Vegeta sentiu desgosto em ameaçar aquele
cara, porque não tinha graça nenhuma ver um verme fraco morrendo de medo. Ele
já havia ameaçado seres muito mais fortes, guerreiros formidáveis de raças
alienígenas que seriam etiquetadas de monstros por aqueles terráqueos idiotas,
e que se borravam de medo apenas por escutarem a voz dele. Então sim, era
divertido. Aquela situação, bom, analisando friamente e segundo os seus padrões
mais exigentes, não tinha graça nenhuma.
O estranho era que o verme seguia-o
enquanto contornavam aquela maldita piscina em forma de amendoim. Sentiu o
sangue ferver, apetecia-lhe sair a voar, agarrando o verme por um pulso ou
mesmo pelos cabelos que ele lá se importaria se lhe arrancasse o escalpe, mas
lembrou-se que não queria alertar Bulma. Queria fazer-lhe uma surpresa e não
poderia ser demasiado espalhafatoso ou seria ela que viria ao encontro dele, estragando-lhe
os planos. Por isso, Vegeta respirou fundo, absorvendo os mais variados odores
que havia ali, desde perfume caro, peixe cru, creme bronzeador, até suor de
medo, que vinha do verme.
Fixou o portão que ficava mais perto, em
breve sairiam daquele lugar fútil. Ouviu cochichos que comentavam o que estava
a acontecer, ouvia gargalhadas de quem se alheava à situação, reparou em
algumas caras de espanto e sobrancelhas carregadas que demonstravam
perplexidade e dúvida. Mais alguns passos e poderia levantar voo e começar a
resolver, finalmente, aquela confusão.
No entanto, não conseguiu alcançar o
portão.
Escutou um grito histérico atrás de si
que lhe lançou arrepios perigosos pelas costas abaixo. Encolheu-se irritado,
enterrando a cabeça entre os ombros, crispando dolorosamente os punhos.
- Masaka…
– resmungou.
O verme tinha decidido reagir,
precisamente quando estava prestes a concluir a breve caminhada. Gritara,
lançara mãos ao alto e quando Vegeta se voltou, cada vez mais irritado, viu-o a
fugir de braços levantados, tão desvairado quanto um louco desmemoriado
travestido de mulher. Sim, parecia mesmo
uma mulher a gritar aos quatro ventos. Não formulava nenhuma palavra, como
socorro, ou ajudem-me, ou salvem-me. Simplesmente… gritava! E num tom tão agudo
que os ouvidos sensíveis do príncipe dos saiyajin
começavam a estalar.
Saltou atrás do fugitivo, encolhendo-se
como um felino, fixando o alvo. Um impulso apenas. Continuava a não querer
chamar demasiado a atenção, apesar de os gritos do verme já terem calado todas
as demais conversas e gargalhadas deslocadas que se desenrolavam em redor da
piscina em forma de amendoim.
- Quieto!
Deteve o salto. Pousou no chão, fletindo
levemente os joelhos. Um homenzarrão grande como um armário, cabeça rapada,
olhos pequenos, barrava-lhe o caminho. O verme distanciava-se cada vez mais,
fugindo e berrando.
- Queira mostrar-me o seu convite, por
favor.
Vegeta semicerrou os olhos e olhou para
a manápula que o homenzarrão lhe pusera à frente. A outra manápula fechava-se
num punho compacto, pronto para desfechar um murro, independentemente da
resposta que ele desse àquele pedido descabido. Mas requeria coragem uma
atitude daquelas e Vegeta sorriu de canto.
Perante o silêncio dele, o homenzarrão
insistiu, só para ter a certeza de que o murro tinha uma razão válida para ser
desfechado:
- Esta é uma festa privada. Só pode
estar aqui com convite… O seu convite, por favor.
Pela aparência e pela atitude daquele
idiota, este seria um segurança, um dos muitos que rodeavam o verme e os seus
amiguinhos, para proteção contra eventuais penetras em festas privadas. Só que
havia um problema… Ele, o grande príncipe dos saiyajin… não tinha nenhum convite e aquele murro gigantesco que
estava preparado, iria mesmo sair. Ele fazia questão de ser agredido pelo
homenzarrão. Ou ele que tentasse, pelo menos. Vegeta rasgou o sorriso, mostrou
os dentes.
