sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Funeral

Goku viu sua esposa sobre uma maca toda coberta em um lençol branco. Ele caminhou passos lentos até o local, parou diante da maca, inseguro e pela primeira vez ele sentiu medo, mas tomou coragem e puxou o lençol para baixo o dobrando delicadamente, mostrando o rosto acetinado, marcados pelo tempo.
Ela parecia estar dormindo, mas ele sabia que ali não havia vestígio de vida. Tocou a pele do rosto dela e a sentiu meio morna.
- Chi... - ele abaixou e tocou os seus lábios no dela, mas eles não se moveram e pouco a pouco a sua pele ia esfriando lentamente.
Goku tocou os seus cabelos curtos e sentiu mais lágrimas escorrer.
Secou com os seus dedos e saiu dali a deixado e foi até onde Bulma estava.
Logo chegou com o seu tele transporte e viu que a garota já tinha encontrado uma das esferas.
- Me de o outro radar - ele estava determinado a tentar, mesmo que não teria chance nenhuma.
Bulma lhe entregou e ele saiu voando o mais rápido que pode enquanto os demais também procuravam.
Não demorou muito e as sete esferas estavam reunidas, piscando em um brilho amarelo dourado como se uma chamasse a outra, com a ressonância da magia que existia dentro delas.
Goku tentava se animar, mas sabia que talvez o seu desejo não se realizaria, pois sabia que aquele ser fez algo que a morte da Chichi fosse natural e o dragão não realizaria o seu desejo nesse caso, mas tinha um resquício de esperança no fundo do seu coração.
- Saia daí Shenlong e realize o meu desejo. – ele bradou.
            O céu começou a escurecer, as esferas começaram a brilhar intensamente, raios cruzavam o céu, e de repente subiu um foco único de luz em direção ao mesmo e foi se formando um imenso dragão gigante, com olhos vermelhos penetrantes, o corpo comprido fazendo curvas e mais curvas sobre si mesmo.
            - Diga-me qual é o seu desejo? – a voz esplendorosa ressoou.
- Desejo que a Chichi reviva - Goku tinha esperanças de que o deus Dragão pudesse ressuscitá-la.
- Não posso atender esse pedido, por que essa pessoa morreu naturalmente.
Goku abaixou a cabeça e segurou o choro.
- As esferas de Namekusei podem? -tinha esperanças, queria que ela voltasse de qualquer maneira.
- Não ressuscitamos pessoas que morrem naturalmente - o ser estava parado os olhando. - Algum outro desejo?
- Aquele ser jogou alguma coisa nela e ela morreu...
- Lamento, mas ele colocou uma espécie de magia que a matou naturalmente, então não posso fazer nada a respeito.
- Não...  Isso não pode acontecer - Goku começou a caminhar lentamente, mas logo em seguida decolou.
- Eu disse que não tinha esperanças - Vegeta encarou a esposa e o filho.
- O tio Goku não merecia isso - Trunks comentou olhando o lugar vago.
Vegeta e Bulma ficaram calados, acharam melhor voltar para casa e se preparar para o enterro.
O dragão viu que nenhum desejo ia acontecer e se desfez espalhando as esferas pelo mundo novamente.
*****
Goku entrou pela porta e suspirou fundo olhando para todos os lados e não vendo quem ele sempre via.
- Pai! - Goten apareceu correndo ao sentir o ki do sayajin de sangue puro assim que se aproximou da casa. - E ai conseguiu ressuscitar a mamãe? - ele estava ansioso, mas Goku o olhou, seus olhos sem brilho, com lagrimas começando a se formar e ele tentando não demonstrar.
- Não Goten... Shenlong disse que ela morreu de morte natural... Sabe que assim ele não ressuscita. - Goku cerrou os punhos e viu o filho lhe abraçar com força.
Deu um leve sorriso sem graça e sentiu as lágrimas dos filhos escorrer sobre o tecido laranja do sua roupa.
Goku abraça o filho de forma terna, tentava ser forte o suficiente, mas não sabia se conseguiria, pois ela era o seu suporte, a razão por se tonar  o herói de todos os tempos, a razão por ele sempre fazer as coisas do jeito dele tentando protegê-los, mas agora ela se foi e para nunca mais voltar.
