Não muito distante dali Mu olhava o céu azul e límpido da tarde, seus olhos se fixavam em um ponto qualquer. Suas lembranças estavam no dia que ele trombou com a garota de cabelos castanhos e olhos castanhos, mas sabia que ela nunca ia confiar nele, pois havia sofrido abuso e nunca poderia se aproximar dela.
Deu um suspiro fundo, olhou para os seus próprios pés, quando ouviu.
– Esses suspiros tem nome, Mu – Afrodite sentou-se ao seu lado em um dos degraus da casa.
– O que quer dizer com isso, Afrodite? – ele ergueu o seu pontinho roxo que ficava no lugar da sua sobrancelha.
– Esse suspirou seu, só tem um nome para ele – Afrodite o encarou.
Mu sabia onde aquela conversa ia dar.
– Qual é o nome Afrodite? – ele perguntou mais uma vez, mas já sabia a reposta.
– Mulher! Quando se suspira assim, tem mulher no meio – Afrodite deu lhe um sorriso sapeca. – Se quiser posso te dar uma mão.
– A mais nem morto – riu-se ele o olhando. - Você fica aprontando e depois vem com essa sua cara de peixe morto.
– Melhor ter cara de peixe morto, do que de carneiro chifrudo – Afrodite se levantou e saiu com raiva dali.
Mu apenas balançou a cabeça em um gesto de não e se levantou indo para dentro de sua casa.
Mais uns dias se passaram e Yana sempre pensava no jovem de cabelos lilás, que nunca mais deu as caras e apesar de tudo ela tinha gostado do jeito dele.
Ela aproveitou o seu dia de folga e se lembrou da palavra santuário, resolveu dar uma volta pelo Olimpo, mesmo sem a permissão de Atena. Talvez visse o rapaz por ali.
Ela já estava no jardim próximo às doze casas, olhou cada casa sonhando um dia entrar em uma delas, ou se lembrar do cavaleiro que um dia a salvou quando sua família tinha sido morta pelos espectros de Hades.
Andava lentamente vestindo uma saia rodada perto dos joelhos, uma blusa de alcinha em ceda, com um sutiã sem alça, seus cabelos castanhos amarrados em um rabo de cavalo, ela caminhava entre as flores ali por perto.
O vento passava levemente fazendo a sua saia movimentar e ela sorrir com o movimento quando ouviu uma voz.
– O que uma flor está fazendo no meio de outras? – perguntou o homem loiro se aproximando.
– Eu estou dando um passeio por aqui, mas espero que a deusa não fique brava comigo – ela deu um sorriso tímido.
– E por que uma deusa ficaria brava com outra? – ele deu um passo para aproximar, seu jeito encantador, seu porte sedutor, ele queria conquistá-la.
Ela deu um passo atrás, meio receosa.
– Quem é a donzela, Shaka? – perguntou Camus vendo a moça encostar nele sem querer.
– Não sei, mas ela disse que estava dando um passeio – Shaka estendeu a mão para cima com o dedo polegar encostado no indicador, como se fosse começar um mantra.
– Procura alguém moça? – perguntou o aquariano com a sua armadura dourada.
– Você é um cavaleiro? – ela o encarava maravilhada, com os olhos relusuzetes ao ouro da armadura do homem de madeixas verdes claro.
– Eu sou o Camus, esse é o Shaka – apontou para o loiro ao seu lado. - Tem o Aldebara, o Mu entre outros.
– Mu? – ela perguntou incrédula. – Você disse Mu?
– Disse, por quê? – o aquariano não entendeu a pergunta.
– Não, não pode ser o mesmo Mu, ele é de Jamiel. Não pode ser o mesmo – ela comentou em voz alta tentando saber se era o mesmo Mu ou não.
– Mas o Mu é de Jamiel, e é o cavaleiro de ouro de Áries.
– Você só pode estar de brincadeira, não é? – perguntou ela espantada com a notícia.
– Não! Por que íamos brincar com coisa séria? – perguntou Shaka com as suas vestimentas braças.
– Eu posso ir até a casa dele? – ela perguntou encarando os dois, com os olhinhos brilhantes e implorativos.
– Aonde a senhorita quer ir? – perguntou Afrodite com a sua armadura dourada.
– Ela quer ir à casa do carneirinho – riu Shaka.
– Carneirinho anda bem em! – ele aproximou um pouco da garota. – Agora eu sei por que ele andava suspirando pelos cantos. Sabia que tinha mulher no meio – ele deu a volta a olhando e deu um sorriso e depois fez um beicinho satisfeito.
– Será que dá para vocês me levarem até a casa do Mu, por favor? – ela pediu meio encolhida.
– Será um prazer mademoiselle – Camus estendeu a mão para ela, mas ela não aceitou, apenas os acompanhou até a casa de Áries.
Alguns minutos depois, os três estavam diante das escadas da primeira casa, a casa de Áries.
– Pronto mademoiselle, chegamos! – Camus estendeu a mão mostrando as escadas da casa do ariano.
Yana olhou para cima e viu Mu parado, com sua armadura dourada, olhando um pouco qualquer, não havia percebido que tinha visitas, mas Yana gritou alto:
– MU! – ela correu degrau por degrau e viu o rapaz olhar para baixo e a viu correr em sua direção.
Sem ao menos perceber ela pulou nele e o abraçou e ele se desequilibrou e caiu no chão de armadura e tudo.
– Ual, essa ai é maluca! – falou Afrodite olhando os dois.
– Você deveria saber melhor que qualquer um como é o amor, Afrodite – comentou Camus olhando o casal estendido no chão.
– Mu seu idiota! – ela o encarou. – Por que você sumiu? Por que mentiu para mim? – ela ficou sobre ele o encarando.