Achou que o murro moveu-se, talvez um
milímetro, ou menos. Um movimento que qualquer um dos assistentes não conseguiu
perceber, sendo tão mínimo. Mas ele percebeu a deslocação. E antes que se
aproximasse dos seus queixos, ou sequer que ousasse vencer o espaço vazio entre
ele e o homenzarrão, Vegeta lançou uma palmada rápida, supersónica e portanto
invisível, que derrubou o segurança sem que este soltasse um gemido, quando
caiu de costas no chão pavimentado de mármore amarelo.
- Hunf! – bufou, passando pelo
homenzarrão inconsciente.
Os gritos estavam distantes. O verme
continuava a fugir, agora pelo interior da mansão à qual pertenceria aquela
ridícula piscina em forma de amendoim. Vegeta calculou a posição dele pelo
barulho que fazia, encontrou-o. Saltou novamente como um felino, venceu a
distância até à porta da mansão, percorreu as galerias numa enorme velocidade,
com a agilidade necessária para não derrubar nada, fazendo agitar as pesadas
cortinas e enrugar levemente os tapetes. Apanhou o verme, encurralou-o
atirando-o contra a parede. A aproximação foi demasiado violenta e ele escutou
o som específico de um par de costelas a estilhaçar-se. O homem urrou de dor
esmagado contra a parede, o pescoço preso pelo braço atravessado de Vegeta,
rostos quase colados.
- Posso fazer o mesmo com qualquer osso do
teu corpo. Por isso, não tentes resistir! E acaba com os gritos.
O verme tentou engolir, mas tinha a
garganta estrangulada. Gemeu um queixume, tentou falar, mas Vegeta estava com
tanto ódio que manteve-o naquela posição desconfortável por mais algum tempo,
meio suspenso, encostado à parede, bicos dos pés a roçar o chão.
- Miserável! Pensavas que te escapavas?
O homem fechou os olhos húmidos de medo,
gemia alto como se fosse o prenúncio de um choro. Seria humilhante se ele se
pusesse para ali a chorar, não suportaria ver essa degradação de carácter e
Vegeta sentiu nojo. Se o verme desatasse num pranto, matava-o ali e sem
qualquer remorso. Então, afastou o braço e o homem deixou-se cair, sentando-se
no chão a tremer, agarrando-se às costelas partidas.
Vegeta cruzou os braços.
- O primeiro aviso foi dado. Se aparecer
polícia ou imprensa, eu não vou mais me responsabilizar pelos meus atos.
Entendido, verme?
O homem acenou que sim com a cabeça. Estava
ridículo, vestido de sunga, com uma camisa transparente aberta a cobrir
parcialmente o torso, chinelos nos pés enfeitados com brilhantes.
- Você realmente pensava que eu não
viria atrás, assim que o exame de DNA saísse?
Miruku se encolheu mais, demonstrando
todo o medo que sentia.
- Eu não sei do que está falando... –
tentou despistar.
- Não perca o meu tempo, nem o seu.
- Mas, por favor… Por que razão me está
perseguindo? Eu… eu nunca o vi antes… Antes daquele episódio da clínica, quero
dizer, e antes daquela estória maluca de eu ser o pai de uma criança…
- Cale-se! – interrompeu brusco o
príncipe. – Verme, eu vou perguntar uma coisa e você vai me responder sem
hesitar: quanto pagou para forjar aquele exame?
- Eu não paguei nada…
- Eu só vou perguntar mais uma vez. Se
não me responder, eu vou tirar o que você tem de mais precioso. – E apontou
para o meio das pernas do homem.
Miruku arregalou os olhos e colocou as
mãos sobre a sunga imaginando a profunda dor que sentiria e as saudades que
teria se perdesse aquela parte importante de si mesmo, que tanto sucesso lhe granjeara
entre as moças da alta sociedade.
- Eu confesso – admitiu ele quase
chorando. – Eu confesso… Eu paguei, sim…
- Ótimo, continue.
- Eu tenho muito dinheiro, foi fácil.
