sexta-feira, 18 de abril de 2014

Capitulo único.

                 Há treze anos surgiram uns seres terrivelmente poderosos que pouco a pouco foram tomando conta das cidades.
Ninguém sabe ao certo, mas nos noticiários mostraram que guerreiros poderosos tentaram impedi-los, mas foram mortos um a um como se fossem nada, como se fossem insetos.
Um a um foi perdendo a vida por tentar nos proteger, tentando acabar com aqueles seres terrivelmente fortes e monstruosos.  
Pouco a pouco fui vendo as pessoas fugindo, procurando abrigos, passando fome e sede.
Haviam pessoas sendo massacradas e mortas não somente pelos androides, mas também por ladrões que se aproveitavam da situação.
Cada uma delas procurando um beco qualquer para esconder daqueles seres impiedosos e sem coração que gostavam de matar, roubar e destruir só por diversão.
Até meu pai tentou lutar com eles, mas ele foi morto tão rapidamente que nem deu tempo de me despedir ou prestar alguma homenagem, pois quando fui ao local não restava nada do meu pai, nem as cinzas.
Apesar de todo o sofrimento, tudo que passei, eu tento viver um dia após o outro, na cidade, ou melhor, o que sobrou dela. Somente cacos de destruição. Mas nada.
 Agora eu vago a cidade em uma moto a procura de um supermercado para comprar os mantimentos, a procura de algo para que eu possa sobreviver nesse mundo vago e carregado de dor.
Minhas roupas velhas e com vários furos, minha moto estava mais para uma carcaça, minha velha casa com um dojo caindo aos pedaços, quase sem estrutura nenhuma.
O que foi que aconteceu?
Quando foi que o mundo ficou assim?
A sim, foi quando aqueles seres apareceram e tudo se perdeu.
Olho a paisagem e vejo prédios destruídos, casas caindo aos pedaços, crianças descalças procurando comida no lixo. Pessoas com medo, se escondendo, pessoas desesperadas sem esperanças.
O que será que vai acontecer de agora em diante?
"Não há paraíso".
"A vida é um inferno".
As pessoas apenas vivem o hoje e eu... Bom... Eu vago as ruas desertas a procura de uma esperança, a procura de sobreviver mais um dia no inferno em que vivemos, não só eu, mas também todas as pessoas que ainda restam por esse planeta.
Olho para os lados. Olho para o céu embaçado pela fumaça do fogo, as cinzas espalhadas pelo chão e ainda circunvagando com os meus olhos azuis vejo uma mão entre os escombros de uma parede qualquer.
Provavelmente mais um corpo sem vida sendo corroído pela podridão do tempo. Mesmo assim algo me chamou a atenção e mesmo meio temerosa, eu dirigi a minha moto até lá.
Parei próximo há mão, desci da moto e vi uma roupa meio alaranjada, ouvi gemidos quase inaudíveis. Percebi que ali tinha uma vida e mesmo sozinha comecei a tirar as pedras de cima do corpo.
Eu tinha força por ter treinado artes marciais com o meu pai, e mesmo com um pouco de dificuldades com as pedras maiores, eu consegui tirar todas de cima daquela pessoa. Depois consegui visualizar aquele jovem rapaz de cabelos curtos e negros, um corte no rosto, falava-lhe um braço, sua pele esfolada por todos os lados, a sua roupa rasgada e suja de poeira e sangue seco impregnado em algumas partes do tórax e do rosto.
Também havia algumas queloides feitas por ferimentos mais profundos já curados.
O olhei bem, apesar de tudo ele era bonito e forte. Sorri, era uma vida que precisava de mim, mas nem tinha como levá-lo ao hospital, os poucos que tinham estavam lotados de pessoas, muitas nem conseguiam uma vaga e acabavam morrendo.
Olhei a minha moto, era o único meio de transporte que eu tinha e tentei falar com ele.
- Consegue me ouvir? – perguntei o puxando com cuidado.
