segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Estrela da manhã.

O dia amanheceu rapidamente e a garota acordou mais disposta, viu o menino dormir amuado em um cantinho da sua cama e deu um sorriso. Levantou-se devagar e começou a andar pelo palácio de Mu. Queria conhecer aquele lugar novo, queria ver como era, mas ao descer as escadas não viu porta nenhuma, subiu novamente abriu porta por porta procurando o rapaz de cabelos lilás.
Logo ela o viu ainda dormindo em sua cama e foi até lá puxando as cobertas com brutalidade.
O viu de pijama de carneirinho em um tecido azulado, quis voltar atrás na ideia, mas estava apavorada de mais.
– O QUE SIGNIFICA ISSO? – ela gritou forte e ele acordou assustado e deu um pulo da cama.
– Isso o que? – ele perguntou esfregando os olhos, sentado na cama.
– Você disse que eu seria livre e me trouxe para um lugar que não tem portas, não da para sair do lugar – ela o encarou, estava brava. – O que quer realmente de mim? O que pretende fazer comigo? – ela sentia as lagrimas escorrerem pelo seu rosto.
Mu a encarou sonolento e disse:
– Fique calma – ele se levantou e tentou se aproximar, mas ela se afastou dele. – Meu palácio não ter portas por que Kiki e eu podemos atravessar as paredes com o nosso teletransporte.
– MENTIRA! – ela começou a derramar lagrimas pelos olhos. – Você quer me usar como aqueles caras. Você quer... – ela não terminou a frase, se encolheu um pouco e deu um passo atrás.
Um suspirou, abaixou os olhos verdes para o chão e disse serenamente.
– È isso mesmo que você acha? – ele perguntou se levantando lentamente da cama.
Ela não respondeu e se recuou um pouco mais.
– Nossa! Quanto barulho – comentou Kiki entrando no quarto. – Você é uma garota muito barulhenta e escandalosa – Kiki reclamou. – Mu onde achou essa garota? – perguntou o mesmo apontando para a moça.
– No festival Kiki, em um vilarejo perto do santuário – Mu começou a caminhar lentamente. – Arrume uma roupa para ela, um pouco de dinheiro e acompanhe ela até um vilarejo qualquer – Mu nem olhou para eles.
– Mas por que eu? – ele perguntou indignado.
– Por que você ainda é uma criança – ele saiu dali os deixando e desapareceu.
– Droga, eu odeio quando ele faz isso – ele comentou olhando a garota. – Venha comigo! – ele a chamou e a viu o seguir.
– Por que ele pediu para você me dar uma roupa, dinheiro e me levar a uma vila.
– Não pergunte para mim – ele começou a caminhar perto dela.
Segurou em sua mão e se teleportou dali para fora do castelo.
Ela olhou o lugar e viu certa solidão e deserto.
– Onde estamos? – ela perguntou mais calma.
– Jamiel.
Ela arregalou os olhos e o encarou.
– Você está brincando?
– Não! – ele caminhou um pouco mais a frente. – Fique a vontade para conhecer – ele deu um sorriso travesso.
– Kiki.
– Diga.
– Que santuário é aquele que o Mu citou? – ela olhava o local ao lado do garoto, um lugar que não tinha nada a não ser aquele castelo sem portas e apenas com janelas.
Ele sorriu começou a correr e disse:
– Melhor irmos ver uma roupa para você – ele saiu à frente voltando ao castelo – VOU PEGAR DINHEIRO E TE LEVO NA ALDEIA - ele gritou a deixando ali.
Ela olhava o céu e foi para perto de um precipício ligado por uma ponte onde tinha vários corpos no fundo com um tipo de lança que saia do chão passando no meio do mesmo.
Ela se afastou um pouco assustada e olhou para todos os lugares, mas não viu o rapaz de cabelos lilás, suspirou e viu o rapazinho aparecer novamente.
– Eu arrumei essas roupas para você – ele ergueu para ela ver.
Ela o viu correr em sua direção e entregou a roupa para ela.
Ela olhou era uma saia longa na cor rosa com uma camiseta um pouco mais curta na cor branca, um cachecol azul claro e ela sentiu-se animada com as roupas.
