falei convicto e continuamos voando.
Escondemos a nave nas nuvens, depois que o avião nos ultrapassou começamos a atirar no mesmo, até ele cair.
- Mostrei a eles como sou terrível – ergui os braços em comemoração.
Escondemos a nave em uma base secreta embaixo da areia no deserto e os soldados nos localizaram, os puxei para dentro da fortaleza e liguei a tela para falar com eles.
- Bem vindos ao meu castelo – falei com os soldados.
Então a moça apontou a tela que dava para fora da nave e disse:
- Olha ali, senhor! – ela me chamou a atenção.
- Põe na tela Mai – ela colocou a imagem. – Mas é aquele garoto! – apontei para a tela. – Como ele nos descobriu?
O puxei para dentro da base pela areia da mesma forma que fiz com os soldados.
Liguei a tela da tevê que dava para ver a cela em que ele estava:
- AGORA JÁ CHEGA!  – gritei o olhando pela tela.
- Você é o marciano horrível – o garoto estava bravo comigo.
- Hahaha, você que é horrível.
- Devolve a esfera do meu avô, agora – exigiu ele.
- Hum – mostrei a língua a ele. – Tenho uma coisa melhor para você – apertei o botão e apareceu um robô na cela dele e iria acabar com o garoto.
Fiquei olhando a tela para ver o garoto sucumbir, mas ele uniu as mãos, as puxando para trás, depois levou elas para frente e lançou uma energia acabando rapidamente com o meu robô.
- Excelência, o inimigo esta no céu - Mai estava apavorada; enquanto estávamos sendo atacados.
- O que estão esperando? – perguntei nervoso. – Contrataquem – ordenei bravo.
A garota ligou os canhões e começou a contratacar.
Então decidimos fugir levando a esfera, mas confesso que me arrependi, pois vi várias naves em volta da minha nos atacando, até que ela explodiu, mas graças á fumaça e ao paraquedas estávamos salvos.
Descemos lentamente para o chão e vi aquele tanto de soldados nos aguardando e quando tocamos o chão um deles disse:
- Me dê à esfera do dragão – estendeu a mão para o meu lado.
Eu olhei todos os lados e não tive escolha, pois estava cercado. Estendi as duas mãos segurando a esfera em direção ao soldado.
No silêncio e sem poder fazer nada, não tinha como nem fugir. Também me arrependi de ter deixado a base, pois me levou a perda do meu precioso artefato mágico.
Tinha o lado bom, pelos ao menos eles deixaram nós sairmos vivos dali...
Voltei para o meu castelo como se fosse um cachorrinho, com o rabinho entre as pernas, mas não antes de mandar Mai e Shu investigar quem eram aqueles soldados que usavam um uniforme escrito RR na roupa.”
Dia 19 de janeiro.
“Mandei subordinados pesquisarem sobre aqueles soldados que tinham RR bordados em letras vermelhas sobre uma faixa preta em forma de triângulos um de frente para o outro.
Depois de um tempo Mai e Shun voltaram com os papéis das pesquisas em mãos e como cachorrinhos que abanam o rabo para o dono em alegria de saber que foram capazes de algo. A moça virou-se para mim e disse:
- Senhor, aqueles soldados eram das Forças Red Ribbon, eles são muito temidos e perigosos e por alguma razão que não sabemos, eles também estão atrás das esferas do dragão.
- Hum... – fiquei pensativo. – Ligue o radar do dragão, Mai.
A moça ligou e começou a piscar, algumas esferas estavam indo em direção a onde as outras estavam paradas em um único lugar, mas no radar havia um sinal de uma esfera solitária piscando claramente esfreguei as mãos sorrindo ironicamente e disse:
- Mai, vamos atrás dessa esfera do dragão - apontei para o monitor do radar. – E me bole um bom plano.
Mai ponderou, levou uma das mãos ao queixo e disse:
- Podíamos deixar o garoto tomar conta das Forças Red Ribbon e assim que ele tiver quase todas as esferas, nós vamos até ele e roubamos.
- Adorei o plano Mai – sorri satisfeito. – Agora vamos pegar a bola preciosa.
Fomos até o local onde estava o artefato mágico brilhantemente, dourado, a pegamos, voltamos para o meu castelo e fiquei observando o radar do dragão minuciosamente.
Foi quando Mai entrou em um correria só, super apressada e disse:
- Mestre, devemos encomendar um robô bem sofisticado e criar uma caixa que isole a radiação que a esfera transmite; assim ninguém nos encontrará e nem a esfera.
- Mai, você está me saindo uma ótima serva – eu estava realmente satisfeito com ela.

Criamos a caixa, escondemos o artefato mágico dentro da mesma e fomos em direção a onde o garoto estava, pois já havíamos pesquisado para nos informar e também o radar do dragão mostrava a localização quase exata das preciosas bolas mágicas.