Vegeta olhava para a mulher e via a
expressão dela mudar várias vezes, um filtro de diferentes tons passar-lhe pelo
rosto que de lívido passava a vermelho, que de corado passava a cinzento. Apesar
de um ligeiro véu de lágrimas que lhe adornavam as longas pestanas, ela o
encarava de um modo ameaçador, o que fazia o guerreiro ficar cada vez mais
confuso com todas as expressões corporais que ela fazia, que diziam muito mais
que qualquer palavra dita.
Vegeta sentiu-se aflito, agoniado. Chichi
e Gohan observavam a cena constrangidos, as duas crianças, por sua vez, tinham
um ar amedrontado. Chichi sussurrou em tom de ordem:
- Trunks, leva o Goten para ver os teus
brinquedos. Leva-o para o teu quarto. Já!
- Hai!
– responderam os meninos em coro. Depois, Trunks puxou o amigo pelo braço e
saíram dali.
E a cena continuava, muda e suspensa.
Gohan começava a suar, percebendo que
muito provavelmente, ele e a mãe estariam a mais ali.
- Então, o que esse papel está dizendo?
– perguntou Vegeta impaciente.
- Por que não olha você mesmo? – Bulma lançou
o papel com muita raiva. Não iria brigar, nem discutir no dia do evento anual
mais importante para a Capsule Corporation. Apesar de lhe apetecer imenso, não
iria dar um vexame diante de todo o mundo e arriscar que tudo acabasse por sair
numa reportagem bombástica em uma revista qualquer de fofoca.
Saiu dali pisando alto, punhos bem
apertados nos braços esticados ao longo do corpo, deixando Vegeta e deixando o
papel dançando no ar lentamente.
A cena quebrou-se, como por
encantamento, devolvendo à vida tudo o que estava congelado, animando os
protagonistas. Chichi correu atrás de Bulma e Vegeta agarrou o papel no ar. Olhou
de forma penetrante para Gohan que se empertigou, engolindo em seco, as gotas
de suor na testa cada vez mais evidentes, tentando entender o que estava
acontecendo.
Vegeta desviou os olhos do rapaz, abriu
o papel e leu o resultado do maldito exame de DNA. Passou por cima do nome de
Miruku, nem sequer notou que estava lá escrito pois era como uma nota acessória
da conclusão do teste. E leu furioso o seu nome escrito, afirmando que havia 99%
de probabilidade de ele ser o pai da garotinha. Fechou o punho amassando o
papel.
“Que
exame maldito é este que se engana tanto?!”
O pior era que Bulma tinha acreditado
naquela mentira. E seria admissível, pensou num pequeno momento de lucidez,
pois ela era uma cientista e confiava plenamente em qualquer exame que tivesse
um fundo científico. Mas havia ali alguma coisa de profundamente errada, que o
fazia ferver por dentro. Voltou-se para Gohan e rugiu de uma forma assustadora:
- Escuta, Gohan.
- Hai,
Vegeta-san – disse o rapaz tenso.
Vegeta estendeu-lhe a bola de papel.
- Estes exames… podem estar errados?
Gohan desembrulhou o papel para saber do
que se tratava. Analisou-o rapidamente, sabia que com o príncipe dos saiyajin não podia perder tempo.
Percebeu imediatamente do que se tratava e respondeu, meio temeroso, levantando
os olhos do papel:
- Bom... Se o exame for realizado em uma
clínica séria e bem recomendada, os resultados são bastantes fiáveis e
verdadeiros. A polícia utiliza este tipo de exames para determinar se um
suspeito esteve na cena de um crime… É utilizado também em casos de… justiça em
que é preciso determinar a paternidade de crianças. – Nesta última afirmação
hesitou tremendo, pois viu a cara de Vegeta contorcer-se. – É raro ocorrer
fraudes, mas pode acontecer… Ou seja, nada impossibilita alguma clínica de falsificar
um exame desses.
Vegeta rugia baixinho, o olhar
totalmente negro e toldado pela ira, fazendo Gohan estremecer e dar um passo
atrás. Arrancou o papel das mãos do filho do Kakarotto, tornou a amassá-lo numa
bola e saiu pisando firme. Tinha uma certa ideia de quem poderia ter
falsificado o exame, quem estaria muito interessado que não se soubesse a
verdade. Resmungou:
- Não importa! Eu vou arrancar a verdade
daquele verme, nem que seja à força! E assim que tudo estiver esclarecido, vou
ter uma conversa muito importante com aquela mulher…
Gohan viu-o afastar-se. Respirou fundo.
