Goku
viu sua esposa sobre uma maca toda coberta em um lençol branco. Ele caminhou
passos lentos até o local, parou diante da maca, inseguro e pela primeira vez
ele sentiu medo, mas tomou coragem e puxou o lençol para baixo o dobrando
delicadamente, mostrando o rosto acetinado, marcados pelo tempo.
Ela
parecia estar dormindo, mas ele sabia que ali não havia vestígio de vida. Tocou
a pele do rosto dela e a sentiu meio morna.
-
Chi... - ele abaixou e tocou os seus lábios no dela, mas eles não se moveram e
pouco a pouco a sua pele ia esfriando lentamente.
Goku
tocou os seus cabelos curtos e sentiu mais lágrimas escorrer.
Secou
com os seus dedos e saiu dali a deixado e foi até onde Bulma estava.
Logo
chegou com o seu tele transporte e viu que a garota já tinha encontrado uma das
esferas.
- Me
de o outro radar - ele estava determinado a tentar, mesmo que não teria chance
nenhuma.
Bulma
lhe entregou e ele saiu voando o mais rápido que pode enquanto os demais também
procuravam.
Não
demorou muito e as sete esferas estavam reunidas, piscando em um brilho amarelo
dourado como se uma chamasse a outra, com a ressonância da magia que existia
dentro delas.
Goku
tentava se animar, mas sabia que talvez o seu desejo não se realizaria, pois
sabia que aquele ser fez algo que a morte da Chichi fosse natural e o dragão
não realizaria o seu desejo nesse caso, mas tinha um resquício de esperança no
fundo do seu coração.
-
Saia daí Shenlong e realize o meu desejo. – ele bradou.
O céu começou a escurecer, as esferas começaram a brilhar
intensamente, raios cruzavam o céu, e de repente subiu um foco único de luz em
direção ao mesmo e foi se formando um imenso dragão gigante, com olhos
vermelhos penetrantes, o corpo comprido fazendo curvas e mais curvas sobre si
mesmo.- Diga-me qual é o seu desejo? – a voz esplendorosa ressoou.
-
Desejo que a Chichi reviva - Goku tinha esperanças de que o deus Dragão pudesse
ressuscitá-la.
-
Não posso atender esse pedido, por que essa pessoa morreu naturalmente.
Goku
abaixou a cabeça e segurou o choro.
- As
esferas de Namekusei podem? -tinha esperanças, queria que ela voltasse de
qualquer maneira.
-
Não ressuscitamos pessoas que morrem naturalmente - o ser estava parado os
olhando. - Algum outro desejo?
- Aquele
ser jogou alguma coisa nela e ela morreu...
-
Lamento, mas ele colocou uma espécie de magia que a matou naturalmente, então
não posso fazer nada a respeito.
- Não...
Isso não pode acontecer - Goku começou a
caminhar lentamente, mas logo em seguida decolou.
- Eu
disse que não tinha esperanças - Vegeta encarou a esposa e o filho.
- O
tio Goku não merecia isso - Trunks comentou olhando o lugar vago.
Vegeta
e Bulma ficaram calados, acharam melhor voltar para casa e se preparar para o
enterro.
O
dragão viu que nenhum desejo ia acontecer e se desfez espalhando as esferas
pelo mundo novamente.
*****
Goku
entrou pela porta e suspirou fundo olhando para todos os lados e não vendo quem
ele sempre via.
-
Pai! - Goten apareceu correndo ao sentir o ki do sayajin de sangue puro assim
que se aproximou da casa. - E ai conseguiu ressuscitar a mamãe? - ele estava
ansioso, mas Goku o olhou, seus olhos sem brilho, com lagrimas começando a se
formar e ele tentando não demonstrar.
-
Não Goten... Shenlong disse que ela morreu de morte natural... Sabe que assim
ele não ressuscita. - Goku cerrou os punhos e viu o filho lhe abraçar com
força.
Deu
um leve sorriso sem graça e sentiu as lágrimas dos filhos escorrer sobre o
tecido laranja do sua roupa.
Goku
abraça o filho de forma terna, tentava ser forte o suficiente, mas não sabia se
conseguiria, pois ela era o seu suporte, a razão por se tonar o herói de todos os tempos, a razão por ele
sempre fazer as coisas do jeito dele tentando protegê-los, mas agora ela se foi
e para nunca mais voltar.
