segunda-feira, 14 de julho de 2014

Prólogo.

Se havia uma coisa que Goku fazia melhor  do que lutar, mesmo sendo o melhor combatente dentre os conhecidos, era nunca fugir das suas obrigações com as artes marciais. Desde pequeno, abdicava de tudo e todos para se dedicar a esse hobbie, que tornou-se mais que simples diversão. Um estilo de vida, que o fazia respirar golpes precisos e disciplina exemplar nas artes das lutas em busca de tornar-se um guerreiro imbatível como se fosse oxigênio. Mais tarde, a descoberta de que pertencia a raça dos lendários guerreiros sayajins e como bônus, a certeza da força descomunal e de que o apetite indômito por guerras corria em suas veias, só o fazia ser destaque dentre dos lutadores de sua geração. Com seu carisma e boas intenções ele tornou-se um homem destemido, confiável e com mais obrigações para o além das batalhas: o salvador da raça humana. E com este título conquistado com muita labuta e força de vontade, veio grandes responsabilidades que naquela altura da sua jornada, decidiu que precisava partilhar com mais alguém que não fosse seus amigos queridos e já conhecidos companheiros de tormentas.
Com a ajuda de Vegeta,venceu Majin Boo numa das inúmeras batalhas que decidiu o destino da Terra. Alguns anos depois, após descobrir que a face maligna do vilão derrotado havia reencarnado na pele de um jovem humilde e extremamente forte chamado Oob, viu a chance em auxiliá-lo para que não pendesse para o lado negro das estradas da vida: haveria de treiná-lo, um pupilo a sua imagem e semelhança.
Com mais esse fardo pesado nas costas, que não podia negar: também refletia do seu egocentrismo particular de bem feitor universal. Saiu para longe de casa sem pensar duas vezes. Mais uma vez  treinaria o jovem aprendiz em seu próprio vilarejo, num pedaço de terra remoto no mundo onde só eles sabiam a localização ao certo.
Goku passou tempos incontáveis longe da família, largando-os à própria sorte sem ter notícias boas ou ruins, aparecendo vez ou outra quando se lembrava vagamente das obrigações patriarcas as quais nunca fora adepto,  numa via de mão única, já que só ele poderia ir visitá-los e nunca o contrário.
Mas esse tempo de distância havia acabado. Missão cumprida: terminara o Oob muito bem passando todos os seus conhecimentos e técnicas que o menino fora capaz de adotar.
Oob tornou-se um rapaz ávido e disciplinado, pronto para duelar com quem quer um que tentasse tirar a ordem natural de paz.
Moldara uma pessoa do bem. Entretanto, apesar de ter passado bons momentos com o garoto, ensinando-o truques marciais e se divertindo nas horas de descanso, firmando um laço verdadeiro de afeto entre os dois, queria mesmo era voltar para o seu canto.
 A lembrança dos sorrisos sinceros dos seus filhos, das mãozinhas rechonchudas de sua única neta ainda pequenina, do cheiro da comida quente lhe servida com tanto carinho e do gosto da pele doce dela. Sim, daquela mulher por vezes irritante, grossa e inquieta, mas de uma alma meiga transbordante de um amor voraz que só ele sabia domar o saturava a com a certeza de que era hora de voltar para casa. Já não era tão jovem, apesar da aparência. Já não era tão livre, apesar da necessidade.
Sentindo que não restava mais o que fazer naquele lugar, e que as ondas da saudade começavam a fazer redemoinhos em seu coração tirando-lhe o ar dos pulmões, tamanha a profundidade dos sentimentos. Goku sabia que finalmente estava na hora de voltar para seu lar.
Era uma manhã morna e sem nuvens no céu. De pé na relva, ele olhou a sua volta, estava tão calmo, reparou em cada casinha singela da aldeia onde Oob mora, lembrando-se da sua própria, pensamento longe. Colocou as mãos na cintura, suspirou o ar fresco do local, fechou os olhos com o vento leve a balançar os cabelos revoltos...
- Senhor Goku, já vai? – perguntou Oob olhando para cima.
- Sim Oob, chegou a minha hora – abriu os olhos ao garoto, passando a mão na cabeça dele, brincalhão.
– Venha me visitar de vez em quando, não se esqueça - o jovem olhou nos olhos do sayajin.
Goku, com o semblante meigo, apenas fez um gesto de sim com a cabeça em resposta: era hora de partir.
Respirou fundo. Acenou para o pupilo e levantou voo. O alvo cravado no ponto certo onde aterrissar na Montanha Paozu fixo na mente

E nos lábios, um sorrido carregado de promessas se formou.

Nenhum comentário:

Postar um comentário