Liguei para o laboratório e encomendei a alteração do exame. A paternidade
daquela criança teria que ser atribuída a você, eu ficaria fora dessa estória. Claro
que o seu DNA não combinava com o da garotinha, mas o meu sim… A alteração foi
feita, o pagamento foi feito. O laboratório fez um excelente trabalho, me
mostrou os resultados antes de o enviar para a clínica. Falsificaram o meu DNA…
E estava perfeito, não havia hipótese de dizerem que tinha havido um engano, a
compatibilidade entre o seu DNA e o da criança não deixava margem para dúvidas.
E eu ficava de fora dessa confusão.
Vegeta inclinou-se ameaçadoramente, de
braços cruzados.
- E você achou que ia enganar a quem?
- Todos. – Acrescentou num sussurro: –
Você também…
- E eu seria idiota ao ponto de
acreditar nessa mentira?
- Talvez não. Mas a Bulma Briefs
acreditaria. E estando o nome dos Briefs envolvido, o escândalo seria muito
grande e eu… escapava-me.
Vegeta suspirou fundo, pegou Miruku pelo
braço forçando-o a levantar-se e disse:
- Gostei dessa confissão. Seria capaz de
repeti-la, se eu carregar nas suas costelas partidas?
- Você não pode fazer isso!
- Seria capaz?
- S-sim, seria… – gaguejou, vendo a cara
séria e exigente do príncipe. – Vai me levar para um hospital?
- Talvez. Se contar exatamente o que me
contou a Bulma Briefs.
Vegeta puxou Miruku e saíram voando pela
janela.
***
Trunks estava rubro com todos os olhares
colados nele. Ele gostava de ser o centro das atenções, adorava ser o reizinho
da festa e o mimo da família, mas o clima ficara tenso com o que ele tinha
gritado. O policial caminhou até ele e disse:
- Menino, você sabe quem raptou a bebê?
- Trunks-kun, conte tudo para que eu
possa ter a Panty de volta. A tua irmãzinha. – A senhora Briefs fungou, limpando
os olhos chorosos ao lenço.
Trunks olhou para o seu amigo Son Goten que
deu apoio para ele falar. Respirou profundamente e começou:
- Eu vi uma moça perdida procurando o
banheiro em um dos corredores dos quartos de hóspedes. Depois ela tomou o elevador
e sumiu, acho que deve ter ido para onde estava ocorrendo a receção do dia
aberto da Capsule Corporation. Daí, eu me encontrei com o Goten e fui brincar
com ele.
- Nós vimos a moça voltar novamente para
dentro de casa e resolvemos brincar de detetives seguindo ela, mas ela
conseguiu despistar a gente. Depois, ouvimos o grito da dona Briefs – Goten
entrou no meio da conversa para ajudar o amigo.
- Pode me descrever como era a moça? – perguntou
o policial preparando-se para tomar notas no caderninho.
- Claro que sim – afirmou Trunks sentindo-se
mais à vontade. – Ela tinha os cabelos presos em um rabo-de-cavalo e usava óculos
que tapavam uns olhos grandes. Vestia um vestido branco com flores cor-de-rosa
e calçava uma sapatilha baixa. Era bonita e magra, o jeito dela lembra o da
mamãe quando está no laboratório inventando algo.
- Isso mesmo – confirmou Goten.
- Eu vi ela duas vezes dentro da minha
casa. É muito estranho. Os convidados do dia aberto nunca andam dentro de casa.
Bulma sorria com orgulho pois o seu
filho de cinco anos apresentara um depoimento essencial para resolver aquele
caso, ao mesmo tempo que libertara a avó de um inquérito cansativo e monótono.
O policial fechou o caderninho com um
gesto teatral depois de anotar todos os detalhes fornecidos pelo miúdo.
- Então, temos uma suspeita! – exclamou
vaidoso, como se tivesse sido ele a, juntando as provas que escrevinhara, ter
chegado a essa brilhante conclusão.
Trunks sorriu animado.
- Muito bem, menino. Agora mostre por
onde ela passou para pegarmos as digitais dela e recolher as imagens da
videovigilância.