Agora
ele viu que fora egoísta e se dedicara de mais as lutas, ao seu egocentrismo, e
a sua forma desenfreada de ser.
Ele
não conteve suas lagrimas e ainda abraçado ao seu filho disse com a voz
embargada.
-
Eu... Nem tive tempo de pedir perdão... - Goten soltou o pai e o encarou e viu
o seu pai com lágrimas nos olhos.
O
hibrido sabia do que seu pai estava falando então se soltou dele e deu um
sozinho entre as lágrimas, quando viu Gohan entrar pela porta, jogar a chave
sobre a mesa e se jogar no sofá, suspirou fundo e os olhou, viu o quanto eles
estavam abatidos.
-
Logo o corpo da mamãe vai chegar...
- Já
avisou a Videl e a Pan? - perguntou Goku com a voz embargada.
- Já
sim pai - ele ergueu os olhos e viu que até àquela hora não tinha nada de
comer. - Não estão com fome? - perguntou o mais velho dos híbridos.
-
Não... Eu vou descansar um pouco, me avise quando o corpo chegar.
Goku
subiu as escadas enquanto o seus filhos o olhavam.
- Eu
nunca vi o papai assim - comentou Gohan passando a mão nos olhos.
-
Ele disse que nem teve tempo de pedir perdão a ela... - Goten se jogou no sofá
com os olhos vermelhos e encarou o irmão.
Gohan
suspirou fundo e olhou tudo em volta.
-
Será duro mais duro para ele do que para nós...
Goten
nada respondeu, apenas encostou a cabeça no sofá e ficou fitando teto.
****
Goku
abre a porta do quarto lentamente e vê a
cômoda cheia de porta retratos, batons de tons leves, algumas bijuterias
delicadas e discretas espalhadas sobre a mesa, ao lado da mesma um cesto com
algumas roupas sujas. Goku virou-se para o guarda-roupa branco com o local de
abrir prateado, abriu uma das portas e viu os vestidos típicos chineses de sua
esposa dependurado lado a lado, pegou um e abraçou, sentiu o cheiro dela nele.
Aquele cheiro de avelã com mel e aquele ar de mistério que ele sempre descobriu
entre aquelas quatro paredes.
-
Chi... Como você conseguiu ficar aqui... Sem mim - foi até a cama, deitou com o
vestido em mãos e chorou começando a se culpar de seu jeito de ser.
*****
As
horas se passaram e logo o corpo de Chichi chegou à residência dos Sons. Ela
estava em um caixão branco, com uns detalhes prata, em volta dela havia flores
coloridas suas mãos sobre o seu abdômen
unido sobre a mesmo, em volta do caixão alguma coroa de flores.
Alguns
dos guerreiros z já estavam ali para dar uma força à família. O ar estava
pesado e tenso.
-
Goten vá avisar o papai que o corpo já chegou - Gohan disse passando a mão no
olho e olhando a mãe.
- Tá
- Goten saiu cabisbaixo e foi até o quarto do casal, bateu a porta, mas seu pai
não abriu.
-
Pai! - ele bateu de novo e nada. - Pai, estou entrando - mexeu na maçaneta e
girou, a porta se abriu e ele viu o seu pai abraçado com um vestido de sua mãe e
com os olhos fechados e a umidade em seu rosto.
"Posso
não ser o marido que a sua mãe sempre quis e ser tudo o que ela disse, mas eu a
amo".
Nesse
momento Goten viu o quanto o seu pai amava a sua mãe, mesmo com todos os
defeitos do mundo, ele a amava.
-
Pai! - ele tocou o braço do homem de uma forma carinhosa, para que ele pudesse
acordar.
-
Hum - Goku abriu lentamente os olhos que estavam um pouco inchados, encarou o
filho, achando que tinha tido um pesadelo.
-
Onde está a sua mãe! - ele olhou o vestido sobre a cama.
- Lá
em baixo, em um caixão... - Goku engoliu seco, não era um sonho ruim, era tudo
verdade, era realmente tudo verdade.
Seus
olhos desfocaram e ele levantaram automaticamente e começou a caminhar em
direção a sala, queria ver com o seus olhos, não ele queria acordar daquele
pesadelo que era real de mais, ele realmente estava sem chão, sem uma escora,
sem a sua companheira.
