Teria chegado ao destino num piscar de olhos
se usasse o Teleporte, era bem a verdade. Mas preferiu sentir a palpitação da
ansiedade por vê-los estremecer-lhe as bases, fazê-lo gargalhar rodopiando
sozinho pelos ares enquanto pensava que os tempos da mudança haviam chegado, e
que finalmente poderia viver como um homem qualquer.
Se
seria bom ou ruim, ele não sabia. A única certeza era que iria tentar.
Voou
a toda a velocidade. Queria chegar o mais rápido possível, sentir o cheiro
fresco da casa, abraçá-los, beijá-la.
E
logo, ele estava pousando em frente ao seu lar. Percebeu em volta o olhar das
montanhas cúmplices de vigiarem seus passos, saudando-lhes as boas vindas pelo
regresso. Os tempos em que vivera ali sozinho com o avô retornaram nostálgicos,
claros e quentes como os raios do Sol que iluminavam o vale. Pensou que muitos
anos de uma vida conturbada o havia distanciado daquelas auras de molequice
inocente, empurrando-as para que ficassem guardadas, com muito cuidado e
carinho, bem fundo nas caixas das boas recordações que não podem voltar mais. E
o que valia agora, era que tudo ali estava preenchido com sua nova família,
seus filhos, sua Chichi, e que por isso não havia motivos para tristezas.
O
que ele não percebera foi que havia alguém observando a sua chegada, escondido
de tudo e de todos, com o ki baixíssimo para não ser encontrado, olhando o
sayajin chegar a seu doce lar. Enquanto o ser se preparava para dar o bote como
uma cobra peçonhenta em busca de sua presa, porém esse bote seria na hora certa
e em passos lentos e sorrateiros, pois ele queria que fosse tudo perfeito.
Goku
entrou voando pela janela aberta da sala só para vê-la irritar-se com a
travessura habitual: foi exatamente o que ocorreu. Assim que ele colocou os pés
no chão impecável de limpo, a voz que tanto conhecia se fez escutar:
-
Aaaiiii Goku! Quantas vezes eu tenho que te dizer para usar a porta? – ela
estendia o dedo indicador da mão e brava em direção a ele. Seus cabelos mais
curtos, seu rosto um pouco mais enrugado do que se lembrava.
Mesmo
assim, achou que estava linda.
Não
se atreveu a encolher-se, sorriu. A falta das broncas delas também fazia parte
do pacote das saudades, não tinha porque negar, não dava para correr.
Permaneceu parado de pé, olhando fixo com ar divertido para a mulher gesticular
na sua frente e olhos brilhando.
-
Por que está parado aí parecendo um bobo alegre? – perguntou colocando as mãos
na cintura, seguindo em sua direção. Abraçou-o forte, enlaçando os braços finos
no peitoral forte do marido, aconchegando a cabeça no pescoço do outro – Pelo
ao menos vai ficar para almoçar dessa vez?
Ele
erguendo-a pela cintura com jeito, rodopiou-a no ar, sorrindo os dois.
-
Terminei o treinamento do Oob, Chi – ele a colocou no chão, a olhou nos olhos,
passou a mão no seu rosto delicado, levando-as na nuca por detrás dos cabelos
escuros.
Não
achava certo que cortasse o cabelo, também nuca disse que era a favor. Adorava
os cabelos longos e sedosos, principalmente quando grudavam no seu corpo
deixando o cheiro dela impregnar na sua pele, mas ele não podia dizer
reprimendas caprichosas: ela sempre o apoiou em tudo.
Deslizou
as mãos grandes na cintura dela e a puxou de leve pra mais perto e lhe deu um beijo voraz.
Chichi
apenas sentiu as suas pernas amolecerem, não teve tempo de afastá-lo e nem
queria. Após alguns segundos, ele soltou dos lábios dela, segurando pela cintura, percebeu-a mole.
-
Odeio quando faz isso! – mais uma vez, ela encostou a cabeça no seu tórax,
respirando fundo para sentir o cheiro dele.
-
Não parece que você odeia – debochou malicioso.
-
Ah, nem vem Goku, logo o Goten logo chegará em casa e a Pan deve estar para
chegar da escola...
Ela
se afastou, retomando o compasso ímpeto de sempre, arrumando os cabelos por
cima da cabeça, consertando a blusa amassada no corpo.
Ele
fez bico, suspirou fundo e sussurrou em seu ouvido:
-
Dessa vez passa, mas a noite que me aguarde.
Chichi
sorriu sincera, achou engraçado. Há alguns anos atrás ele não era assim, não
sabia o que era malícia. Há alguns anos atrás quando se casaram por aquela
promessa de criança, teve que deixar os pudores de lado para incentivar o
marido a ser o seu homem, ensinando-lhe como podia as sutilezas dos prazeres
íntimos, dos toques intensos, dos gostos fortes... Quem diria que agora era
diferente, um homem viril com fogo nas ventas difícil de apagar.
-
Estarei aguardando – respondeu divertida,
seguindo para a cozinha.
-
Ver vocês assim é estranho – comentou Goten entrando a porta.
-
Assim como? - perguntou o sayajin de sangue puro ao filho.
O
rapaz revirou os olhos e achou melhor nem falar nada.
Chichi
apenas sorriu apesar de tudo o marido ainda guardava aquele ar de inocência
nato dentro dele.