Yana estava sozinha em casa
e resolveu dar uma volta, apesar de estar anoitecendo, era como se o seu
coração pedisse para ir a algum lugar, sem um rumo certo. Ela mesmo meio
receosa começou a caminhar e olhar as estrelas que já começavam a aparecer no céu.
Ela foi andando e andando
até chegar à porta de um cemitério, o portão estava trancado ela olhou pelas
frestas do mesmo e sentiu algo lhe apertar o peito, como se algo a chamasse ali
para dentro.
- O que eu estou fazendo? -
ela se perguntou escalando o portão grande, de duas partes, na cor negra e com
uma corrente grossa ao meio. Passou para o outro lado e desceu, foi andando
pelos túmulos, se encolhendo com um pouco de medo e procurando algo que ela não
sabia o que era.
Foi andando lentamente,
olhando para todos os lados, tremendo igual uma vara verde, com medo de que
aparecesse algum fantasma ou ainda pior.
*****
Chichi saiu do seu
esconderijo e se dirigiu lentamente até ele e o viu de cabeça entre os braços e
o joelho sentado perto de seu túmulo.
- Não acha que é meio
vergonhoso o homem mais forte do universo chorar dessa forma? - ela pisava
lentamente com as mãos para trás.
Goku ouviu aquela voz
melodiosa que ele reconheceria em qualquer lugar do universo e ergueu os olhos
vermelhos para poder ver se estava sonhando, se estava tendo alucinações, ou se
ela realmente estava ali.
Ele pode a visualizar com á
aureola sobre a sua cabeça, seus cabelos negros e compridos preso em um rabo de
cavalo, sua roupa chinesa azul com calça vermelha.
- Chi! - ele se levantou e
foi até ela a abraçando. - ela correspondeu com o mesmo carinho e Goku pode
sentir o calor da pele dela, o cheiro dela, isso o deixou muito mais muito feliz. -
Você está linda e jovem - ele afastou-se dela e a ergueu sorrindo
alegremente, depois a desceu ao solo e a beijou de uma forma que envolvia a
saudade, a sua falta e o seu desejo de estar com ela.
Ela parou o beijo e o
afastou carinhosamente, porém permaneceu abraçada a ele.
- Eu... Achei que você
estava me castigando... Por tudo que eu
fiz com você, achei que mesmo no outro mundo você não ia querer me ver... - ele
sorria a ela da forma que ela adorava, mesmo com os olhos cheios de lágrimas. -
Eu errei muito com você, errei feio e eu nem pude te pedir perdão... - ele a
abraçou como se não quisesse soltá-la nunca mais.
Nesse momento Gohan
aterrissa perto do Kaioshim e pergunta a ele.
- É a mamãe?
- Sim Gohan - ela veio falar
com o seu pai do outro mundo.
- Eu também quero falar com
ela - ele já ia sair de lá quando Kibitoshin o segurou pelo braço o impedindo
de ir até onde os dois estavam.
- Ela veio para animar ele
Gohan, não vai ficar muito tempo, então apenas fique aqui e escute a conversa
dos dois.
Ele apenas fez que sim com a
cabeça e escondeu-se ali sumindo com o seu ki.
Chichi o afastou e estava
com lágrimas nos olhos e disse:
- Eu sempre te perdoei meu
gorilhinha fofo... Apesar de quase querer te esganar às vezes, ou quando você
ficou no outro mundo por sete anos, eu pensei muitas vezes em arrumar outro
homem... Depois que o Goten nasceu a sua cara escarrada cuspida, eu queria te
matar de novo, mas depois olhando o rostinho dele eu não consegui, era como ter
um pedaço seu comigo e meu amor foi crescendo ainda mais por você e pelos
meninos e de alguma forma o meu coração dizia que você ia voltar para mim... -
ela passou a mão sobre a roupa dele contornando os músculos moldados
perfeitamente. - Mas no meu caso é diferente por que eu não vou voltar mais
para esse mundo Goku, então você pode seguir a sua vida do seu modo, você
sempre fez as coisas do seu jeito, deve continuar fazendo, mesmo com os meninos
contra...
Ele a soltou da cintura
passou a mão no rosto dela, enquanto Yana chegou próximo onde eles estavam e
viu a mulher com á aureola sobre a cabeça e num clima meio suspeito. Ela se
escondeu atrás de uma lápide não muito longe dali e ficou observando eles.
- Mas eu queria me redimir
com você... Eu nem tive tempo, pois aquele ser tirou você de mim... Eu nem pude
fazer nada e sempre meti os pés pelas mãos deixando você triste, com raiva e
sozinha com os meninos... Se eu não tivesse esse legado, se eu não tivesse todo
esse poder eu poderia viver com você como uma família comum... Mas as coisas
foram tomando outros rumos e...
