Ele corria em um deserto extremamente quente, o sol com
seus raios que pareciam estar mais próximos da Terra o castigando como se fosse
todo o liquido do seu corpo. Sua pele já bem morena pelo mesmo, seu rosto suado
e cansado, sua visão turva e desgastada. Foi quando ele olhou para trás e viu
aquela pessoa correndo atrás dele sem a sua cabeça, a segurando em uma de suas
mãos como se fosse um zumbi em busca de uma resposta de algo que ele não tinha.
Sentiu saudade da sua terra natal
ao correr naquela imensidão de areia meio esbranquiçada, com alguns cactos espalhados
bem distante um do outro, o calor latente castigando com junto com a sequidão
do local. E sua cidade comparada ao local que estava era fria, tinha neblina
sempre que os dias eram mais chuvosos. Já ali naquele deserto era demasiado
quente, tanto que ele achava que estava com alucinações.
Ele continuava a correr, e
quanto mais ele corria mais Máscara sentia calor, sentia sede e o suor escorria
pelo seu rosto. Quanto mais Máscara da Morte corria sem a sua armadura é claro,
mais ele era seguido por aquela pessoa.
Máscara vira e mexe olhava para trás e lá
estava ela com a cabeça em uma de suas mãos e o corpo correndo sem a mesma,
como se tivesse caçando o cavalheiro de câncer, como se quisesse o amedrontar
de uma morte que ele causou há alguns anos.
A mente do assassino
trabalhava de uma forma diferente agora, achando que a pessoa era apenas uma alucinação
de sua mente cansada e castigada pelo sol daquele deserto.
Não sabia exatamente onde
era, mas possivelmente estava no deserto do Saara ou próximo disso.
Então já cansado e com sede
ele dá uma parada tentando recuperar o fôlego. O sol quente do deserto o
deixando com a visão turva, quase tendo uma miragem. E quando ele olha para
trás lá estava o individuo parado, o encarando com os olhos de peixe morto, os
fios de cabelo preso em seus dedos finos
e mostrando cada pedaço de osso e o pescoço com o sinal do golpe de mascara da
morte, parecendo um zumbi que voltou apenas para atormentá-lo e de seus lábios
saiu algumas palavras:
- Por que você me matou? Por
quê? - os lábios esbranquiçados sem cor se moveram, a voz saiu entrecortada e
apavorante, os olhos se moviam levemente e a sua cor era branca e sem vida.
– Eu nunca fiz mal a você,
eu juro – e com essas palavras ele acorda ofegante, suado e olhando para todos
os lados em sua casa.
Senta em sua cama e viu algumas
cabeças em cima de uma cômoda, onde ele penteava os cabelos sedosos das mesmas.
Diante da sua cama está a
sua armadura guardada dentro da caixa reluzente de ouro em um canto do quarto. A
constelação de câncer sobre a sua cabeça dando certa luminosidade ao seu
quarto.
Suspirou fundo ao ver que
era mais um pesadelo, jogou as cobertas para o lado, se levantou e caminhou até
o banheiro. Parou diante da pia, abriu a torneira, estendeu as mãos diante da mesma
e jogou a água em seu rosto.
“Quantas mortes mesmo?” Ele
pensou consigo mesmo.
Nem se lembrava mais, já que
desde que foi acolhido pelo santuário, treinado para matar, esquartejar e
gerenciar as portas do mundo e submundo, ele perdera a conta de quantas pessoas
haviam morrido pelo seu golpe ficado apenas as suas cabeças e caído no buraco
do inferno. Mas aquela pessoa, a aquela pessoa sempre lhe aparecia em pesadelos
perguntando o motivo dele o ter matado.
Isso quando não tinha a
sensação de vê-lo rondando pela a sua casa.
- Isso está parecendo pior –
ele sussurra consigo mesmo.
Tentou buscar em sua mente o
motivo do assassinado daquela pessoa, então sua memória voltou ao passado:
Ele odiava lembrar-se do
passado, mas queria responder aquela pergunta que aquela pessoa fizera a ele.
"Por que eu quero
responder a pergunta daquela pessoa?" Perguntou-se em pensamento.