Aquele assunto não lhe dizia respeito, pelo menos diretamente. Se solicitassem
a ajuda dele, ele ajudaria sem hesitar, mas estava na Capsule Corporation com
um propósito e não iria desperdiçar aquele dia – ou melhor, as horas de sossego
que ainda teria, pois previa o engrossar da tempestade, depois de ter visto o
exame de DNA, pelo que dirigiu-se ao local onde se desenrolavam as
demonstrações e os workshops,
disposto a aproveitar ao máximo aquele dia aberto da companhia mais famosa do
mundo.
***
Bulma entrou no quarto e se jogou na
cama. Desfez-se em lágrimas pois não conseguia mais fingir que era forte e que
aceitava aquela situação.
Chichi entrou logo atrás e se sentou na
beira da cama.
- Bulma, o que aconteceu agora? –
perguntou passando a mão carinhosamente nas costas da amiga.
A cientista respondeu entre soluços e
fungadelas:
- Eu… nunca imaginei que o Vegeta fosse
como o Yamcha e fosse capaz de me trair assim… Eu não imaginaria que isso
pudesse acontecer de novo e ainda por cima que gerasse uma criança… Ao menos o
Yamcha sempre se preveniu… Aquele maldito saiyajin
não sabe o que é isso, foi assim que o Trunks…
- Espera aí… – cortou Chichi a assimilar
o que ouvia através das palavras chorosas e desesperadas. – Você está dizendo
que aquele exame deu que o Vegeta é o pai da garota?
Bulma sentou-se na cama e cabisbaixa
acenou que sim, respondendo à pergunta feita, dizendo a seguir cheia de mágoa:
- Hai.
E os exames de DNA não mentem… Fizeram os dois o teste, Vegeta e o Miruku. E o
DNA da Panty revelou-se compatível com o de… daquele estúpido saiyajin filho da pu…
- Bulma, Bulma! – exclamou Chichi – E
tem a certeza que o exame de DNA está correto?
- E como pode não estar?! – admirou-se
Bulma horrorizada. De cabelos azuis despenteados e olhos vermelhos tinha o ar
de uma bruxa malvada.
- Não sei – defendeu-se Chichi
procurando manter a calma. – Esse tipo de exames não podem ser… falsificados?
- Falsificados?! Mas está a defender o
Vegeta porquê?!
- Escuta, amiga… Eu sei que falamos do
Vegeta, mas me ouça mais uma vez – tentou com uma infinita paciência. – Não
acredito que o Vegeta te tenha traído, os saiyajin
são fiéis e ele sente alguma coisa muito especial por ti para ter ficado na
Terra, mesmo depois da derrota do Cell e da morte do meu querido Goku. Outra
coisa que eu sei de certeza e que se aplica também ao príncipe: eles não sabem
mentir, nem enganar. São transparentes como a água das montanhas Paozu. E a
menina… a Panty, não me parece saiyajin.
Bulma vociferou enraivecida:
- Para de o defender! Por favor!! Ele é
um verme egoísta, igual ao Yamcha! Sai daqui! Não me estás a ajudar!
Chichi suspirou fundo. Não conseguia
fazer mais nada, pois o assunto estava demasiado quente para que Bulma
conseguisse raciocinar com a sua habitual inteligência e dedução lógica.
Concordou tacitamente com o pedido gritado em forma de ordem e saiu do quarto, fechando
a porta devagar.
Bulma atirou-se para trás, estendeu-se
de costas sobre a cama, num choro desenfreado. Precisava absolutamente de um
cigarro e de resolver em definitivo aquele problema da sua vida.
***
Ao ver a sua pequenina nos braços da
mulher loira sentiu a coragem em seu peito crescendo cada vez mais e sabia que
o seu plano, decidido no banheiro, iria dar certo. Mas teria que ir com muita
cautela, pois um passo em falso poderia significar perder a bebê para sempre e
acabar fechada numa prisão.
O dia escolhido revelava-se perfeito,
pois o lugar estava cheio de pessoas estranhas andando de um lado para o outro
vendo os carros, aerocarros, robôs, aeronaves, entre outros inventos que
estavam em exposição. Ela era apenas mais uma pessoa estranha, sem outro
interesse a não ser o de conhecer a Capsule Corporation por dentro. Continuando
a caminhar viu o senhor Briefs a dar uma palestra sobre um invento novo.
Estavam todos ocupados e distraídos, o que seria perfeito. Espreitou outro
salão e descobriu uma mesa repleta de iguarias e de belos manjares, com
empregados vestidos de calças pretas e camisas brancas a prepararem as bebidas
para servirem aos convidados. O estômago roncou e ela apertou a barriga com um
braço. Tinha fome, mas não se podia distrair, quando estava tão próximo do seu
objetivo.