– Yana... – ele custou a reconhecer e desviou os seus olhos. – Você não confiava em mim, além do mais eu não queria que soubesse que eu era um cavalheiro de Atena.
– BAKA, BAKA! – ela batia nele com as mãos sobe a sua armadura.
– Para, ou você vai se machucar! – ele segurou as mãos dela e a encarou firme
Ela o encarou e ele soltou as mãos lentamente, em seguida ela colocou as mãos no rosto dele e encarou.
– Não era para você sumir, eu fiquei preocupada, sabia! – ela ainda estava sobre ele, mas estava feliz em vê-lo.
Mu sentiu o cheiro gostoso vindo dela, respirou fundo e se segurou, pois o jeito que estavam não era muito apropriado, ela sentada sobre a cintura dele.
– Me desculpe, mas você tinha medo de mim, achava que eu ia te atacar como o seu antigo dono. Achou que eu tinha pagado o valor para você ser a minha escrava e eu nunca quis isso – ele desviou o rosto do dela meio rubro.
– Eu sei, eu entendi depois de um tempo.
– A beija logo, Mu! – gritou Shaka olhando os dois, ele deitado no chão e ela sentada sobre ele.
– Aquele ali é mole de mais, eu no lugar dele já estava com ela na cama – comentou Afrodite morrendo de inveja.
Mu ficou rubro, muito rubro e percebeu a situação que tinha se metido.
– Pode se levantar, Yana?– ele não conseguia olhá-la estava muito envergonhado.
Ela pegou o seu rosto e virou-se para ela, abaixou-se lentamente, também meio rubra tocou os lábios dela no dele e Mu envolveu suas mãos em sua cintura, seus rostos aproximavam cada vez mais, as respirações um pouco pesada foi até que ele a beijou, um beijo terno e profundo. Ficaram assim por alguns segundos e Mu ouviu uma foz forte.
– O que pensa que está fazendo, Mu? – perguntou meio bravo.
Mu reconheceu a voz na hora e soltou a garota olhando para cima.
– Mestre! - ele ergueu se levantando assustado e ajudando a moça a se levantar.
– Essas coisas na minha época se chamavam pouca vergonha – Shion o encarava com o semblante fechado.
– Shion, vai dizer que nunca ficou assim com uma garota? – perguntou Dohko os olhando curioso, os deixando mais constrangido.
Mu estava com o rosto muito vermelho e a garota não tirava os olhos dos cavaleiros em volta e viu que tinha feito uma tremenda de uma asneira o beijando ali na frente de todo mundo, agora ela também estava envergonhada.
– Velho, deixa de ser chato e invejoso, o Mu precisa divertir - era Ikki com o seu jeito rebelde chegando ao santuário.
– È mesmo! O carneirinho precisa de uma ovelha – riu Shaka ao olhar o casal a sua frente.
– Além do mais ele tinha que ter tomado à atitude e não ela – comentou Afrodite com um sorriso maroto.
– Onde está o cavalheiro em? – Camus zombou dele. – E a descrição do Mestre com o pupilo nem se fala. – Camus viu Shion meio rubro.
– O cavalheiro sempre deixa as damas ir primeiro – Mu o olhou com um sorriso lateral. – Camus tem razão, mestre! – ele argumentou menos vermelho.
Shion começou a rir e o olhou.
– Na sua idade eu fazia pior – ele dava gargalhadas ao ver que o pupilo tinha caído
A garota que estava ao lado de Mu ficou bem rubra e perguntou:
– Quantos anos o senhor tem? – ela o olhou o rosto jovem e belo com duas marcas nas sobrancelhas como Mu.
– Não se pergunta a idade a um cavalheiro velho, minha criança – Dohko filosofou.
– Mu quantos anos tem? – ela ergueu a cabeça deduzindo que ele também não parecia ter a idade que tinha.
– Tenho vinte e dois anos, Yana – ele respondeu e olhou em volta. – Me diz o que faz aqui? – ele perguntou a olhando profundamente.
– Eu queria te achar, já que você havia sumiu – ela estava um pouco rubra. – Daí, me lembrei do você e o Kiki falando em santuário, daí resolvi vir aqui. Então eu encontrei aqueles ali – ela apontou para Shaka, Camus e Afrodite.
Mu sorriu e olhou os amigos.
– Quer conhecer as demais casas do zodíaco? – ele perguntou.
– Claro! – ela estava animada.
– Na minha casa eu a acompanho – Shaka aproximou da garota com um sorriso travesso.
– Também mostro a minha – Camus a olhou competindo com o Shaka - Faço até nevar, se ela quiser.
– Eu lhe dou todas as flores que quiser, na minha casa – Afrodite estava dando uma de galanteador para cima da menina.
– Eu fico lisonjeada cavalheiros, mas prefiro ir a casa de vocês acompanhada pelo Mu – ela deu um sorriso.
– È parece que os galanteadores perderam para o ariano – comentou Ikki os olhando e rindo dos foras que eles levaram.
– IKKI VOLTE PARA CINZAS – comentou Shaka meio irritado.
– Indiano, que palavras são essas. Agora vai ter que cantar quantos mantras? – ele queria enfezar o virginiano e fazer o mesmo cometer o pecado da ira.
– Ora sua ave de rapina! – ele começou a enervar e Yana começou a rir deles.
Eles olharam a garota e Mu disse:
– Só vou trocar a armadura por minhas roupas.
– Mu!
Ele a olhou e esperou ela dizer.
– Pode continuar com a armadura? – ela havia gostado de ver ele assim todo douradinho.
– È claro! – ele sorriu a ela. - Então vamos ao passeio pelas casas.
Mu subiu as escadas e entrou em sua casa, o passeio pelas doze casas ia começar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário