domingo, 21 de setembro de 2014

Enterro

Goku entrou em seu quarto a frente e Vegeta entrou em seguida e viu o amigo passar a mão no canto da boca mais uma vez.
- Por que fez isso? - perguntou limpando a mão e o olhando.
- Para fazer você voltar à realidade - disse o encarando seriamente, frente a frente com ele.
- Ela estava parecendo uma princesa... Queria muito que ela acordasse com um beijo meu... - ele sentou-se a cama e abaixou a cabeça.
- Kakarotto, você tem que ser mais forte que tudo com essa perda, pois nossa raça é diferente em muitas coisas e bem eu sei que você supera - ele viu o encarar com os olhos cheios de lágrimas, mas percebeu que o seu amigo rival queria ajudar, mas não resistiu e perguntou?
- Se fosse a Bulma, o que você faria?- ergueu os olhos vermelhos para ele procurando uma resposta.
Vegeta arregalou os olhos e tentou disfarçar o nervosismo que lhe alçou.
- Não diga asneiras, verme insolente. - ele cruzou os braços e fechou o cenho o encarando.
- Não estou dizendo asneiras Vegeta. Eu também achei que a Chichi fosse ficar comigo por muito tempo... -cerrou os punhos e deixou algumas lágrimas sair. - Pense bem Vegeta, Bulma é uma terráquea frágil como a Chichi, então ela também pode ter alguma doença.
- Sua mulher morreu por aquele primo do Freeza lançou alguma feitiço nela, ou sei lá o que ele fez, portanto não confunda as coisas Kakarotto - ele ficou muito nervoso e com uma carranca imensa.
Goku suspirou olhou todo o quarto se sentiu tão solitário que resolveu descer e passar os últimos minutos ao lado de sua esposa.
- Kakarroto eu estou falando com você, verme insolente! - Vegeta gritou em plenos pulmões, mas Goku nem deu moral, continuou o seu caminho.
-A Bulma... Vai... Ficar comigo para sempre - ele socou a parede com raiva que a trincou e uma lágrima escorreu de seu olho. - A Bulma sabe muito sobre ciência, ela pode até se curar caso fique doente - Vegeta queria acreditar muito naquelas palavras, mas ele sabia que Bulma era tão humana quanto a cafona, e as palavras de seu rival e amigo, mexeu muito com ele, pois sabia que o que aconteceu com a mulher do verme insolente poderia acontecer com a Bulma, mas preferiu deixar isso de lado por enquanto e desceu as escadas para ver o que estava acontecendo.
****
Todos os amigos de Goku dava uma força ao amigo enquanto o mesmo ficou sentado em volta do caixão passando a mão no rosto de sua esposa enquanto a olhava com os olhos foscos e também sem vida, sentiu uma mão lhe tocar no ombro e olhou para ver quem era.
- Pai, não vai comer nada? - Gohan viu a sua esposa aproximar com uma vasilha de bolo perto do sayajin.
Apesar de ter passado muitas horas acordado, ao lado da mulher sem vida, já era madrugada e alguns já tinha ido para casa e voltariam para o enterro, mas Kuririn, Piccolo, Tenchinhan, Chaos, Yamcha, Bulma e Vegeta permaneciam ali.
- Não Gohan, eu estou sem fome - disse com a voz sem vida.
Videl estranhou o fato, o sayajin devia estar muito mal mesmo.
- Gohan vou ver se as meninas continuam dormindo lá em casa mais tarde eu volto com a Pan e a Bra.
- Ok - ele deu um beijo em sua testa e a viu sair.
Goten cochilava no sofá, apesar de triste não conseguira permanecer acordado a noite toda, Trunks também cochilava no carpete perto do sofá onde Goten dormia.
****
A manhã na montanha Paozu surgiu com nuvens negras e pesadas encobriam o céu,  alguns trovões e relâmpagos, dando sinal de que ia chover. Era como se o dia estivesse querendo chorar pela perda da esposa do guerreiro mais forte do universo.
Não demora muito e os pingos de chuva começam a molhar o solo verde da montanha Paozu, a molhar as folhas das árvores, os pequenos lagos começaram a se mover com as gotas grossas era como se tudo ali tivesse chorando.
Todos estavam reunidos na casa dos Sons novamente dando apoio aos dois híbridos e ao seu amigo de infância para a maioria deles.
- Pai! - chamou Gohan olhando o mesmo ainda sobre o caixão acariciando a pele da sua esposa que estava gélida e sem vida.
O sayajin olhou o filho com o olhar fosco.
- Está na hora de fechar o caixão e irmos ao enterro - ele deixou algumas lágrimas escorrer em seu rosto.