Fez uma inflexão e reentrou na área
residencial, imprimindo alguma pressa aos passos, pois se hesitasse desperdiçaria
segundos preciosos e poderia não conseguir recuperar o que ela tinha perdido
uma vez.
Dois garotinhos que brincavam animados
no jardim interior da Capsule Corporation, já com alguns arranhões, a roupa um
pouco suja da brincadeira despreocupada, viram-na entrar disfarçadamente.
- Ei Trunks-kun… O que aquela moça vai
fazer na sua casa? – perguntou Goten sacudindo a poeira do dogi laranja, igual ao do seu pai. – A festa não é no outro lado?
Trunks carregou a sobrancelha, pensando,
e disse:
- Eu já a vi antes. Andava perto dos
quartos dos hóspedes e quando a encontrei disse-me que procurava o banheiro…
Mas ela me parece suspeita.
Goten deu uma cotovelada no amigo.
- Isso me deu uma ideia Trunks.
- Diz lá Goten-kun, qual foi?
- Que tal se nós brincássemos de
detetive e fôssemos investigar a garota?
Trunks cruzou os braços, sorrindo, numa
pose decalcada da do pai.
- Ótima ideia! Até que de vez em quando
você pensa.
Goten fez uma cara ingénua e ficou o
olhando, despistado, não percebendo a insinuação. Trunks descruzou os braços,
ajeitou o casaco do terno puxando-o pelas abas, limpou-o atabalhoadamente com
algumas palmadas, pois se a mãe o visse sujo naquele dia dava-lhe um castigo e
explicou o que fariam a seguir:
- Vamos segui-la sem que ela perceba.
Assim, podemos descobrir o que anda ela a fazer por aqui.
- Hai!
- E faz exatamente como eu faço, para
não estragares tudo.
- Eu não estrago tudo…
- Percebeste? Vamos com muito cuidado.
- Hai.
Goten e Trunks seguiram a
garota misteriosa com todas as cautelas, em bicos de pé, em pézinhos de lã,
mais silenciosos que ratos em casa de gatos.
Mas a garota sentiu que
estava sendo seguida e quando entrou em um dos corredores da grande casa, fez
uma pausa e olhou para trás de repente. Mas não viu ninguém. Ficou ali parada,
a controlar a respiração, num grande silêncio, analisando todas as sombras. A
sua intuição gritava dizendo que tinha alguém observando-a e ela rapidamente
entrou em um quarto. Quando os garotos, que estavam escondidos atrás de uma
esquina, olharam à procura dela, não a viram mais.
- Trunks-kun!
- Para onde ela foi? –
perguntou Trunks intrigado, erguendo a sobrancelha, agarrado à esquina com as
duas mãos.
- Não faço ideia. Pensei que
tivesse visto!... – disse Goten espreitando abaixo do amigo, agarrando também a
esquina .
- Não vi… Vamos procurá-la.
Isto está a ficar estranho…
- Vamos! – exclamou Goten.
- Shiu! – Trunks colocou o
dedo indicador sobre a boca pedindo silêncio ao amigo. – Quer que ela descubra
que estamos atrás dela e ela suma ainda mais?
- Não… Gomen nasai, Trunks-kun.
- Então, deverá agir como um
detetive. Tem de ser… discreto.
- Discreto? O que é isso,
Trunks-kun?
- Não sei. Ouvi num desses
filmes sobre detetives.
- E tu vês filmes de
detetives? – admirou-se Goten abrindo muito os olhos.
- A minha mãe não sabia que
eu estava escondido a espreitar o filme que ela estava a ver. Vamos, Goten.
Começamos por ali. – E apontou para o corredor à esquerda.
Goten concordou, pois sabia
que o amigo, por ser mais velho, era também muito mais esperto que ele.
- Hai, Trunks-kun.
Os dois garotinhos correram
silenciosos pela passagem esquerdina. O problema era que a garota estava no
lado oposto a esse e quando viu as crianças irem pelo corredor que também ela
vigiava, suspirou de alívio e deu graças ao kamisama
pela sorte conquistada. Afinal, tinha dois meninos no seu encalço e isso
atrapalhava um pouco os seus planos.
Apressou-se, pois agora era
a sua chance, provavelmente a única, de procurar sua menininha, sua princesinha,
e levá-la para onde nunca deveria ter saído.