– Kiki, eu gostaria de tomar um banho e vesti-las - ela se levantou e olhou o pequeno.
– Está bem – ele cruzou os braços e fez uma careta. – Eu levo você para dentro do palácio novamente – ele pegou na mão dela e tele transportou para dentro.
Mostrou a onde era o banheiro e deu-lhe uma toalha e saiu procurando o seu mestre a deixando ali em seu banho.
A garota abriu o chuveiro deixando a água cair sobre o seu corpo, sentiu os seus ferimentos arder com a água batendo e depois ao ensaboar.
Alguns minutos depois ela saiu enrolada na toalha e viu a roupa sobre a cama, vestiu ela rapidamente e pós a enxugar o seus cabelos castanhos.
Ela olhou todo o quarto e sentiu um aperto em seu peito.
O rapaz de cabelos lilás só tinha ajudado e ela estava sendo mal agradecida, achando que ele queria outras coisas com ela, achando que seria tratada como uma escrava sexual e seria forçada a fazer sexo com ele, mas ele só tinha a ajudado e ela ainda não confiava nele.
“Será que eu devo confiar nele?” Se perguntou em sussurro.
– Por que ainda pergunta? – ele a viu pentear os cabelos e vendo o quanto a sua beleza era melhor que antes.
– Mu! – ela deu um passo atrás.
– Você nunca vai acreditar em mim, não é mesmo? – ele já ia se virando de costa a ela.
– Mu! – ela o chamou e deu um passo mais próximo. – Eu... Bem... Eu gostaria que você me levasse até a vila – ela aproximou-se mais.
– Eu! – ele virou-se para ela e ergueu a sobrancelha.
– Sim – ela deu mais um passo em direção a ele.
– Por quê? – ele virou-se completamente para ela.
– Porque eu... – ela ficou meio rubra, mas continuou. – Seria um pedido de desculpas – ela uniu as mãos, envergonhada.
– Claro será um prazer – ele deu um sorriso olhando para garota de cabelos castanhos e olhos castanhos, não perguntou o nome dela, mas para ele não importava.
Ela sabia o nome dele por ter ouvido seu discípulo falar, mas se não fosse por isso ela nem saberia.
Mu saiu e logo Kiki entrou.
– Está tudo bem?
– Sim está – ela deu um sorriso.
– Vamos, eu tenho que fazer o que o mestre pediu, te levar a vila.
– Pode deixar, Kiki, eu a levarei - Mu apareceu novamente com um sorriso calmo nos lábios.
Kiki sorriu, pois não queria bancar a babá de uma moça tão escandalosa como aquela.
Mu se aproximou lentamente da garota e disse:
– Posso pegar na sua mão? – ele perguntou temendo que ela ficasse brava com ele novamente.
– Claro! – ela ficou rubra e sentiu-o pegar na mão dela a levando dali com o seu teletransporte.
Passou alguns segundos e eles já estavam em um vilarejo simples, com algumas casas de madeira, um caminho de terra batida e começaram a caminhar.
Mu a olhou e caminhou um pouco mais afastado dela.
– Deve estar com fome – ele viu uma pequena padaria e apontou para a mesma. – Vamos até lá!
– Espere! – ela o fez parar e a olhar.
– O que foi? – ele perguntou ingenuamente.
– Não vai me pergunta nada?
– E você quer que eu te pergunte alguma coisa? – ele respondeu com outra pergunta enquanto caminhava em direção à padaria.
– Não quer saber meu nome? De onde venho? Ou por que eu me tornei uma escrava?
Mu parou e a olhou pacificamente com o seu olhar verde e tranquilo.
– Fique a vontade se quiser falar – ele caminhava tranquilamente um pouco a frente dela e logo chegou à panificadora.
Pediu o café da manhã para a atendente e sentou-se a mesa esperando por seu desejum ao lado da moça.
– Mu! – ela se sentou ao lado dele em uma cadeira.
– Hum! – ele a olhou.
– Você não perde a paciência nunca?
Mu não resistiu e sorriu dela.
– Ei pare de rir de mim – ela desviou o rosto dele.
– Eu perco em casos muito sérios, mas a maioria das vezes eu sou calmo e sereno – ele viu a atendente os servir.
– Então qual o nome da escrava? – ele colocou as mãos sobre a mesa.