Ele abriu os olhos devagar, parecia tentar me enxergar, vi os olhos negros como a noite penetrarem os meus.
- Quem é... Você? – perguntou ele e viu que eu o peguei e o apoiei seu braço em volta dos meus ombros.
- Uma amiga – ajudava ele a se levantar devagar ouvindo gemidos de dor. – Consegue andar até a minha moto? – ele me olhou de canto de olho e fez um gesto de sim com a cabeça.
Ajudei-o a chegar à moto e a montar na mesma.
- Olha, eu sei que está machucado, mas eu não tenho outro meio de transporte,então consegue se segurar em mim?
Um gemido saiu de seus lábios.
- Vou considerar isso como um sim – eu peguei a mão dele e coloquei na minha cintura, o senti escorar a cabeça na minha costa. 
Fui dirigindo devagar e o ajudando a segurar-se em mim.
            "Imagine que não há paraíso"
            "É fácil se você tentar"
Cheguei a casa e o ajudei a descer da moto e o levei com cuidado para dentro. A casa estava caindo aos pedaços, mas era a que meu pai havia deixado para mim. Sim o grande mister Satã, o famoso campeão de artes marciais. Agora apenas um mito que nem é lembrado mais pelas suas façanhas ou pela tentativa de deter os androides.  
O peso do rapaz sobre meus ombros, sobre o meu franzino corpo, não aguentei o peso dele, tropecei e acabei caindo o levando comigo.
Outro gemido veio dele, seu corpo sobre o meu, seu peso sobre mim e o ouvi dizer:
- Eu sou muito... Pesado... – entre gemidos de dor ele tentou se levantar, mas em vão e com o esforço cuspiu um pouco de sangue.
Provavelmente estava com alguma fratura interna.
- Não se mexa. Eu consigo te levar até o quarto – disse fazendo força e o erguendo novamente apoiando em meu ombro o ajudando.
            "Nenhum inferno abaixo de nós"
            "Acima de nós apenas o céu"
Logo entramos no meu quarto e com dificuldades o joguei na minha cama. Ouvi outro gemido de dor e seus olhos se fecharam, sua respiração estava fraca e seus lábios abertos e secos.
Ele realmente estava muito fraco, parecia ter saído de uma luta muito difícil, parecia estar com fraturas, talvez nem sobrevivesse à noite, mas eu tinha a obrigação de dar apoio a alguém que estava enfermo, ainda mais na época que estamos vivendo agora.  
Busquei água e sabão para limpar as feridas dele, tirei toda a roupa o deixando só de sunga e conforme eu ia limpando ia sentindo o seus músculos torneados, a pele clara, os cabelos negros, o rosto de sofrimento e dor.
“Quem será ele? Será que tem família? Será que tem alguém por ai?”
Suspirei fundo e enfaixei as feridas e o cobri, pois ele tinha febre alta, soava enquanto dormia, às vezes remexia murmurando algumas palavras sem nexo.
Deixei-o ali na minha cama e fui ver se eu conseguia um médico, mas estava quase sem dinheiro algum e nos noticiários só davam sobre a destruição, superlotação nos hospitais e sobre como os abrigos estavam lotados.
Na rádio uma leve musica tocava ao fundo depois da noticias de ultima hora.
            "Imagine que não houvesse nenhum país"
            "Não é difícil imaginar"


Orei a Kami-sama que ele ficasse bem logo, pois ali na minha casa eu não tinha muito estrutura, mas era onde eu vivia, ou melhor, onde eu me refogava.
Tentei ir para um abrigo, mas era cheio demais, fétido de mais, tinha ratos, baratas, lixo, proliferação de doenças, estrupos, entre outros.
Voltei para meu doce lar, o que um dia fora do meu pai. Sabia que os androides não ia mais aparecer ali por aquela cidade, já que já não havia mais nada para eles destruir. A musica insistia em tocar na rádio que eu tinha deixado ligado em cima do meu criado mudo, ou melhor, o que sobrou dele.