***
Vegeta foi até à sacada do quarto em que
Bulma estava, voando devagar, impulsionando-se para cima vencendo a altura que
separava o local do chão. Sentia-lhe o ki
agitado e nervoso, ela tremia numa lenta fervura que a nicotina ajudava a
acalmar. Ela estava a fumar lá dentro e ele odiava esse hábito detestável que
ela ganhara nos últimos anos. Ficava com um cheiro horrível, com um gosto
amargo que o afastava. Talvez ela estivesse agora a fumar precisamente para o
afastar e Vegeta não desceu para a sacada, escolhendo antes continuar a pairar
por ali, de braços cruzados e semblante fechado, procurando entender o que
raios se passava ali.
Os últimos dias tinham sido calmos, ele
tinha regressado à sua rotina habitual e de nada fazer, sem que alguém o
incomodasse naquela casa por ter escolhido esse modo de vida pouco ortodoxo. Até
tinha retomado os seus treinos na sala gravitacional. De vez em quando, o seu
ouvido apurado detetava o choro da cria humana e até algumas gargalhadas e
ficava imaginando se a garotinha iria ficar para sempre ali e fazer parte do
conjunto, assim como ele fazia parte daquele bando de loucos que se intitulavam
uma família. Bem, não seria nada de inédito, o bando de loucos, afinal, tinha-o
acolhido como um deles, o que o levou a pensar, por um instante, se os Briefs
não estariam talhados para acolher desgraçados solitários que não tinham eira
nem beira.
Afastou esse pensamento mesquinho de
autocomiseração.
Descruzou os braços fixando a porta do
quarto que abria para a sacada. Bulma estaria mesmo muito magoada e zonza para
estar a fumar no interior, pois costumava fazê-lo sempre na sacada. Talvez ele
estivesse ali à espera de a ver aparecer. E para fazer o quê?
A primeira coisa que se lembrou foi que
lhe apetecia muito apertar-lhe o pescoço, por ela estar a ser tão tola por
acreditar na miséria de um exame, em vez de acreditar nele que já lhe tinha
provado, um montão de vezes, que estava ao lado dela por vontade própria. A
segunda coisa que se lembrou foi que lhe apetecia berrar-lhe ao ouvido e
dizer-lhe que estava cansado daquela barafunda.
Mas o orgulho dele não o deixou
manter-se ali à espera de a ver aparecer.
Os últimos dias foram de paz, mas a
guerra fora retomada e aquela seria a derradeira batalha para definir um
vencedor. E ele não sairia derrotado, considerou orgulhoso e ferido.
Afastou-se da sacada do quarto dela e
aterrou no relvado da Capsule Corporation. Espreitou a azáfama mais à frente,
aqueles convidados idiotas a apreciarem as engenhocas tecnológicas em
exposição, como numa feira de sucatas espaciais e ele vira bastantes dessas
feiras, no tempo que passara sob o jugo de Freeza, só que esses acontecimentos
interestelares eram menos cordatos e mais sangrentos. Vegeta sorriu ao
lembrar-se. Mas o sorriso foi de pouca dura. Enfiou as mãos nos bolsos das
calças e encontrou num deles a cápsula que ele tinha ido buscar ao seu quarto
assim que deixara aquele imbecil do filho mais velho de Kakarotto. Tinha aquela
cápsula consigo, mesmo depois de Bulma lhe ter construído aquela sala especial
e guardou-a sem que ela soubesse.
Tinha um sítio para ir, decidira-se a
ir, não iria ser uma visita simpática, mas antes fora buscar aquela cápsula.
Apertou o pequeno botão que fez clique e lançou-a, que logo em seguida formou
uma fumaça branca e após essa fumaça dispersar, apareceu a nave redonda.
Abriu a porta utilizando o código no
painel ao lado desta e entrou, olhando para todos os lados. Suspirou fundo e sentiu
as lembranças invadirem a sua mente.
Sim, aquela nave lhe trazia ótimas
lembranças, lhe trazia bem-estar. Foi dentro dela treinando que ele descobriu
que sentia um desejo, uma atração, um sentimento que na época ele não
compreendia, pela mulher do corpo voluptuoso e das madeixas azuis. Foi ali que
começou a converter-se no lendário super
saiyajin. Deu um leve sorriso de canto, mas terminou de sorrir ao
lembrar-se dos acontecimentos recentes.
Desde que achara o cesto e por causa da
sua curiosidade, estava passando por coisas que nunca imaginara. E também nunca
imaginara que um simples papel com um resultado falso podia fazer tanto estrago
e uma confusão total.