- Shioooo! Você é o salvador
do universo, o fanático por lutas, o egoísta que é ingênuo e uma eterna
criança... Além do mais é um saiyajin, por isso tem esse poder todo. - ela o encarou
nos olhos com algumas lágrimas. - Eu reclamei muito de você, mas sempre soube
que você tinha o seu legado, seu momento de herói do universo, mas mesmo assim
você sempre arrumava tempo para ficar comigo, me dar atenção, porém eu sempre
soube que eu teria que te dividir a partir do momento que você me protegeu contra
o Piccolo Daimaó, e quando você lutou com o filho dele naquele torneio de artes
marciais... Eu aprendi a te dividir com o universo, então meu gorilinha fofo,
aprenda a me dividir também, para o outro mundo... Eu estarei te esperando
quando você morrer de novo.
- Eu vou tentar... - ele a
beijou de novo aproximando para mais perto de si, já afundando o beijo e
descendo pelo seu pescoço a deixando molinha, mas ela se esforçou e o afastou.
- O que foi?
- Eu não posso fazer isso
aqui Goku, tem pessoas nos observando. - ela passou a mão no peito dele.
- Então vamos para outro
lugar - ele sorriu, queria muito matar a saudade com ela.
- Não Goku, eu não pertenço
mais esse mundo... E não posso demorar mais - ela afastou dele lentamente. -
Não se culpe mais, não se martirize mais, pois eu sempre te perdoei e sempre vou te perdoar... Eu estarei olhando
por você do outro mundo e te dou a liberdade de seguir com sua vida e
envolver-se até com outra garota.
- Mas Chi... - ele pegou no
braço dela e a puxou para mais um beijo quente, mas ela sumiu lentamente de
seus lábios e braços.
Ele sentou-se ao chão e
chorou de alegria misturado com saudade, olhando a foto de sua amada na lápide.
Yana se levantou e sentiu
que devia ir lá, mesmo se sentindo constrangida com tudo que viu, mas ela
caminhou a lápide onde ele estava encostado com os olhos vidrados e meio sem
vida, pois mesmo falando com sua esposa ele sentia o peso da consciência, por
outro lado também estava feliz por ter visto a sua amada, por ter tocado ao
menos por pouco tempo ela, mesmo assim era muito difícil para ele, pois ela era
a escora dele, a ancora e o seu suporte.
Yana se aproximou lentamente
para depois se abaixar e viu a foto de uma mulher com o rosto marcado pelo
tempo, cabelos negros e curtos, mas que lembrava bastante à moça bonita e de
cabelos compridos que ela havia visto. Depois ela viu escrito na lápide abaixo
da foto
"Son Chichi, esposa
dedicada, carinhosa que sempre esteve a minha espera. Cuidou de nossos filhos e
foi uma grande guerreira".
- Goku! - ela encostou a mão no braço dele para ver se ele a olhava.
- Goku! - ela o chamou de novo, foi então que ele virou o rosto para ela, com
os olhos molhados.
- Yana - ele queria tanto
abraçá-la, mas não sabia se tinha permissão.
- Você não parece bem,
precisa de ajuda? - ela perguntou e ele desviou os olhos do dela.
- Não... Obrigada, eu vou
ficar bem - ele deu um sorriso sem muita vontade a ela.
- Quem moça da foto desse túmulo?
- Minha esposa - ele se
lembrou do momento que esteve com ela.
- Ela era linda...
- Sim é ainda é...
- Ainda a ama não é?
- Sim... - ele limpou os
olhos com as costas da mão parecendo uma
criança e olhou para o céu.
- Meus sentimentos... - ela
baixou a cabeça.
- Obrigado - o silêncio
entre os dois ficou no ar por um tempo, então ela sentou-se ao lado dele e
olhou o céu estrelado.
-Com certeza ela não quer
você assim triste pela morte dela.
- Eu sei que ela não quer,
mas é inevitável, ela era o meu porto seguro, mas agora ela está no outro mundo
e ela não me pertence mais...
- Claro que ela te pertence.
Ela ainda é a sua esposa e nunca deixará de ser, pois ela sempre estará no seu
coração - ela queria tocar ele, mas ficou com vergonha e não o fez. - Sabe
Goku... - ela encostou a cabeça no seu ombro, pois sabia que ele precisava de
carinho. Era como se ela quisesse proteger, o salvar, como ele fez com ela. -
Eu tenho certeza que a sua esposa não está feliz com você agora.