-
Pai, senhor vai ficar bem? - Goten olhou
o seu pai saindo pela porta do quarto como se fosse um zumbi.
Suspirou
fundo e olhou o vestido ainda sobre a cama.
- De
forças a ele mãe, ai do outro mundo -
ele deixou algumas lágrimas cair e saiu atrás do pai.
Goku
chegou à sala e sentiu alguém lhe abraçar.
-
Meus sentimentos meu amigo - Kuririn tinha lágrimas nos olhos, queria dar uma
força ao amigo nesse momento, mas não sabia como.
Goku
olhou para o pequeno homem e apenas o desviou do seu caminho.
Kuririn
notou algo errado com o seu amigo e o viu puxar um banco e sentar-se ao lado da
esposa.
Passou
a mão no rosto pálido e gélido dela.
Mesmo
sentindo a pele rígida e fria, ele pensou que ela pudesse estar dormindo, já
que parecia um anjo deitada naquele caixão, ou talvez uma princesa de contos de
fadas só esperando um beijo do príncipe encantando para poder acordar.
Sim,
por que não tentar, não custava nada, pois quem sabe ela não acordaria e
pularia dali em seus braços, como sempre fizera quando ele voltava do seu
heroísmo constante, ou quem sabe com as suas broncas irritantes quando ele
entrava pela janela.
Abaixou
o rosto diante do caixão e colocou os seus lábios, mas os mesmo estavam frios,
sem cor, sem sabor e sem movimento nenhum.
Goku
olhou para ela esperando um sinal qualquer, uma sombra do seu mal humor, ou um
resquício de brigas, ou sua implicância constante com os seus treinos só para
testar a paciência dele que nunca se abalava, pois gostava dela do jeito que
ela era.
-
Chi...! Fala comigo Chichi! - ele passou a mão no rosto novamente e encarou a
face da mulher. Sacudiu os ombros a chamando e começou a se desesperar. -
CHI... ACORDA... CHI! - Goten e Gohan correram lá para dar um apoio, assim como
Kuririn também fora. Lágrimas escorriam de seus rostos.
-
Pai! Para - Gohan tentava tirar o pai de perto do corpo de sua mãe, com a ajuda
de Goten, pois o mesmo estava muito descontrolado, mas os dois híbridos não
estavam conseguindo.
Goku
chorava, a beijava e pedia ela para acordar, foi quando Bulma entrou junto com
Vegeta, Trunks e Bra, vendo a cena começou a chorar e disse:
-
Vegeta ajuda, por favor.
-
Não sou babá de sentimentalistas e vermes insolentes - ele cruzou os braços e
começou a caminhar lentamente.
-
Chi acorda... Por favor - ele deu mais um beijo, mas nada.
-
Pai ela não vai mais voltar para nós - Gohan tentava trazê-lo mais para trás.
Goten
ajudava, mas também chorando foi quando Goku só sentiu o soco em seu rosto
pegando perto do canto da boca, sentiu apenas a dor lancinante, sentou-se no
banco próximo ao caixão, voltou os olhos agora um pouco menos desfocados ao
baixinho que estava ao seu lado e o ouviu dizer:
-
Deixa esse sentimentalismo de lado um pouco e seja mais racional, verme - ele
olhou para a mulher deitada no caixão com a pele pálida e sem vida. - Ela não
vai voltar - terminou a frase o encarando com aquele ar de superioridade e com
aquela carranca que sempre tinha.
Goku
passou a mão no canto dos lábios, limpando o sangue que insistia em escorrer, a
boca dolorida e já começando a ficar meio roxeada.
Vegeta
pegou ele realmente desprevenido, ele nem sentiu o ki do sayajin mais velho
aproximar dele, só sentiu o soco.
-
Venha comigo insolente - ele saiu caminhando para cima enquanto todos olhavam
admirados com a atitude de Vegeta, até mesmo Bulma.
----
Bulma
chegou perto de sua amiga e chorou muito, pois tinha sido uma amiga e tanto.
Após
alguns minutos Videl entrou e abraçou o marido e olhou a sogra que parecia
estar dormindo, mas ela sabia que não.
Os
demais ficavam ali dando forças para todos os Sons que passava por um momento
difícil.
Nenhum comentário:
Postar um comentário