            "Nenhum motivo para matar ou para morrer" 
            "E nem religião também"

.
Voltei para o quarto e passei quase a noite toda molhando a sua testa, tentando minimizar a sua febre.
Acabei adormecendo sentada na cadeira apoiando o meu corpo na beira da cama.
            "Imagine todas as pessoas"
            "Vivendo a vida em paz"
*****
'Finalmente abri os meus olhos, ainda sentia dor por todo o corpo.
Lutar com aqueles androides estava muito difícil, mas eu tinha que proteger o planeta que eu nasci e cresci.
Havia prometido para o meu pai em um silêncio mutuo  durante a minha primeira luta com os androides.
Havia prometido ao senhor Piccolo antes dele morrer na minha frente assassinado por aquelas latas ambulantes, como dizia Vegeta.
Ao lado um pequeno rádio de pilhas funcionava, passava uma música qualquer'.
            "Você pode dizer que sou um sonhador"
            "Mas eu não sou o único"
' Notei que ainda era noite, mas estava perdido nas horas.
As lembranças apareciam pouco a pouco na minha mente.  
Lembrei-me de como fui derrotado pelos androides e confesso que achei que ia morrer naquela luta. Circunvaguei os olhos pelo local tentando reconhecer, mas vi que era estranho, pois estava em uma cama coberto por uma coberta com estampas floridas, um cheiro feminino no ar que não era da mamãe.
Lembrei-me que alguém havia me ajudado e de alguma forma falou comigo, mas o rosto e a voz eram vagos em minha mente.
Olhei mais um pouco e a vi dormindo sentada na cadeira com metade do corpo sobre a cama. Senti um vento frio vir pelas frestas do teto da casa, me mexi, mas a dor veio, tentei não gemer para não acordá-la.
Seus cabelos negros espalhados pela beirada da cama, seu rosto branco como a neve, seus braços finos e delicados.
Lembrei-me daqueles olhos azuis me encarando quando ela me tirava dos escombros. Com certeza devia ser muito forte para ter conseguido me levar até ali.
Peguei uma das cobertas e joguei sobre ela sentindo certa dificuldade, pois a dor era muito forte, sentia o gosto do sangue na boca, sentia como se o meu corpo todo tivesse sido partido.
Dei um leve sorriso, afinal talvez por causa dela eu tinha sobrevivido a mais uma luta contra aqueles humanos artificiais, mas eu sentia que em breve eu iria me juntar ao meu pai.
Ajeitei-me com cuidado na cama, dando leves gemidos inaudível de dor e acabei dormindo novamente'.
****
            Senti a claridade vinda da janela, bater em meus olhos, flexionei as pálpebras dos mesmos, abri-os lentamente, senti algo sobre mim. Toquei o tecido e puxei para visualizar.
- Será que ele acordou e me cobriu? – me perguntei e fui me levantando e me situando onde eu estava.
            Percebi que era o meu quarto e que eu havia trazido um rapaz machucado pra minha casa e que agora eu olhava com o lençol na sua cintura, o único braço sobre o tórax e parecia ter morrido.
Aproximei-me dele e percebi que ele respirava um pouco mais suave e coloquei a mão em sua testa e percebi que a febre tinha baixado.
Pelo ao menos o seu semblante parecia um pouco melhor, me levantei em silêncio e fui para a cozinha preparar algo para comer.
Alguns minutos mais tarde eu voltei com uma bandeja com algumas poucas frutas, um copo de café, suco, leite, um pedaço de pão e queijo. Entrei no quarto e vi que ele já havia acordado.
- Bom dia!
- Bom dia, senhorita – ele me respondeu ainda com gemidos.
- Se sente melhor?
- Sim, mas ainda dói minha costa e meu abdômen – eu coloquei a bandeja sobre as pernas dele.
- É um milagre ter sobrevivido – eu sorri e me sentei à cadeira. – Foi um ataque daqueles humanos artificiais, não foi?