Sentou-se no chão e escorou as costas na
parede de metal, o frio penetrando a sua roupa. Colocou a mão no rosto. Ao que
o príncipe da grande raça dos maiores guerreiros do Universo tinha chegado.
- Eu nunca vou entender esses terráqueos
malucos – suspirou.
E então ouviu uma voz:
- Pensando em viajar, Vegeta?
Ele levantou-se com um pulo. Enfiou as
mãos nos bolsos, apoiou um pé na parede da nave e olhou para o lado oposto onde
estava a morena, carrancudo e antipático. Sentiu a tensão por todo o corpo. Mas
respondeu à pergunta:
- Isso não é da sua conta. O que quer
aqui, cafona?
- Conversar – disse Chichi com uma
suavidade que o irritava, como se fosse ele que estivesse errado e precisava de
ser levado à razão. – Podemos conversar?
- Não perca o seu tempo – avisou ele,
olhando um ponto qualquer na parede arredondada da nave e descobriu o painel da
máquina de gravidade. – Me deixa sozinho!
- Eu vou deixar. Mas queria te dizer
que… acredito em você, Vegeta. Tenho a certeza que aquele exame foi alterado e que
você não é o pai daquela criança.
As palavras dela fizeram-no olhá-la de
esguelha.
- Então fala isso para Bulma.
- Eu já falei, mas sabe como ela é
cabeça dura e orgulhosa.
- Então, não há nada mais a fazer…
- Fugir não é opção.
- Eu não fujo, cafona!
Vegeta dirigiu-se para a porta. Chichi
disse, com a mesma suavidade mansa que em vez de o acalmar, irritava-o ainda
mais:
- Existem duas pessoas neste mundo que
poderão esclarecer este mistério e resolver a questão. Uma é a mãe da
garotinha. A outra, é o pai…
- E depois?
- Você sabe onde o pai está, não sabe?
- E vou fazê-lo pagar – resmungou o
príncipe apertando um punho.
- Antes de o desfazeres, fá-lo repetir o
exame de DNA, numa outra clínica. Tenho a certeza que os resultados serão…
diferentes. Muito diferentes. E… uma outra coisa?
De costas para ela, parado, Vegeta
aguardou que Chichi concluísse.
- Não viaje por aí sem esclarecer as
coisas primeiro.
- Ei cafona… Como acredita tanto em mim?
Atrás dele, a mulher suspirou
profundamente e respondeu triste:
- Eu fui casada com um saiyajin e acho que conheço bastante bem
como vocês funcionam. Apesar de todos os defeitos que têm… existem alguns
defeitos bem terráqueos que eu tenho a certeza que vocês não têm.
Sem olhar para ela, Vegeta deu um
sorriso de canto. Quem diria que aquela cafona conseguia ser inteligente ao
ponto de alcançar a sua alma torturada? De fato, as terráqueas tinham um
mistério qualquer que atraía um saiyajin…
mas não lhe agradeceu a ajuda, o conselho, o voto de confiança. Desceu a rampa
da nave redonda no seu habitual porte orgulhoso e, uma vez no relvado, levantou
voo.
***
Após despistar os garotinhos e
certificar-se que o caminho estava livre, a garota saiu do seu esconderijo e
continuou andando sorrateiramente pelos corredores da casa, se escondendo nos
recantos e nas sombras, atrás das plantas envasadas, colada às paredes para
escapar das câmaras de vigilância quando descobria uma. Para a sua felicidade,
ela encontrou a bebê na cozinha, sentada em sua cadeirinha brincando com uma
colher e parlando sozinha.
- Aqui estás, meu tesouro! – sussurrou a
garota unindo as mãos no peito.
A bebê olhou para ela e reconhecendo-a
soltou um gritinho de alegria, começando a agitar os bracitos e ela foi rápida,
tirando-a da cadeirinha. Mais rápida ainda, correu para uma pequena porta dos
fundos e saiu dali, levando consigo a pequena Panty.
Um par de minutos depois, a senhora
Briefs regressou à cozinha, carregando a bandeja vazia, cantarolando feliz,
muito animada e sorridente. Mas ao deparar-se com a cadeirinha vazia, abriu os
olhos azuis e soltou a bandeja que caiu no chão fazendo um grande barulho. Deu
um berro estridente, apoiando as mãos nas faces e assim chamou a atenção das crianças que passavam perto, ainda
procurando a garota misteriosa, brincando de detetive. Trunks e Goten correram
para a cozinha.
- O que houve, obaasan? – perguntou Trunks entrando na cozinha como um foguete.
- A Panty sumiu! – exclamou a senhora
Briefs num pânico aterrador.
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