– Yana – ela desviou olhou para o misto quente no seu prato. – Você disse para eu dizer se eu quisesse.
– Sim, mas eu tenho que saber ao menos o seu nome para conversamos é injusto que só você saiba o meu.
Ela balançou a cabeça em um gesto meio tímido e viu-o levar o copo de leite a boca.
– Eu...
Mu a olhou disfarçadamente, não queria forçá-la a nada, mas estava curioso em sua situação anterior.
– Eu perdi a minha família com a luta dos cavaleiros com Hades, os espectros invadiram a minha aldeia e matou a minha família, mas um cavaleiro vestido em uma armadura toda dourada me salvou, mas não me lembro o formato da armadura dele e nem como ele era, pois eu desmaiei em seus braços.
– Então sabe da existência dos cavaleiros de Atena? – perguntou ele erguendo a sobrancelha.
– Hurum – ela levou o misto quente a boca e mordeu mastigando educadamente continuou. – Acordei no hospital, alguns dias depois me deram alta e eu fui procurar emprego, mas não sabia que aquela casa fazia as pessoas virarem escravas e vendiam para grandes senhores que tem enormes terras nos vilarejos próximos ao santuário.
– Hum! – Mu não a olhou e a deixou continuar, tinha medo de olhá-la e ela perder a confiança.
– Achei que ia ser um emprego de doméstica ou algo parecido, mas vi aquela mulher me vender como objeto e depois aquele homem tentar, me... – ela ficou envergonhada e o encarou. – Ele tentou tudo que podia fazer com as mãos... Ele rasgou a minha roupa na frente dos capachos dele – lágrimas começavam a rolar, foi quando eu conseguir fugir, nem sei como e sai correndo pelo festival e me trombei com você... Desculpe-me, mas como eu ia confiar em alguém de novo – ela derramou mais lagrimas.
– Tudo bem Yana... - ele foi para tocar a mão dela, mas recuou. – Sei que é difícil confiar em alguém depois de tudo que você passou, mas de agora em diante tudo será diferente – ele levou o copo de leite à boca.
– Como pode ter tanta certeza? – ela perguntou olhando para a mesa. – Aquele homem ainda é o meu dono e ele virá atrás de mim.
– Ele não virá – ele colocou o copo pela metade sobre a mesa e a olhou.
– Como pode ter tanta certeza?
– Por que paguei um bom preço por sua liberdade e bem acho que eles se assustaram um pouco comigo – sua serenidade passava confiança à moça.
– Como assim passou um susto e pagou um bom preço? – ela se levantou da cadeira.
– Yana, agora você é livre – ele se levantou também e foi até o caixa pagar o café da manhã.
Mu voltou-se a ela e colocou uma sacolinha com ouro diante dela.
– Esse dinheiro dá para você comprar uma casinha e começar a sua vida – ele empurrou em direção a ela. – Espero que seja muito feliz – ele deu um sorriso triste a ela. – Foi ótimo ter conhecido você, Yana! – ele começou a ficar invisível, quando a sentiu segurar o seu braço.
– Por que Mu? – ela o encarou. – Você nem me conhece e age como se me conhecesse. Você parece não querer nada comigo... – ela estava se confundindo.
Mu apenas a olhou penetrantemente e disse:
– Seja feliz, Yana! – ele sumiu das vistas dela.
– Mu, espere você ainda não me respondeu. Mu! – ela gritou olhando para todos os lados, mas não o viu mais.
Suspirou fundo, pegou o pequeno saco de moedas e guardou com segurança saiu da padaria e começou a andar pela pequena aldeia.
Achou uma casinha simples com uma plaquinha de aluga-se, procurou o dono e a alugou num valor cômodo.
****
Os dias se passavam lentamente Yana conseguiu um emprego de atendente na padaria que Mu tinha ido com ela.
Aquele lugar a fazia se sentir bem e ela se lembrava do jovem rapaz de cabelos lilás ali com ela tentando lhe passar confiança.
Lembrou o quanto Jamiel era pacato, deserto e solitário.
– Tirando o Kiki, será que Mu vive sozinho em Jamiel? – ela sussurrava com o seus botões.
E voltou ao seu trabalho.

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