- Por quê? - ele olhou meio de canto para ela querendo
entender.
- Porque eu no lugar dela
não ia querer o meu marido se culpado o tempo todo, se martirizando por algo
que já foi. Eu ia querer que ele seguisse em frente e fosse feliz e quando ele
partisse desse mundo eu estaria lá esperando por ele.
Goku olhou para ela e viu os
olhos dela castanhos brilhantes, seus cabelos castanhos e repicados, caindo em
cascata diante do seu colo e deu um leve sorriso, pois era isso mesmo que
Chichi tinha dito a segundo atrás.
- Agora enxugue essas lágrimas
e seja forte, por que eu sei que você é - ela passou a mão no rosto dele e Goku sentiu o toque macio e carinhoso.
Suspirou fundo, fechou os olhos e ouviu.
- Pai... - Gohan apareceu
ali.
Goku se levantou, afastou a
garota do lugar que estava e caminhou em direção a ele.
- Aconteceu alguma coisa
Gohan? - ele perguntou preocupado com o sinal roxo no canto de sua boca.
- Não pai... - ele ficou
meio sem jeito. - Eu vi a mamãe falando com o senhor e... Eu também quero pedir
desculpas ao senhor... Pelo que eu disse mais cedo - ele abaixou a cabeça, mas
sentiu o seu pai o abraçar.
- Por um lado você está
certo, Gohan... - ele o olhou com um jeito carinhoso.
- Eu atrapalhei alguma coisa
em relação à moça?
- Não Gohan. - Goku
encarou o filho. - Ela é a Yana, a menina que eu salvei quando estava
sendo estrupada.
- Muito prazer Yana - Gohan
se abaixou a cumprimentando.
- O prazer é todo meu Gohan
- ela fez o mesmo.
- Pai, melhor o senhor ir
para casa, afinal o senhor tem um compromisso com o Goten - ele queria que o
pai se animasse.
- Eu não vou mais - ele
encarou o céu com muitas estrelas.
- Então vá descansar um
pouco, pai.
- Mas a Yana vai voltar
sozinha para casa dela? - ele estava ingênuo e olhou a garota.
- Eu a levo em casa, tá bom
pai - ele olhou o pai com um sorriso animado.
- Então vou para casa ver
como o Goten está - ele sorriu animado, levou os dedos à testa e sumiu rapidamente.
Yana não entendeu como ele
fez aquilo, mas pensou ser um truque, ou algo do tipo, mas preferiu não
perguntar.
- Posso te pegar no colo
para te levar para casa? - Gohan perguntou meio sem jeito.
- Você também voa? - ela o
viu a pegar no colo e sair voando pelo céu.
- Isso responde a sua
pergunta? - ele a levava pelo caminho que ela ia indicando.
- Sim - ela sorriu e
imaginou o Goku com elas nos braços novamente.
********
Goku apareceu e viu o seu filho sentado no sofá meio
apreensivo.
- Goten, está tudo bem?
- Pai! - ele levantou
rapidamente e abraçou, ele estava preocupado. - Você está bem? - Goku retribuiu
com carinho.
- Estou sim - ele sentou-se
ao lado dele. - Não precisava ter dado aquele soco no seu irmão.
- Pai, mas ele pegou pesado
com você...
- Ele tinha um pouco de
razão, Goten, mas me pediu desculpas.
- Isso é ótimo pai! - ele
sorriu e o abraçou, mas o telefone tocou.
Goten foi atender e ouviu a voz do amigo do outro lado da
linha.
- Goten, onde você se meteu
cara? Trunks estava preocupado. - Eu
estou aqui na porta da festa te esperando.
Goten deu facepalm e disse:
- Desculpe não avisar
Trunks, mas é que deu uns problemas aqui em casa e acabei esquecendo.
- Vem logo então e traz o
seu pai.
Goten olhou para o seu pai
parado a escada e disse.
- Melhor não, Trunks, deixa
para outro dia - Goku ouviu a conversa e foi até o filho e disse:
- Vai se divertir com o seu
amigo, eu vou ficar bem - ele colocou a mão nos ombros de Goten.
- Mas pai...
- Pode ir filho - Goku deu
um sorriso meigo a ele e subiu as escadas com as mãos no bolso.
- Então Goten, vem ou não?
Goten suspirou fundo, olhou
as escadas mais uma vez e disse:
- Está bem Trunks, mas eu
estou indo sozinho.
- Seu pai não vem?
- Não e quando eu chegar aí,
eu te explico.
- Está bem - Trunks desligou
e ficou esperando o amigo chegar.