- Foi sim... – ele cerrou o punho e me olhou. – Eu agradeço por ter me ajudado, se não fosse você talvez eu teria morrido.
- Talvez seja destino eu estar passando por ali – eu coloque a cabeça sobre o punho e fiquei o olhando.
- Então qual o nome da minha heroína? – ele riu enquanto comiga uma fruta.
- Me chamo Videl e você?
- Son Gohan – ele deixou cair o pedaço da fruta.
- Eu ajudo você – me aproximei dele e sentei-me a beira da cama.
Comecei a ajudá-lo e vi que o rosto dele ficou meio rubro.
Sorri e achei muito fofo e disse:
- Não precisa ficar com vergonha – ajudei com o copo de leite.
- Foi você que limpou as minhas feridas e... – ele ficou mais rubro.
- Foi sim. Aliás, você tem um belo corpo, faz alguma coisa, tipo de exercício, academia, ou algo parecido? – dei uma piscadela a ele, mas com as bochechas um pouco rosada.
Ele virou o rosto e ficou pior que um pimentão.
Sorri, me levantei da cama e fui até o quarto velho que era do meu pai e peguei uma roupa dele. Deixei ali para que se algum dia eu precisasse e eu acho que acertei.
Voltei ao quarto e aproximei-me da cama.
- Eram do meu pai, mas acho que te serve – estendi as roupas em direção a ele.
Ele pegou a roupa sem olhar e pegou na minha mão, senti o toque quente e ele virou o rosto para mim e me encarou.
Ficamos nos olhando por um tempo.
Aqueles olhos negros e penetrantes, por mais que guardasse sofrimento e angustia neles, tinha um charme que me fez enrubescer.  Mas logo ele desviou e tirou a mão da minha. Senti como se tivesse tirado algo bom de mim.
- Obrigada – ele estava sem jeito. – Eu faço artes marciais, e... Bom... Onde é o seu banheiro? – perguntou olhando um ponto qualquer do quarto.
- Fica a sua esquerda, mas consegue ir sozinho? – eu estava preocupada com ele, mas não havia percebido a mancada que eu dei.
- Cla...ro! – ele mal me olhava de tanta vergonha.
Eu percebi que tinha deixado ele sem jeito e virei um pouco o meu rosto disfarçadamente.
- Fique a vontade Gohan a casa é sua – me levantei da cadeira e não olhei, pois também fiquei sem jeito.
- Obrigada – eu saí do quarto o deixando ali.
***
'Alguma coisa me chamou a atenção naquela garota, mas eu não poderia pensar nessas coisas eu tinha que deixar o Trunks pronto para ir ao passado, tinha que combater os androides, mas ser salvo por aquela garota tinha mexido comigo.
Fui me levantando lentamente, mas a dor veio e quando eu finalmente me ergui, cai no chão fazendo um tremendo barulho, Gemi alto e senti o sabor do sangue em minha boca.
Senti meus olhos ir se fechando pouco a pouco, senti a consciência se dispersando...'
***
Ao escutar um barulho vindo do meu quarto corri até lá e quando eu entrei, ele estava no chão gemendo em dor. Corri até ele e fui ajudando.
- Você está bem Gohan? – ele me ajudava a colocar na cama.
- Não... - o vi cuspir sangue novamente.
Não sabia o que fazer, não tinha dinheiro para um médico, não queria que ele morresse.
Corri e limpei o sangue rapidamente para melhorar e imobilizei as costelas dele com um pano.
- Melhor não se mexer muito – eu estava preocupada com ele. – Tem alguém da sua família que eu posso entrar em contato? – eu estava aflita.
Senti-o pegar a minha mão e me olhar.
- Eu vou ficar bem... Não se preocupe... – ele fechou os olhos e amoleceu as mãos.
Gritei e lagrimas saíram de meus olhos.
Por que eu estava com medo dele morrer?
Por que eu me sentia vazia ao pensar que não ia sentir o toque dele mais.
Por que sentia que o meu coração ia parar?