Deu ordens a três investigadores para o
acompanharem, estalou os dedos na direção de Trunks que se endireitou, puxando
as abas do casaco de cerimónia. Foi atrás do policial e dos investigadores,
seguido também por Goten.
Bulma sentou-se finalmente no sofá,
assumindo o cansaço do dia.
A senhora Briefs fungava e choramingava,
o doutor Briefs persistia nos seus curtos:
- Hum…
***
Voando a grande velocidade, Gohan
alcançou a clínica, aterrando no relvado próximo. Olhou para todos os lados
para se certificar de que ninguém o vira a voar e correu para a portaria
principal. Reparou na destruição em redor e nos trabalhos de reconstrução que
começavam, mas não lhes deu muita importância, por considerar que se tratavam
de pormenores indignos da sua atenção ou que influenciassem o que ele iria
fazer ali.
Na receção apresentou-se como vindo da
parte de Bulma Briefs e que vinha recolher o exame de DNA. Indicaram-lhe o
segundo piso, ele subiu e repetiu o pedido na receção desse piso. Primeiro,
disseram-lhe que o exame já havia sido entregue, depois pediram-lhe
identificação quando ele insistiu que a senhorita Briefs não tinha recebido
nenhum exame e começava a ficar extremamente nervoso quando alguém lhe deu um
toque no ombro. Gohan voltou-se e encarou um médico.
- Eu sou o doutor Sulla. Em que posso
ajudá-lo?
Gohan pigarreou e explicou ao que vinha.
O médico fez uma expressão de aborrecimento.
- Outra vez esse exame de DNA?
- Doutor, a senhorita Briefs insiste
para que o exame lhe seja pessoalmente entregue, pois precisa de ter a certeza
absoluta que recebe os resultados antes de qualquer pessoa. Mesmo dos que estão
envolvidos. Trata-se de uma questão… judicial.
A mulher da receção ainda tentou
argumentar que o exame já tinha sido levantado, mas o doutor Sulla cortou
agastado:
- Entregue uma cópia ao senhor… como se
chama?
- Son Gohan.
- Muito bem, Son
Gohan. Vai levar esse exame de DNA e esperemos
que a senhorita Briefs não regresse aqui a exigir nada mais desta clínica, pois
existe uma dívida pendente entre mim e a senhorita Briefs. Sabe disso, não
sabe?
- Eh… Hai – respondeu o rapaz atrapalhado.
Assim que recebeu o envelope desejado,
despediu-se com uma vénia desajeitada e saiu a correr com muita pressa. Ainda a
correr, retirou a folha do invólucro que abriu e mesmo a fugir, nem sabia muito
bem do quê, pôde verificar cuidadosamente os gráficos de DNA da folha. Três, ao
todo. Da garotinha, de Vegeta e de Miruku. Sorriu, parando finalmente.
- É mesmo o DNA de uma árvore! –
exclamou triunfante.
***
O policial e os investigadores haviam
coletado todas as provas possíveis e voltaram para o grande salão da Capsule
Corporation. Os garotinhos vinham atrás dele, animados por terem presenciado um
verdadeiro trabalho de detetive.
- Recolhemos tudo que precisamos –
anunciou o policial batendo com a esferográfica na capa azul do caderninho. –
Temos também as imagens da videovigilância. Agora vamos levar e analisar, identificar
quem sequestrou a garotinha e trazê-la de volta a esta casa o mais rápido
possível. Mas assim que a bebê regressar, gostaria que a senhora procurasse o
conselho tutelar para pegar a guarda provisória da menina.
- Hai,
eu farei o que for necessário, mas tragam a Panty de volta – choramingou a
senhora Briefs desesperada.
- Quando tivermos alguma pista, ou
novidade, nós avisaremos vocês. – O tenente fez sinal à tropa de detetives,
polícias e investigadores que o seguissem, saiu do salão e o doutor Briefs foi
acompanhá-lo até à saída.
Os dois rapazes viram-nos sair e Trunks
teve uma ideia brilhante.
- Goten-kun – sussurrou –, o que acha de
entrarmos no carro do tenente e ver o que ele vai fazer?
- Como detetive de verdade?
- Hai
– ele sorriu um sorriso sapeca. – Também podemos descobrir onde está a minha
irmãzinha.