Goten olhou as escadas e não
viu mais o seu pai, suspirou fundo e foi assim mesmo.
Goku chegou a seu quarto,
tirou a roupa, ficou só de calção, foi até a cômoda e pegou um das portas
retratos que tinha Chichi e ele abraçados, deitou na cama e começou a olhar
fixamente para ele.
Passou o dedo sobre o vidro,
como se estivesse passado à mão no rosto dela.
Levantou-se e voltou a
colocar o porta retrato no lugar,
suspirou fundo e olhou para todos os lados. O quarto era um vazio, o vento frio
tocou-lhe a pele, apesar de não ter incomodado, ele sentiu falta do calor da
pele dela, ao seu lado, nunca se imaginou assim, mesmo que às vezes sentia
falta desse calor, ele sabia que o teria quando voltasse, mas agora as coisas
eram diferente e ela não ia voltar.
Goku deitou-se na cama,
abraçando o travesseiro esperando o sono chegar. Suspirou com o nariz pregado
no travesseiro de sua amada e se lembrou dela, linda, jovem como ela era até
alguns anos atrás. Não que ela estivesse feia e velha, mas ver ela com aquela
pele e jovialidade, deu vontade de voltar no passado e reviver os momentos mais
marcantes dos dois juntos, mas não era possível, pois agora ela pertencia o
outro mundo e pode escolher até a forma que poderia ficar, pois recebeu o mesmo direito que ele, de ficar com o corpo no
outro mundo, tudo por que ela era a esposa do homem mais forte do universo.
Goku sorriu e sentiu os seus
olhos pesar lentamente até adormecer sobre a sua cama de casal.
****
Gohan acabava de aterrissar
de frente a casa da moça e a colocou no chão a olhando e disse:
- Você parece gostar do meu
pai!- ele olhou o céu carregado de estrelas.
- Sim, pois ele salvou a
minha vida e eu sou muito grata a ele.
- Não é esse tipo de gostar
que eu perguntei, Yana - agora ele a encarou sério, que ela ficou rubra e com
um pouco de medo.
Gohan sorriu depois que viu
ela meio rosada e nem precisava dela dizer mais nada.
- Você trabalha Yana?
- Eu trabalhava antes do
ocorrido, mas estou de licença do meu trabalho, pois ainda tenho medo de sair e
acontecer de novo... - ela olhou para baixo.
- Não foi o que pareceu,
pois você estava em meio a um cemitério.
Ela ficou mais rubra ainda e
de cabeça baixa.
- O que faz? - ele estava
interessado para poder ajudar ela com o seu pai.
- Eu sou gerente geral de
uma loja em Satã City.
- Entendi, então não ia
querer trabalhar de doméstica. - ele suspira. - Bom melhor eu ir para casa. -
ele já ia levantar voo, quando a ouviu.
- Por que eu não trabalharia
de doméstica?
- Você não vai largar o seu
emprego, que é muito bom e ser uma secretária do lar - Gohan flutuava no ar.
- Eu odeio o meu trabalho,
estava esperando apenas um motivo para sair de lá, mas por que quer tanto
assim?
- Eu preciso contratar uma
pessoa para morar na casa do meu pai, tipo levantar cedo, fazer o café da manhã
dele e do Goten, arrumar a casa, mas tem que ficar lá e fazer o café ou o meu
pai vai destruir a cozinha.
Ela riu dele, imaginando
como o seu herói era na cozinha.
- Eu vou, quando começo? -
ela sorri animada.
- Vai amanhã a tarde eu te
mostro a casa e combinamos o salário.
- Ok, combinado.
Gohan a olhou fixamente e
disse:
- Se estiver gostando do meu
pai, não pode ter medo nem ter vergonha, ou você não faz nada com ele.
Ela corou e disse:
- Por quê?
- Vou deixar você descobrir
- ele riu e saiu voando dali.
Yana deu os ombros sem
entender, entrou e foi dormir, pois havia sido um dia muito cansativo.
******
Goten entrou lentamente em
sua casa para não acordar ninguém. Olhou no relógio com a lanterna do celular e
viu que já eram três da manhã. Suspirou fundo.
- Não devia ter ficado até
essa hora, mas nem vi o tempo passar... - ele subiu lentamente, foi até o
quarto do seu pai, girou a maçaneta da porta e viu o seu pai dormindo
serenamente abraçado ao travesseiro da sua mãe.
Ele parecia bem calmo e
menos triste do que havia visto antes. Deu um sorriso singelo e foi para os eu
quarto. Tomou um banho e caiu na cama, já que domingo seria um novo dia, talvez
com coisas novas para acontecer.
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