Talvez fosse para se livrar
daqueles pesadelos carregados de terror que tentavam o assustar.
Voltou a olhar-se no espelho
e buscou em sua mente desde o inicio de sua jornada em sua cidade natal.
*****
"Bérgamo uma comunidade italiana da região da Lombardia, capital da província homônima, onde Berdinard havia nascido.
Aquele menino de cabelos azuis e pequeno nasceu ali
naquela humilde cidadela. Com o passar do tempo cresceu em meio às ruas
carregadas de neblinas, cheias de grandes prédios no estilo europeu, desenhados
pelos grandes arquitetos da época, sem falar que correr em dias de chuva era o
dia preferido por aquele menino.
Ele sempre corria acompanhado de uma garota
loira de olhos azuis, que era a sua companheira em suas brincadeiras e naquelas
ruas estreitas, desenhadas por paralelepípedos da época, era onde os dois se
divertiam fazendo as suas travessuras e criancices. Era sempre assim, até que
um dia a sua cidade fora invadida por saqueadores perversos e sanguinários, que
matavam para poder roubar.
Ele viu algumas casas pegando fogo, outras
onde aqueles saqueadores retiravam as pessoas de dentro das casas e as matavam
sem dó nem piedade, para depois jogar os corpos no mar e tirar todo o bem
material que eles tinham e colocar em suas carroças.
Ele fechou o cenho e olhou com raiva àqueles
ladrões perversos, mas sem que eles o notasse. Foi quando a garotinha veio
correndo em sua direção e chorando o abraçou. Ele correspondeu e a olhou
esperando que ela falasse:
- Berdinard temos que sair daqui - ela
chorava e olhava assustada. Ele viu sangue em suas roupas.
- Não sem os meus pais - ele correu abraçado
a ela até a sua casa, mas quando chegou lá, viu alguns homens atirarem a queima
roupa nos seus pais.
Berdinard sentiu um poder envolver ele por
completo e no seu dedo formar uma áurea branca e ele cego de raiva lançou em
direção aos homens sem dó nem piedade, seus corpos sumiram e suas cabeças caíram
no chão saindo sangue pelo pescoço cortado.
- AAAA!!! - a voz feminina gritou mais
assustada ainda.
- Vamos Pietra, temos que fugir daqui! - o
garoto agarrou a mão da garota e saiu correndo sem rumo e se escondendo dos
saqueadores até parar em Veneza, que não era muito longe da cidade deles.
Pararam de trás de um exuberante prédio
colocaram as mãos no joelho e buscaram o ar. Berdinard relembrou a cena e
deixou algumas lágrimas escorrerem de seus olhos.
- O que você fez com aqueles caras, Bernard?
- ela perguntou ainda suja de fuligem e sangue.
Berdinard estava pior que ela, suspirou fundo
tentando se lembrar o que aconteceu, a olhou com o olhar perdido, mas ele não
sabia.
- Eu não sei... - ele olhou para ela com os
olhos marejados de água e colocou o rosto entre os braços e seus joelhos, ele
chorou como um garoto de dez anos choraria com a morte dos seus pais e com o
ocorrido naquela hora com os saqueadores.
A garota passou a mão no cabelo azul e
espetado dele tentando acalmar e o confortar, mas nada ajudava, pois ela mesma
sentia-se desamparada e também chorava, pois seus pais também haviam morrido
pelas mãos daqueles homens sanguinários.
Depois de alguns minutos de consolo, o garoto
se levanta, limpa as lágrimas de seus olhos e diz:
- Melhor partirmos ou seremos pegos pelas
autoridades e mandados para o orfanato.
- Você tem razão! - ela segurou a mão dele e
eles começaram a caminhar.
Mas logo encontraram um homem alto, de
cabelos dourados e compridos até a sua cintura, com dois pontinhos que ficavam
no lugar da sobrancelha, uma armadura dourada com uma espécie de dois chifres
que se destacavam sobre os seus ombros, chamando a atenção deles e olhou para
os garotos com um leve sorriso. .
Os garotos também olhavam boquiabertos para a
figura adulta em frente a eles.
- Corre Pietra - Berdinard pegou a mão da
garota e começou a correr, mas aquele homem se tele portou para frente deles e
eles trombaram com ele.