- Mas vamos estar encrencados se sairmos
de casa. Somos pequenos demais para sair sozinhos, Trunks. E depois, como
voltamos?
- Deixa de ser medroso Goten-kun. A gente
dá um jeito. Vamos logo ou vamos perder a nossa carona.
- Hai!
Os dois saíram sorrateiramente de casa,
sem que ninguém percebesse, nem mesmo o doutor Briefs que se despediu de todos
aqueles agentes da lei e da ordem e entraram no carro do tenente pelo
porta-malas e aí ficaram escondidos.
Ao sentirem o carro parar, saíram do seu
esconderijo e foram seguindo o tenente que entrou na delegacia. Como eles eram
pequenos, duas crianças que conseguiam ser muito rápidas, passaram
despercebidos.
- Trunks-kun, será que a sua irmãzinha
está aqui?
- Shiii! – Trunks colocou o dedo na
boca. – Eu não sei e fale baixo ou seremos apanhados. – Olhou para todos os
lados, verificando que não tinham alertado ninguém e sussurrou: – Vamos!
Com aquela pequena troca de palavras,
perderam o tenente que entrou para o interior da delegacia que fervia de
atividade. Os dois miúdos tiveram de se esconder, viram muitos pares de pernas
passar de um lado para o outro e já se sentavam entediados no chão há horas.
- Esse negócio de detetive é muito
chato.
- É mesmo, Trunks-kun – protestou o garotinho
mais novo.
Nisto, escutaram uma voz do outro lado
da divisória de madeira onde se encostavam:
- Então, essa é a sequestradora.
Trunks e Goten espevitaram as orelhas.
Sorriram um para o outro, andaram devagar contornando a divisória, descobriram
a nesga de uma porta aberta e entraram para aquela salinha que cheirava a papel
e a pinho. Trunks conseguiu ver a foto da garota que cirandara pela área
particular da sua casa na tela de um computador. Encolheu-se atrás de um móvel
metálico de arquivo, puxou pelo amigo e contou:
- Eles acharam a garota, Goten- kun.
- Isso quer dizer que logo terá a sua
irmãzinha de volta?
- Hai
– Trunks sorriu feliz.
O tenente estava ali e falou para dois
homens que o acompanhavam e que estavam junto do computador:
- Ela deve estar a tentar fugir de West
City. Vamos colocar a polícia em todas as saídas possíveis da cidade. Vasculhem
tudo! Quero que vejam comboios, ónibus, automóveis, furgonetes, camiões de
carga. Tudo! Assim que encontrarem a garota e se ela estiver com a bebê
desaparecida, levem-na para a Capsule Corporation. Não devemos fazer esperar os
Briefs.
- Hai!
– disse um dos policiais e dirigiu-se para a porta. Acabou encontrando os dois
garotinhos bisbilhotando, tapados pelo móvel de arquivo.
- Ora, ora, ora, parece que fomos
seguidos.
Os garotinhos engoliram seco, olhando o
homem que os mirava com os punhos na cintura e as pernas abertas.
- Trunks-kun, estamos muito encrencados.
O menino de cabelos lilás apenas fez que
sim com a cabeça.
***
Chichi sentou-se ao lado de Bulma no
sofá.
- Chichi… Gomen nasai.
O pedido de desculpas arrancou um
sorriso à mulher dos cabelos negros. Agarrou na mão da amiga e disse-lhe com um
sorriso meigo:
- Não se preocupe, está tudo bem.
Acredito que não deve ser fácil lidar com uma situação destas… Mas me parece
mais tranquila.
- Hai.
– Bulma apertou a mão de Chichi. – Começo a acreditar que este mistério será
resolvido em breve. E sabe porquê?
- Porquê?
- Quando acharem a Panty, vão achar a
garota que a sequestrou e eu acho que essa garota… é a mãe da bebê.
Os olhos de Chichi brilharam.
- Pois é… Poderá ser, não é mesmo?
Bulma sacou da foto amassada do bolso da
jaqueta, mostrou-a a Chichi.