Ele era um rapaz qualquer que eu apenas o ajudei, então por que meus olhos saiam lagrimas de desespero?
Corri ao telefone e chamei um médico, mesmo sem dinheiro eu tinha que salvá-lo.
Logo o médico chegou e cuidou dele, cobrou o olho da cara, pois além de ser de difícil acesso, era arriscado andar pelas cidades, já que os humanos artificiais estavam sempre à procura de mais e mais destruição.
O médico me deixou lisa, literalmente lisa.
Meu futuro tinha ido embora com aquele médico, isso se eu tivesse um futuro...
            "Espero que um dia você se junte a nós"
            "E mundo será como um só"

Pelo ao menos ele foi tratado e o médico me disse que ele tinha que ficar em repouso.
Deixei-o ali e fui para a sala ver as noticias que eram sempre as mesmas:
Sobre os androides atacando algumas cidades mais distantes, matando pessoas, roubando, destruindo era todos os dias assim.
Nunca imaginei um mundo tão frio e carregado de maldades, nunca imaginei que onde vivíamos era o inferno.
Desliguei a televisão e fui para o quarto, liguei novamente o radinho de pilha e a musica continuava a tocar.
            "Imagine que não hã posses"
            "E me pergunto se você pode"

 Só me restava cuidar daquele rapaz, e mantê-lo vivo, e por alguma razão meu coração dizia que ele deveria viver.
Os dias iam se passando e nada dele acordar, a fome batia e eu... Bom eu fazia o que podia para alimentá-lo e me manter viva, afinal o que eu estava comendo eram resto e sobras de supermercados demolidos e destruídos.
Eu ainda continuava preocupada com o Gohan que não acordava, parecia que tinha morrido.
Entediada eu fui procurar alguma coisa que daria para ajudar, ou fazer para comer. Peguei minha velha moto, com um casaco velho e com alguns furos. Pilotava com cuidado e a procura de alguma coisa que desse para aproveitar.
****
'Pouco a pouco abri os meus olhos tentando me acostumar à claridade do ambiente, tentando enxergar onde eu estava.
Pouco a pouco vi o quarto, percebi que parecia que havia passado dias, talvez meses. Não sabia ao certo.
Com certeza mamãe, Bulma e Trunks deviam pensar que eu havia morrido, pois eu mesmo não sentia a minha própria energia, ainda estava fraco.
Olhei para os lados e vi o mesmo quarto, a mesma colcha florida, o mesmo perfume de mulher, só que agora mais fraco.
Vi um soro dependurado em um tripé sendo encaminhado até  uma de minhas veias.
Não sabia por que, mas sabia que aquela garota tinha me salvado de novo, de certa forma tirava a tristeza do meu coração, tirava as perdas que eu tive durante esse tempo, tirava a angustia e a ansiedade em lutar com aqueles androides. Sentia que com ela talvez eu pudesse ter uma família como o meu pai teve a dele.
Sacudi a cabeça tirando esses pensamentos, pois eu nunca poderia, tinha feito uma promessa. Uma não, duas promessa, uma ao meu pai e a outra ao senhor Piccolo.
Eu tinha que parar de sonhar, e tentar ter esperança de derrotar aquelas latas velhas. Sorri ao me lembrar do senhor Vegeta.
Escutei a porta se abrir e vi-a entrar no quarto com um sorriso lindo no rosto e com lagrimas nos olhos.
Correu até mim e me abraçou com carinho, retribui sem jeito, mas de alguma forma senti-me bem com ela ali ao meu lado'.
***
Não acreditava que ele tinha acordado, ele estava  bem, ao menos aos meus olhos.
Estava agarrada ao pescoço dele como uma criança que tinha um doce de tanta alegria, meus olhos escorriam algumas lágrimas ao vê-lo bem.
Afastei-me ainda abraçada a ele e disse:
- Como se sente Gohan? – eu olhava os olhos dele negros e cativantes.