Goku apenas fica encarando o filho e sem se mover, seus olhos foscos e perdidos, até que Goten se aproximou e disse:
- Vem pai, está na hora... - ele não conseguiu deixar de chorar ao ver o pai naquele estado.
O puxou lentamente ajudando ele junto com Gohan enquanto Tenshinhan e Piccolo cobriram o caixão com a tampa e os dois saíram carregando o caixão pela porta até chegar ao carro da funerária, os demais pegou as suas cápsulas carros e naves e saíram atrás em um comboio, em um silêncio que só os pingos de chuvas eram capaz de quebrar.
Logo chegaram ao cemitério  todos abriram o seu guarda-chuva tampando dos pingos agora um pouco mais suaves.
Kuririn, Gohan, Tenshinhan e Piccolo tiraram o caixão de dentro do carro e foram carregando lentamente. Goku aproximou de Tenshinhan  pegou a alça que ele segurava. O amigo entendeu que o sayajin de sangue puro queria, então colocou a mão no ombro dele e deixou segurar.
Eles foram andando até a cova com o caixão em mãos e os demais acompanhando aquele momento triste. Goku, Piccolo, Kuririn e Gohan puseram o caixão sobre uma espécie de base que ia descer a sete palmos da terra.
Goku tocou sobre o caixão a ultima vez, enquanto que cada um foi fazendo a sua própria homenagem. Por ultimo Dendê disse algumas palavras e fez um pedido especial a Emmadayo para que Chichi fique com o seu corpo e em um lugar muito bonito e com lágrimas nos olhos o namekuseijim virou para Goku e disse:
- Me perdoe amigo, eu não pude fazer nada para impedir - abraçou Goku e o mesmo apenas retribuiu de uma forma terna.
Após soltar namekuseijin, o caixão começou a descer e a clarineta soava triste ao fundo até que o mesmo sumiu das vistas de todos que estavam ali presente.
Pan se aproximou de seu avô e abraçou as suas pernas.
Goku sentiu o calor de sua neta e olhou para baixo, abaixou e a pegou no colo.
Pan viu que seu avô estava muito triste e que não era o mesmo que ela conhecera.
- Vovô, a mamãe me disse que o senhor Emmadayo vai cuidar bem da vovó pela gente - ela passa a mão no rosto dele.
- Eu sei Pan... - ele fica olhando para o ponto onde Chichi havia sido enterrada e sente uma mão em seu ombro.
- Vamos para casa pai - Gohan queria dizer alguma coisa, mas tinha um no na garganta.
- Podem ir na frente - ele estendeu Pan ao jovem rapaz. - Vá com o seu pai Pan...
- Pai não pode ficar ai - Goten já ia se aproximar, mas Gohan o impediu.
- Deixe-o Goten - puxou o garoto e viu Bulma se aproximar.
Só sentiu a mulher abraçar ele com força, mas ele nem se móvel. Ela o soltou e o deixou ali.
- Força, amigo! - Kuririn tocou o ombro dele, mas nada amenizada a sua dor.
Todos tentaram confortar, menos Vegeta que saiu voando deixando Bulma e seus filhos para trás.
Goku finalmente ficou sozinho embaixo do pequeno chuvisqueiro que ainda insistiam cair do céu. Abaixou-se sobre o túmulo, pegou um pouco de terra nas mãos e gritou o mais alto que pode. Suas lágrimas escorreram pelos olhos e ele finalmente notou que sua amada tinha ido para o outro mundo, ele finalmente acreditou que era tudo verdade e que não teria mais o corpo quente dela ao lado do dele. Socou a terra algumas vezes e tinha  vontade de explodir a Terra toda, mas seria egoísmo de mais. Suspirou fundo e sentiu alguém ao seu lado.
Ele colocou a mão no seu ombro e abaixou na altura dele. Goku estava de joelhos no chão de frente com a lápide e olhou para o lado sabendo quem exatamente era.
- Senhor Goku, eu sinto muito, mas o senhor tem que ter forças para superar isso.  Kibitishin tentava amenizar o sofrimento do amigo. - Eu já pedi ao senhor  Emmadayo para permitir que a sua esposa fique com o corpo físico no outro mundo.
Goku olhou para ele e ergueu a sobrancelha e seu rosto estava molhado pelas lagrimas e pelo chuvisqueiro.
- Eu vou poder vê-la Kibitoshin? - perguntou pensando que poderia se teleportar para o outro mundo e a ver quantas vezes ele quisesse.
- Sabe que não Goku, ela não pertence mais a esse mundo.
- Só um pouquinho então - seus olhos brilhantes e com jeito de cachorro pidão.
- Eu vou falar com o senhor Emmadayo e depois te procuro.
Goku suspirou olhando para o ser supremo e disse:
- Obrigada Kibitoshin... - Goku se sentiu um pouco mais feliz e viu o seu amigo sumir da sua frente.