- E depois, a garota vai confirmar se
esta foto é verdadeira ou uma falsificação. E se for verdadeira… então, o exame
de DNA foi forjado. Pelo Miruku! E esse maldito verme se incriminou ao fazer
uma besteira dessas. – Concluiu rosnando: – E eu vou fazê-lo pagar por tudo
isto!
***
O tenente pegou os meninos pelas mãos e
arrancou-os do seu esconderijo, levando-os até ao meio da sala. Os dois
policiais sorriam condescendentes.
- Então: o que vocês dois estão fazendo
aqui?
- Bem... – começou Trunks suando.
- Nós queríamos ver o trabalho de vocês
– confessou Goten ingénuo.
- Não podem ficar aqui, uma delegacia de
polícia é um lugar perigoso. Terei que ligar para os Briefs para que alguém
possa vir buscá-los.
- Eu tenho outra ideia – sugeriu Trunks
aflito, pois sabia que iria receber um castigo quando regressasse a casa e contassem
à sua mãe que ele estivera ali. – Vocês vão pegar a garota sequestradora, não
vão? Eu e o meu amigo podemos ir junto.
O tenente soltou uma gargalhada.
- Não podem, não! Vai ser um trabalho
complicado.
- Complicado? A garota tem um bebê, a
minha irmãzinha Panty, com ela. Ela não vai resistir e nem vai conseguir fugir
para muito longe.
- Ei, a criança tem razão, chefe – disse
um dos policiais.
- Cala a boca! Não pedi sua opinião.
Trunks ficou calado. Estava a assar
dentro do casaco de cerimónia e com aquela maldita gravata a apertar-lhe o
pescoço. Goten também suava por todos os poros, engoliu em seco. O tenente
cruzou os braços analisando os dois miúdos.
- Bem… Hum… Afinal foi por causa de
você, garoto, que conseguimos ter o rosto da suspeita e temos uma excelente
oportunidade de resolver este caso em menos de vinte e quatro horas, um record
nunca visto na polícia de West City. E se trata de um caso que envolve os
Briefs… Se for bem-sucedido, posso ser promovido. Muito bem, vocês vêm comigo.
– Voltou-se para os dois policiais e explicou: – Este garotinho aqui viu a
suspeita, vai nos ajudar a identificá-la quando a apanharmos. Entendido?
- Hai,
chefe.
O tenente saiu, atirando o casaco por
cima do ombro. Trunks e Goten seguiram-no, entrando para o automóvel que um dos
policiais iria conduzir. O tenente verificou alguns apontamentos numa prancheta
e de seguida, dirigiram-se para a estação central de comboios de West City.
***
A garota já tinha entrado no comboio e
sentava-se num dos lugares do fundo do vagão, o mais discreto que encontrara,
quando dois policiais a abordaram. A bebê continuava dormindo placidamente no
seu colo.
- Você não quer nos acompanhar, garota?
Ela não respondeu.
O outro policial mostrou uma foto dela
de má qualidade, uma imagem a preto e branco obtida a partir de um fotograma
aumentado de uma câmara de videovigilância. O policial que lhe falou insistiu:
- Resistir só vai ser pior para você. Como
pode ver, temos a sua identificação e pode imaginar onde conseguimos essa
bonita foto sua, não é mesmo?
Ela continuou muda.
- Vamos, garota. Levante-se. Daqui a
nada o comboio irá partir e certamente que partirá sem você.
- Eu não entendo… Eu estou com a minha
filha e vou viajar para a casa da minha tia.
O policial guardou o papel com a foto e
agarrou-a por um braço, fazendo-a levantar-se, empurrando-a com persistência
pelo corredor do vagão até à saída mais próxima.
- Espere! – exclamou ela desesperada. –
Deve ser um engano!
- Quanto queria pelo resgaste da bebê?
Os Briefs são ricos.
- Não, não. Eu sou a mãe dela!
Desceram do comboio, arrastaram-na pela
estação, pararam junto ao automóvel.
- Você vai nos explicar tudo, na casa
dos Briefs – disse o policial. – Agora, entre.
A garota baixou a cabeça, engolindo a
frustração. O seu plano perfeito quase que deu certo. Onde tinha havido a
falha? Mas em breve iria descobrir…
Em breve também, tudo seria esclarecido.
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