quinta-feira, 13 de agosto de 2020

A comemoração sem a Bulma

 

Depois de voarmos alguns minutos chegamos à casa.

– Oi pai que bom que veio rápido, temos que ir logo levar esses chocolates aquelas crianças.

– Não precisa mandar a garota ir onde eu estava. Eu sei o que tenho que fazer - eu disse de braços cruzados e em tom ríspido como sempre.

– Se eu te conheço bem o senhor ia ficar no túmulo da mamãe até anoitecer e ia se esquecer das suas obrigações e da sua vida. Todas as datas comemorativas são assim. Eu também sinto falta da mamãe pai, mas o senhor se esquece até de você - Trunks meio irritado.

– Cale-se Trunks e ande logo com essa distribuição – Eu o desafiei.

Ele não teve escola e fomos entregar os ovos de páscoa em vários orfanatos, até que chegamos ao último, assim que adentramos o local as crianças vieram nos abraçar e receber seus preciosos doces. Eu como sempre estava com cara de poucos amigos, mas mesmo assim as crianças ficavam em minha volta, pois há anos eu ia naqueles orfanatos. Foi quando olhei e ao longe eu vi uma garotinha olhando envergonhada atrás da parede, seu ki era um pouco mais elevado que uma criança terráquea comum. Eu a olhava discretamente quando ouvi:

– Pai, já acabamos vamos para a festa em nossa casa?

– Vá na frente Trunks – um tom de ordem saiu de meus lábios.

– Está bem pai, mas não demore.

– Grsss. Vá logo e não enrole – eu o vi sair com a Bra, Kelly e os outros tinham ficado em casa para receber os nossos amigos.

Assim que eles sumiram da minha visão eu caminhei até aquela garotinha vagarosamente me abaixei e disse:

– Oi, olha só o que o tio Vegeta tem para você? - eu disse dando um leve sorriso de canto e dando a ela o único ovo de páscoa que ainda restava em minhas mãos.

– Obrigada tio Vegeta - ela me abraçando timidamente foi quando eu percebi que ela não tinha um dos bracinhos.

– Como você se chama? - perguntei a ela ainda abaixado.

– Me chamo Mel.

– Olha Mel o tio tem que ir, mas eu volto para te ver.

– O senhor promete? - ela perguntou com os olhinhos brilhando.

– Claro, mas não diga a ninguém é um segredo meu e seu. - eu disse me levantando

– Está bem tio. Obrigada pelo chocolate.

Eu apenas sorri de canto novamente e comecei a voar acenando para ela.

Depois de alguns minutos eu cheguei em casa e todos já comemoravam a páscoa em uma grande festa. Eu cumprimentei a todos com meu típico humor negro e fui caminhando para um canto mais isolado, eu parei próxima a porta de vidro que dava para o jardim e senti um ki muito familiar vindo do jardim. Eu adentrei o local e vi o seu rosto triste e mostrando muitas linhas do tempo e disse:

– O que está fazendo aí cafona? - perguntei a olhando.

– Oi Vegeta, eu estava olhando o céu estrelado - algumas lágrimas nos olhos.

– Sinceramente eu não sei o que Kakaroto viu em você – meu tom firme de sempre.

– Você não sente falta dela, Vegeta? Principalmente nessas comemorações. Bulma e o Goku eram sempre os mais animados. - ela disse deixando mais lágrimas descerem em seu rosto enrugado.

– Sim Chichi, eu sinto – minha voz saiu embargada e com muita dificuldade. – Bulma me ensinou muito nesses anos todos. Infelizmente os terráqueos envelhecem rápido demais. - eu disse me sentando e fitando céu com o meu humor negro.

– Sabe Vegeta, eu sempre estava gritando com o Goku, sempre fui histérica com ele, mas agora eu sinto tanta falta dele ao meu lado. Desde quando ele foi embora com aquele dragão nunca mais tivemos notícias dele - ela tristemente com bastante rugas no rosto, uma tosse seca e estranha.

Eu apenas olhei para ela e nós ficamos ali até a festa acabar em um silêncio fitado o céu onde Kakaroto e Bulma estariam.

Após toda a festa eu fui dormir e descansar para um novo dia.

No dia seguinte voltei aquele orfanato e adotei aquela menina sem ninguém saber, de lá do orfanato eu fui com ela até o túmulo de Bulma levando a Mel abraçada em mim, em um voo muito divertido.

– Oi Bulma – eu estava meio rubro e repousei as rosas azuis em seu tumulo. - Essa é a Mel, ela é uma garotinha muito especial e sei que você aprovaria a sua adoção para ela ser a nossa filha. - eu sorri de canto.

– Mel, eu não sou muito bom, mas espero que nós suprimamos nossas solidões.

– Tio Vegeta esse túmulo e de sua esposa? - ela perguntou com os olhinhos castanhos e brilhantes.

– Sim, Bulma me ensinou muito e não sou o mesmo homem de antes – Eu olhei a garotinha com um ar de superioridade e braços cruzados. – Tenho certeza que ela aprovaria.

A garotinha sorriu e me abraçou. Eu fiquei rubro mais respondi ao abraço.

– Tio Vegeta o senhor devia amá-la muito - ela ainda abraçada em mim, porém eu não era muito disso.

– Vamos voando para nossa casa. - eu disse cruzando os meus braços.

– O senhor vai me ensinar a voar? - ela me perguntou tão ingenuamente.

– Claro, mas é um segredo nosso. – me sentei ao chão e olhando aquele lapide.

– Bulma, a Mel será nossa filha adotiva e farei muito por ela, do meu jeito, mas farei. Não sou muito bom com essas coisas, mas ela é uma menina muito especial – eu sorri de canto a pequena garota.

– Agora vamos para a sua nova casa - eu me levantei e a peguei no colo, levantei voo. Eu sorri de canto na esperança de que a páscoa do próximo ano ainda seria melhor do que essa porque eu sabia que Bulma estava olhando por mim e vendo tudo do outro mundo.

 

Fim.

 

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