- De quem era aquele cosmo?- perguntou para
os garotos sentados no chão o olhando.
- Que cosmo? - perguntou Berdinard o
encarando e se levantando.
Passou a mão no seu bumbum para limpar a
poeira e Pietra fez o mesmo.
- Cosmo é uma energia que emana de sua áurea
para você se defender de algo.
-Foi ele! - apontou a garota para o menino.
- DEIXA DE SER DEDO DURO PIETRA! - ele gritou
com ela nervoso. - Eu já disse que eu não sei o que aconteceu... - as lágrimas
voltaram em seus olhos.
- Então é você mesmo que eu estou procurando
- Shion abaixa na altura do menino. - Você será o cavalheiro de ouro de câncer
que servirá a deusa Atena com a sua vida.
- Que? - ele não entendia.
- Apenas venha comigo - ele olhou o
rapaz com carinho.
- Ela pode vir? - apontou para a garota.
- Não, ela não tem o poder que precisamos.
- Então não vou - ele cruzou os bracinhos e
fez uma cara séria e brava.
Shion sorriu, pois sabia que aquele garoto
lembrava o seu sucessor, marrento e possivelmente um fugitivo de suas
obrigações.
- Se ela vier não poderá ficar junto com
você, terá que ficar no treinamento com ás amazonas.
- Com quem? - ela perguntou curiosa erguendo
a sobrancelha direita.
- Com as amazonas - ela não entendeu, mas
preferiu não perguntar de novo.
Shion os tele portou e assim que apareceu a
ilha de Sicilia explicou tim tim por tim tim depois de ter se apresentando a
eles.
Berdinard ficou boquiaberto e viu a sua amiga
seguir com o cavaleiro.
- Ei Pietra, não vai se despedir? - ele perguntou
a olhando.
Ela apenas sorriu e seguiu Shion sumindo logo
em seguida com o tele transporte dele.
Berdinard ficou sozinho ali parado olhando
para o nada, quando em sua frente ele viu os caras que ele matou em sua cidade
natal.
Assustou-se e saiu correndo para onde tinha
gente.
Viu alguns meninos treinando duramente com
armaduras de ouro. Aqueles treinos eram assustadores, procurou alguém para fazer
amizade, mas todos pareciam sérios de mais e fechados de mais para isso.
Seguiu por um corredor que dava acesso a
varias portas e viu um dos quartos vários, entrou e deitou em um futtum meio
velho, suspirou fundo e se sentiu sozinho.
- Pietra... - abraçou a si mesmo e adormeceu.
Ele olhou no espelho, suspirou fundo,
se lembrar daquela infância era dura de mais para ele.
Saiu do banheiro e encontrou um homem de cabelos longos e azuis
turquesas com uma pinta perto dos
lábios.
- Também não consegue dormir Afrodite?
- Vi as luzes da sua casa acessa e me preocupei, tem algum problema
Máscara da Morte?
- Estou vendo uma pessoa que eu matei...
- Isso não é novidade.
- Deixa de piadinhas idiotas - ele falou com certa raiva.
- Tá, ta, mas me conta como essa "assombração" aparece? - fez
aspas com os dedos.
- Ela aparece em meus sonhos, na minha frente e me perguntando por que
eu a matei - ele viu o seu companheiro sentar-se ao lado dele.
- Os fantasmas estão lhe assombrando mesmo em? - riu o pisciano.
- É sério Flô - ele o encarou.
- Não me dê esse apelido idiota.
Máscara da morte sorriu, mas depois voltou a ficar sério.
- Isso nunca havia acontecido antes, Afrodite, ninguém apareceu para mim
assim - ele o olhou e seus olhos eram de medo, receio, culpa, nem o próprio
canceriano entendia o que se passava dentro de si.
- Vá descansar meu amigo, amanhã vemos isso melhor.
Máscara suspirou fundo e viu o amigo sair e suas lembranças ainda
queriam buscar a resposta para aquela pergunta.
"Por que me matou?"
- Por que eu a matei? - se perguntou em silêncio e encostou a cabeça na
cabeceira da cama pensando em como buscar aquelas memórias.
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