Goku chega à sua casa e sentiu o cheiro da sua esposa espalhado pela casa, viu o fogão vazio e limpo, sem panelas e sem cheiro de comida. Olhou todos os lados  como se procurasse ela, mas nada, suspirou fundo e viu um vasilhame, lembrou que era o bolo que o Gohan havia oferecido, abriu e comeu alguns pedaços, suspirou fundo e circunvagou os olhos pela cozinha, sentiu os olhos molharem novamente.
- Chichi...! - subiu as escadas, entrou no banheiro, tomou um banho tentando relaxar, mas era impossível ainda mais com a falta de sua esposa.  Vestiu o calção e ficou só com ele, olhou o relógio e viu que já passava da hora do almoço.
Ele ainda estava sem fome, mesmo com aqueles pedaços de bolo, Goku já estaria com fome novamente, mas o sayajin não estava muito disposto, viu o vestido que ele deixou em cima da cama, foi até ele, sentou-se a cama, passou a mão no tecido de ceda, abraçou forte e colou as suas narinas no mesmo.
- Eu fiquei tanto tempo longe de você, pois na minha mente eu sabia que quando eu voltasse você estaria me esperando, mas agora eu te perdi e para sempre... Nunca pensei que isso aconteceria - derramou lágrimas sobre o vestido, enquanto tentava achar o corpo morno e branco de sua esposa, para poder rasgar e desejá-la, amá-la como ele sempre fazia, mas agora não havia mais jeito, agora ele só tinha o cheiro dela que só piorava a sua consciência.
Adormeceu com o vestido em seus braços fortes, junto ao travesseiro, seu rosto úmido e tranquilo.
Um pouco mais tarde Goten chega da casa de seu irmão e sente o ki calmo de seu pai, sobe as escadas e bate a porta do quarto.
- Pai! - a porta abre bem devagar e Goten consegue ver o seu pai só de calção, abraçado com o vestido de sua mãe. Sorri e entra vagarosamente no quarto, vê o rosto dele marcado com as lagrimas e se senti triste, e meio mal por ter dito palavras duras a ele antes da morte de sua mãe.
  Senta-se a cama e passa as mãos delicadamente nos cabelos que desafiam a gravidade, seu sono é tão profundo que ele só se mexe um pouco e balbucia.
- Chi... - da um sorriso involuntário.
Goten sorri e pensa: "Ele deve estar sonhando com a mamãe". Suspirou fundo e deitou-se ao lado dele se sentindo inútil, pois agora percebera que o seu pai amava de verdade a sua mãe, e que se ele foi do jeito que foi, era para proteger eles dos perigos que sempre vinham para alarmar os habitantes da Terra e se não fosse por ele e seus amigos, talvez eles agora nem estivessem ali.
Goten acabou adormecendo do lado do pai, pois o cansaço era imenso, pois passou a noite toda quase acordado, havia cochilado só de manhã e nem foi muito.
***
Algumas horas se passaram e Goku começou a sonhar.
"Ele viu a sua esposa no quarto enquanto adentra vagarosamente e a abraça por trás, funga no pescoço dela á fazendo sorrir.
- Meu gorilinha fofo, hoje eu estou meio indisposta.
- Não diga isso Chi - tinha mais de um ano de casados.
Ele a virou de uma vez para si e começou a beijar-lhe o pescoço".
Goten sentiu  algo estranho, um calor em seu cangote, meio úmido, ele olhou, se levantou rapidamente e olhou o pai meio sonâmbulo vir atrás dele.
Suspirou fundo ia ter que acordar o pai.
- Pai! - ele o empurrou, mas não adiantou.
O homem vinha em sua direção, achando que era a sua mãe.
- Vem aqui Chi, por que foge de mim, hum - ele ia para abraçar a mulher, mas viu ela lhe dar uma joelhada no meio das pernas.
- Aooooo! - ele levou as mãos no meio das pernas e abriu os olhos, arregalando eles e viu Goten a sua frente.
- Droga pai! Mal a mamãe morreu e eu vou ter que arrumar uma mulher para o senhor - ele falou bravo.
Goku olhou o filho com as mãos em meio as pernas, deitado no chão e uma lagrima saiu de seus olhos.
- Desculpe Goten... Eu não sabia que estava ai, nem que era você... Eu estava em um sonho bom... - Goten se aproximou do pai, estendeu a mão a ele para ajudar a se levantar.
- Eu que peço pai - Goku levantou sentido dor, mas um pouco mais leve. - Se fosse em outra ocasião aposto que isso nem teria acontecido.
- Talvez não - ele se sentou na cama e seu filho ao seu lado.
Goku suspirou fundo, passou a mão no rosto e disse:
- Você tinha razão...
Goten esperou o seu pai continuar a dizer...




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