Se
havia uma coisa que Goku fazia melhor do
que lutar, mesmo sendo o melhor combatente dentre os conhecidos, era nunca fugir
das suas obrigações com as artes marciais. Desde pequeno, abdicava de tudo e todos
para se dedicar a esse hobbie, que tornou-se mais que simples diversão. Um
estilo de vida, que o fazia respirar golpes precisos e disciplina exemplar nas
artes das lutas em busca de tornar-se um guerreiro imbatível como se fosse
oxigênio. Mais tarde, a descoberta de que pertencia a raça dos lendários
guerreiros sayajins e como bônus, a certeza da força descomunal e de que o
apetite indômito por guerras corria em suas veias, só o fazia ser destaque
dentre dos lutadores de sua geração. Com seu carisma e boas intenções ele tornou-se
um homem destemido, confiável e com mais obrigações para o além das batalhas: o
salvador da raça humana. E com este título conquistado com muita labuta e força
de vontade, veio grandes responsabilidades que naquela altura da sua jornada,
decidiu que precisava partilhar com mais alguém que não fosse seus amigos
queridos e já conhecidos companheiros de tormentas.
Com
a ajuda de Vegeta,venceu Majin Boo numa das inúmeras batalhas que decidiu o
destino da Terra. Alguns anos depois, após descobrir que a face maligna do
vilão derrotado havia reencarnado na pele de um jovem humilde e extremamente
forte chamado Oob, viu a chance em auxiliá-lo para que não pendesse para o lado
negro das estradas da vida: haveria de treiná-lo, um pupilo a sua imagem e
semelhança.
Com
mais esse fardo pesado nas costas, que não podia negar: também refletia do seu
egocentrismo particular de bem feitor universal. Saiu para longe de casa sem pensar
duas vezes. Mais uma vez treinaria o
jovem aprendiz em seu próprio vilarejo, num pedaço de terra remoto no mundo onde
só eles sabiam a localização ao certo.
Goku
passou tempos incontáveis longe da família, largando-os à própria sorte sem ter
notícias boas ou ruins, aparecendo vez ou outra quando se lembrava vagamente
das obrigações patriarcas as quais nunca fora adepto, numa via de mão única, já que só ele poderia
ir visitá-los e nunca o contrário.
Mas
esse tempo de distância havia acabado. Missão cumprida: terminara o Oob muito
bem passando todos os seus conhecimentos e técnicas que o menino fora capaz de
adotar.
Oob
tornou-se um rapaz ávido e disciplinado, pronto para duelar com quem quer um
que tentasse tirar a ordem natural de paz.
Moldara
uma pessoa do bem. Entretanto, apesar de ter passado bons momentos com o
garoto, ensinando-o truques marciais e se divertindo nas horas de descanso,
firmando um laço verdadeiro de afeto entre os dois, queria mesmo era voltar
para o seu canto.
A lembrança dos sorrisos sinceros dos seus
filhos, das mãozinhas rechonchudas de sua única neta ainda pequenina, do cheiro
da comida quente lhe servida com tanto carinho e do gosto da pele doce dela.
Sim, daquela mulher por vezes irritante, grossa e inquieta, mas de uma alma
meiga transbordante de um amor voraz que só ele sabia domar o saturava a com a
certeza de que era hora de voltar para casa. Já não era tão jovem, apesar da
aparência. Já não era tão livre, apesar da necessidade.
Sentindo
que não restava mais o que fazer naquele lugar, e que as ondas da saudade
começavam a fazer redemoinhos em seu coração tirando-lhe o ar dos pulmões, tamanha
a profundidade dos sentimentos. Goku sabia que finalmente estava na hora de
voltar para seu lar.
Era
uma manhã morna e sem nuvens no céu. De pé na relva, ele olhou a sua volta,
estava tão calmo, reparou em cada casinha singela da aldeia onde Oob mora,
lembrando-se da sua própria, pensamento longe. Colocou as mãos na cintura,
suspirou o ar fresco do local, fechou os olhos com o vento leve a balançar os
cabelos revoltos...
-
Senhor Goku, já vai? – perguntou Oob olhando para cima.
-
Sim Oob, chegou a minha hora – abriu os olhos ao garoto, passando a mão na
cabeça dele, brincalhão.
–
Venha me visitar de vez em quando, não se esqueça - o jovem olhou nos olhos do
sayajin.
Goku,
com o semblante meigo, apenas fez um gesto de sim com a cabeça em resposta: era
hora de partir.
Respirou
fundo. Acenou para o pupilo e levantou voo. O alvo cravado no ponto certo onde
aterrissar na Montanha Paozu fixo na mente
E
nos lábios, um sorrido carregado de promessas se formou.
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