- Eu me sinto bem melhor, mas quanto tempo eu fiquei desacordado? –ele perguntou e permaneceu com os olhos cravados no meu.
- Uma semana e meia.
***
'Assoviei e a encarava, não sei por que eu não conseguia tirar meus olhos daqueles olhos azuis, pareciam me dar a esperança, me dava  vontade de sonhar, sonhar e sonhar'.
- Achei que você não ia acordar mais.
'Sorri a ela e respondi animado, acho que não ia fazer diferença mesmo'.
- Claro que eu iria acordar, sou forte e resistente.
O sorriso bobo dele me cativou, não consegui resistir.
Ainda sentada na cama, abraçada a ele eu fui pouco a pouco aproximando dele, nossas respirações estava próximas e descompassadas.
Colei meus lábios no dele. Fui louca eu sei, mas era impossível resistir, também nos tempos que eu vivo era viver o hoje e pronto,m por que o dia seguinte podia estar morto.
'Senti os lábios dela no meu, me assustei um pouco, fiquei rubro, mas senti seu halito doce com gosto de hortelã, não sabia ao certo como fazer, mas movi meus lábios nos dela, fechei meus olhos e me deixei levar.
Poderia ser o meu primeiro e ultimo beijo, poderia ser a primeira e a única garota que eu poderia estar.
Eu poderia nunca mais a ver, ou tudo se acabar'.
"Sem nenhuma necessidade de ganância ou de fome"
"Uma irmandade dos homens"

Senti-me nas nuvens, senti as mãos dele em minha cintura tão tímidas e quietas.
Será que nunca tinha beijado uma garota, não sabia o certo, apesar de ser desajeitado tinha algo mais naquele beijo, era forte e másculo.
Afastei-me procurando ar e o olhei meio rubra e sem jeito.
Ele esta pior, mas me deu um sorriso. Levantei-me da cama e disse:
- Eu vou arrumar uma comidinha para gente se quiser pode tomar banho e vestir a roupa que eu lhe dei outro dia.
****
'Eu a vi saindo do quarto e com a maior cara de bobo eu levei alguns de meus dedos nos lábios. Sorri para mim mesmo e foi meu primeiro beijo com uma garota.
Com tantas lutas e confusões eu nunca tinha parado para namorar ou qualquer coisa próxima disso, mas ela tinha algo especial.
Apesar de meio desarruma, ela era linda e perfeita.
Ela era o paraíso, um sonho bem diante dos meus olhos.
Levantei-me devagar e já me sentia bem melhor, fui para o banho depois me troquei colocando aquelas roupas, afinal era as únicas que eu tinha. Sai do banheiro para o quarto deitei-me novamente a cama.
Eu tinha que avisar a mamãe a Bulma e o Trunks que eu estava bem.
****
Voltei ao quarto com uma bandeja velha e um mingau de aveia para ele.
Ele se serviu com uma vontade imensa e me pediu mais, depois mais, acabou que eu tive que trazer a ele a panela toda, apesar de não ser muito.
- Você come muito para uma pessoa normal - eu dei uma risadinha.
- Eu não sou... - parou de falar e me olhou.
- Tem alguma coisa que dá para avisar a minha mãe que eu estou bem?
- Sim - eu me levantei e peguei um aparelho velho de celular e dei a ele. - Aqui, é a única coisa que funciona nessa região.
Ele ligou e falou um tempo com a mãe dele, parecia uma pessoa legal, ele disse que ia ficar ali até melhorar, mas que era para ela pedir alguém para trazer algumas coisas para ele. Depois se despediu e desligou o telefone e me entregou.
- Obrigado - ele em agradeceu e deitou novamente vendo o soro cair em sua veia.
- Vou deixar você descansar... - eu me levantei da cadeira e ele pegou o meu braço.
- Fique! Senhorita Videl - senti os dedos dele sobre o meu punho.
- Está com medo de ficar sozinho? - eu zombei dele.