Agora ele viu que fora egoísta e se dedicara de mais as lutas, ao seu egocentrismo, e a sua forma desenfreada de ser.
Ele não conteve suas lagrimas e ainda abraçado ao seu filho disse com a voz embargada.
- Eu... Nem tive tempo de pedir perdão... - Goten soltou o pai e o encarou e viu o seu pai com lágrimas nos olhos.
O hibrido sabia do que seu pai estava falando então se soltou dele e deu um sozinho entre as lágrimas, quando viu Gohan entrar pela porta, jogar a chave sobre a mesa e se jogar no sofá, suspirou fundo e os olhou, viu o quanto eles estavam abatidos.
- Logo o corpo da mamãe vai chegar...
- Já avisou a Videl e a Pan? - perguntou Goku  com a voz embargada.
- Já sim pai - ele ergueu os olhos e viu que até àquela hora não tinha nada de comer. - Não estão com fome? - perguntou o mais velho dos híbridos.
- Não... Eu vou descansar um pouco, me avise quando o corpo chegar.
Goku subiu as escadas enquanto o seus filhos o olhavam.
- Eu nunca vi o papai assim - comentou Gohan passando a mão nos olhos.
- Ele disse que nem teve tempo de pedir perdão a ela... - Goten se jogou no sofá com os olhos vermelhos e encarou o irmão.
Gohan suspirou fundo e olhou tudo em volta.
- Será duro mais duro para ele do que para nós...
Goten nada respondeu, apenas encostou a cabeça no sofá e ficou fitando  teto.
****
Goku abre a porta do quarto lentamente  e vê a cômoda cheia de porta retratos, batons de tons leves, algumas bijuterias delicadas e discretas espalhadas sobre a mesa, ao lado da mesma um cesto com algumas roupas sujas. Goku virou-se para o guarda-roupa branco com o local de abrir prateado, abriu uma das portas e viu os vestidos típicos chineses de sua esposa dependurado lado a lado, pegou um e abraçou, sentiu o cheiro dela nele. Aquele cheiro de avelã com mel e aquele ar de mistério que ele sempre descobriu entre aquelas quatro paredes. 
- Chi... Como você conseguiu ficar aqui... Sem mim - foi até a cama, deitou com o vestido em mãos e chorou começando a se culpar de seu jeito de ser.
*****
As horas se passaram e logo o corpo de Chichi chegou à residência dos Sons. Ela estava em um caixão branco, com uns detalhes prata, em volta dela havia flores coloridas suas mãos sobre o seu abdômen  unido sobre a mesmo, em volta do caixão alguma coroa de flores.
Alguns dos guerreiros z já estavam ali para dar uma força à família. O ar estava pesado e tenso.
- Goten vá avisar o papai que o corpo já chegou - Gohan disse passando a mão no olho e olhando a mãe.
- Tá - Goten saiu cabisbaixo e foi até o quarto do casal, bateu a porta, mas seu pai não abriu.
- Pai! - ele bateu de novo e nada. - Pai, estou entrando - mexeu na maçaneta e girou, a porta se abriu e ele viu o seu pai abraçado com um vestido de sua mãe e com os olhos fechados e a umidade em seu rosto.
"Posso não ser o marido que a sua mãe sempre quis e ser tudo o que ela disse, mas eu a amo".
Nesse momento Goten viu o quanto o seu pai amava a sua mãe, mesmo com todos os defeitos do mundo, ele a amava.
- Pai! - ele tocou o braço do homem de uma forma carinhosa, para que ele pudesse acordar.
- Hum - Goku abriu lentamente os olhos que estavam um pouco inchados, encarou o filho, achando que tinha tido um pesadelo.
- Onde está a sua mãe! - ele olhou o vestido sobre a cama.
- Lá em baixo, em um caixão... - Goku engoliu seco, não era um sonho ruim, era tudo verdade, era realmente tudo verdade.
Seus olhos desfocaram e ele levantaram automaticamente e começou a caminhar em direção a sala, queria ver com o seus olhos, não ele queria acordar daquele pesadelo que era real de mais, ele realmente estava sem chão, sem uma escora, sem a sua companheira.
- Pai,  senhor vai ficar bem? - Goten olhou o seu pai saindo pela porta do quarto como se fosse um zumbi.
Suspirou fundo e olhou o vestido ainda sobre a cama.
- De forças a ele mãe, ai do outro  mundo - ele deixou algumas lágrimas cair e saiu atrás do pai.
Goku chegou à sala e sentiu alguém lhe abraçar.
- Meus sentimentos meu amigo - Kuririn tinha lágrimas nos olhos, queria dar uma força ao amigo nesse momento, mas não sabia como.
Goku olhou para o pequeno homem e apenas o desviou do seu caminho.
Kuririn notou algo errado com o seu amigo e o viu puxar um banco e sentar-se ao lado da esposa.
Passou a mão no rosto pálido e gélido dela.
Mesmo sentindo a pele rígida e fria, ele pensou que ela pudesse estar dormindo, já que parecia um anjo deitada naquele caixão, ou talvez uma princesa de contos de fadas só esperando um beijo do príncipe encantando para poder acordar.
Sim, por que não tentar, não custava nada, pois quem sabe ela não acordaria e pularia dali em seus braços, como sempre fizera quando ele voltava do seu heroísmo constante, ou quem sabe com as suas broncas irritantes quando ele entrava pela janela.
Abaixou o rosto diante do caixão e colocou os seus lábios, mas os mesmo estavam frios, sem cor, sem sabor e sem movimento nenhum.
Goku olhou para ela esperando um sinal qualquer, uma sombra do seu mal humor, ou um resquício de brigas, ou sua implicância constante com os seus treinos só para testar a paciência dele que nunca se abalava, pois gostava dela do jeito que ela era.
- Chi...! Fala comigo Chichi! - ele passou a mão no rosto novamente e encarou a face da mulher. Sacudiu os ombros a chamando e começou a se desesperar. - CHI... ACORDA... CHI! - Goten e Gohan correram lá para dar um apoio, assim como Kuririn também fora. Lágrimas escorriam de seus rostos.
- Pai! Para - Gohan tentava tirar o pai de perto do corpo de sua mãe, com a ajuda de Goten, pois o mesmo estava muito descontrolado, mas os dois híbridos não estavam conseguindo.
Goku chorava, a beijava e pedia ela para acordar, foi quando Bulma entrou junto com Vegeta, Trunks e Bra, vendo a cena começou a chorar e disse:
- Vegeta ajuda, por favor.
- Não sou babá de sentimentalistas e vermes insolentes - ele cruzou os braços e começou a caminhar lentamente.
- Chi acorda... Por favor - ele deu mais um beijo, mas nada.
- Pai ela não vai mais voltar para nós - Gohan tentava trazê-lo mais para trás.
Goten ajudava, mas também chorando foi quando Goku só sentiu o soco em seu rosto pegando perto do canto da boca, sentiu apenas a dor lancinante, sentou-se no banco próximo ao caixão, voltou os olhos agora um pouco menos desfocados ao baixinho que estava ao seu lado e o ouviu dizer:
- Deixa esse sentimentalismo de lado um pouco e seja mais racional, verme - ele olhou para a mulher deitada no caixão com a pele pálida e sem vida. - Ela não vai voltar - terminou a frase o encarando com aquele ar de superioridade e com aquela carranca que sempre tinha.
Goku passou a mão no canto dos lábios, limpando o sangue que insistia em escorrer, a boca dolorida e já começando a ficar meio roxeada.
Vegeta pegou ele realmente desprevenido, ele nem sentiu o ki do sayajin mais velho aproximar dele, só sentiu o soco.
- Venha comigo insolente - ele saiu caminhando para cima enquanto todos olhavam admirados com a atitude de Vegeta, até mesmo Bulma.
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Bulma chegou perto de sua amiga e chorou muito, pois tinha sido uma amiga e tanto.
Após alguns minutos Videl entrou e abraçou o marido e olhou a sogra que parecia estar dormindo, mas ela sabia que não.

Os demais ficavam ali dando forças para todos os Sons que passava por um momento difícil.

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