- Não... - ele ficou sem jeito, mas eu me sentei e fiquei acariciando a mão dele até ele dormir novamente.
"Imagine todas as pessoas"
"Vivendo o presente"
Mais tarde ouvi batidas na porta e fui abrir, logo que abri, vim um garoto de mais ou menos uns treze anos, cabelos lilás, olhos azuis e com uma camiseta da Corporação Cápsula.
- O Gohan está aqui?
- Sim, quem é você? - perguntei a ele tentando saber.
- Sou Trunks, filho da Bulma Briefs. - ele me olhou. - Já deve ter ouvido falar dela.
- Sim, eu já ouvi, mas...
Ele passou por mim, sem ao menos deixar eu terminar de falar e achou o quarto onde Gohan estava.
Acompanhei-o, mas quando eu ia entrar vi os dois conversando animadamente e resolvi não entrar no quarto.
****
Trunks me acordou e ficou muito feliz em me ver.
Sorri a ele o abraçando alegremente.
- Como está a mamãe e Bulma?
- Elas estão ótimas, mas quase morreram de preocupação.
- Imagino - ele olhou. - Trouxe o que eu pedi?
- Sim, mas o mestre Karin disse que essa é a ultima - ele colocou a sementinha verde na minha mão e eu comi.
Me senti ótimo.
- Vai voltar comigo?
- Ainda não - ele olhou para a porta meio rubro. - Me de a cápsula.
O garoto me entregou a capsula a mim e eu disse:
- Pode ir Trunks, mais tarde nos falamos.
Ele apenas me olhou e saiu voando pela janela ali mesmo, ou o que sobrou dela.
"Você pode dizer que eu sou um sonhador"
"Mas eu não sou o único"
***
Ele já ia sair do meu quarto quando eu entrei.
- Nossa você está ótimo, o que aconteceu? - perguntei curiosa.
- Sim, estou - ele sorriu e caminhou até mim. - Só um remedio que faz efeito mais rápido - ele aproximou mais de mim. - Tenho algo para lhe contar, Videl.
Eu olhei em seus olhos e me sentei à cama, e ele se sentou ao meu lado, colocou as mãos no meu rosto e já ia começar a me dizer, quando aqueles olhos, aquela respiração tão próxima da minha...
 Não resisti e o beijei, o provoquei de todas as formas possíveis e ele amou cada minuto comigo. Ficamos naquela cama que era minha, ficamos até cansarmos, pois era arriscado não haver amanhã, era arriscado não termos um futuro e após nos amarmos, nos entregar ao desejo mutuo até altas horas da madrugada, adormecemos um nos braços do outro.
"Imagine todas as pessoas"
"Vivendo em paz"
****
Acordei e senti ela sobre o meu tórax nu, acariciei os seus cabelos lentamente e suspirei. Tinha sido um momento único para mim.
Eu nunca tinha feito algo assim com uma garota, apesar de o meu pai me explicar do jeito dele como era um relacionamento e o sexo com uma garota, apesar de não entender muito naquela idade, ele tinha um jeito divertido de explicar e agora eu sei como é mágico.
Mas eu tinha que treinar o Trunks, tinha que prepará-lo para ele ir ao passado, tentar mudar o nosso presente e nos dar um futuro melhor.
Tirei a Videl cuidadosamente de cima de mim para não acordá-la, me vesti, procurei algo para deixar um recado, encontrei um caderno velho e escrevi a ela.
Saí prometendo a mim mesmo que eu iria voltar para ela.
"Imagine que não ha posse"
"Eu me pergunto se você pode"
****
Acordei e ele não estava lá, mas eu estava satisfeita, pelo ao menos iria guardar o cheiro dele na minha cama, sabia que isso poderia acontecer, sabia que seria só um momento, mas valeu a pena.
Levantei-me, me vesti e vi um pedaço de papel em cima de uma mesinha velha onde estava o radinho de pilha.
Abri o papel e li:
"Videl, tive que ir, tenho uma missão em minhas mãos, mas prometo voltar assim que der, quando as coisas se acalmarem um pouco eu lhe conto tudo, prometo.
Você é a minha heroína e me fez um homem, pois você foi à primeira mulher que eu beijei e fiz sexo e será a única que ficara em meus braços.
Eu volto não se preocupe.
Beijos de Son Gohan".
Terminei de ler com um sorriso enorme nos lábios, ele era virgem, em todos os sentidos, sem falar que era lindo e tinha aqueles olhos que me chamou tanto a atenção.
Guardei aquele bilhete com muito carinho e o tempo sempre passava.
Gohan sempre vinha me ver, passava a noite comigo e saia cedo antes de eu acordar, já tinha me acostumado com essa rotina, mas um dia ele não voltou, passou dois meses e ele não voltou.
Meu ventre começou a aparecer, já sabia que estava grávida há quase dois meses. Eu queria dar a noticia ao Gohan, mas nada dele aparecer.
Ele nunca ficará tanto tempo distante assim.
Foi quando vi Trunks aproximar-se voando, me assustei, pois o tempo que eu tinha com o Gohan, eu aproveitava ao máximo, mas ele não me disse nada sobre ele.
- Videl...! - disse ele pousando em minha frente, pois eu esperava na porta de casa o meu Gohan.
- Aconteceu alguma coisa com o Gohan?
- Sim...
- Então diz logo - meus olhos já escorriam água e o garoto também chorava.
- Ele foi combater os androides e acabou morrendo - ele não conseguia me olhar, fitava o chão junto aos seus pés.
- Por que ele foi? Ele sabia que nunca ganharia deles. - eu estava desesperada e lágrimas escorriam sem parar. - Um humano não pode com aquelas coisas - eu passei a mão no meu ventre involuntarimente e Trunks percebeu.
- Não somos humanos comuns, Videl, mas não conseguimos deter aquelas coisas - ele cerrou o punho e me encarou.
- Como assim? - perguntei limpando meus olhos.
- Gohan não te contou?
- Não, alias nem dava tempo de conversarmos direito.
- Então vou lhe dizer - ele também secou as suas lagrimas.
- Entre, vamos conversar lá dentro.
Ele entrou e eu lhe servi um chá, então ele me contou quem eles eram de onde os pais deles vieram e como eram poderosos e mesmo assim não puderam acabar com aquelas máquinas.
Ele me contou como Gohan o treinava e como o seu mestre sabia que ele era a única esperança para mudarmos o futuro.
Contou da maquina do tempo que a sua mãe estava construindo, mas que ia demorar em ficar pronta.
E depois de tudo virou para mim e disse:
- Eu vou falar com a tia Chichi e com a mamãe sobre o bebê, para vermos o que podemos ajudar você.
- Como sabe? - perguntei o vendo levar uma xícara de chá em sua boca.
- Pelo poder de luta que sinto e pelo gesto involuntário que você fez há minutos atrás.
- Eu queria contar a ele - passei a mão no meu ventre de novo, mostrando o precioso tesouro que o Gohan havia deixado para mim.
- Tenho certeza que ele iria ficar muito feliz - deu um leve sorriso. - Vamos, vou te levar para minha casa, lá estará mais segura e esse bebê pode nos ajudar no futuro.
Trunks me pegou no colo e saiu voando comigo no colo.
Nunca imaginei uma vida diferente, nunca imaginei um filho, em um futuro incerto. Nunca imaginei sendo ajudada por Bulma Briefs, nunca imaginei que meu filho ou filha já tinha uma missão em suas mãos, nunca imaginei que um dia tudo isso pudesse mudar.
Quero apenas acreditar que ainda há esperança para nós.
Quero acreditar que o futuro vai mudar.
Espero que um dia você junte-se a nós
E o mundo será um só.
Imagino que todas as pessoas
 Possa viver em paz
Passei a mão no meu ventre avantajado, olhando o céu estrelado na esperança de um futuro melhor para minha filha...
Fim.


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