Kenshin não havia
pescado nenhum peixe naquele dia, pois ele havia contemplado o céu límpido
daquela tarde e ouvido de um velho pescador a história sobre vagalumes dos
desejos. A história fora tão longa que Keshin voltou já á noite para o dojo
Kamiya Kashin sem nenhum peixe, mas no balde havia um lírio azul e em sua
pétala um vagalume brilhava andando pelas pétalas, porém Kenshin não teve tempo
de entrega-lo a pessoa que seria apta a recebê-la, pois ela o chamou para
entrar e jantar. Sem que ela percebesse o belo lírio azul no balde onde Kenshin
havia deixando ao chão e a fitava de um modo diferente. Kenshin adentra depois
dela para a sua refeição, pois Gensai sensei havia levado para eles.
Agora Kenshin
encontrava-se sentado na varanda do dojo do lado de fora do seu quarto, olhando
o céu escuro e pintando de estrelas cintilantes que enfeitavam o céu mostrando
o quanto a noite estava bela. O vento soprava seus compridos cabelos ruivos, as
folhas soltavam das arvores anunciando que o outono estava chegando, o vento
também batia nas arvores balançando os galhos de uma forma distante.
Kenshin
segurava em sua mão aquele lírio azul sem o vagalume, ele não estava mais no
lírio. Enquanto seus olhos azuis quase violetas olhava detalhadamente as
pétalas e com um dedo sentia a maceis da bela flor que lembrava tanto aquela
pessoa que nunca quis saber o motivo de ele ter virado um retalhador, nem como
virou um andarilho, mas sua mente conturbada lembrava-se claramente de cada
instante.
Sua mente lembrou-se de como seus pais haviam morrido de
cólera e como fora vendido como um escravo. Depois como seus amigos que estavam
com ele foram mortos tentando o proteger, como conheceu seu mestre Seijuurou Hiko trocou seu nome Shinta por Kenshin
Himura.
Lembrou-se de como desafiou seu mestre
e fora começar a ser um monarquista e começou a assassinar com ordem diretas usando
o estilo hiten mitsurugi de kenjutsu.
Ele vaga na imagem de sua antiga esposa Tomoe, uma garota
que ele conheceu e com o tempo se apaixonou por ela tendo que mudar de cidade
para não ser pego. Eles se casam, mas depois de alguns anos ele a mata acidentalmente.
Depois disso ele voltou a lutar no Bakumatsu (fim do bakufu/shogunato) trazendo uma
nova era Meji, porém depois disso ele ganhou a sakabatou, uma espada de corte
invertido e prometeu proteger as pessoas fracas e se tornou um andarilho. Nunca
imaginou que iria gostar de uma mulher novamente, nunca imaginou amar outra
pessoa depois do acontecido com a sua primeira esposa. Agora ele tinha medo de
ir mais adiante, pois ele ainda sentia a culpa no seu coração por ter matado a
sua primeira esposa. O seu coração doía, ainda mais depois de tantas batalhas
que teve que se envolver para que a era continuasse e ninguém fosse contra o
atual governo.
Seus olhos agora estavam triste e
distante, seu rosto levemente iluminado pela meia lua que plainava no céu
rodeado de estrelas, seus pensamentos distantes e perdidos em uma época que ele
realmente preferiria esquecer, mas elas estavam cravadas bem no fundo de sua
alma, sabia que tinha sangue e gritos de dor presos nela. Ele não poderia
apagar o seu passado, mas de uma coisa ele sabia, que agora mais do que nunca,
ele nunca mais voltaria a ser o hitokiri battousai, teve que lutar com ele
mesmo pra não manchar ainda mais a sua alma com sangue, pelos gritos de dor que
ainda andavam lado a lado no fundo de sua alma.
Enquanto
Kenshin viajava em suas memórias dolorosas e com seus conflitos internos sobre
contar seus segredos ou não, passos lentos e descalços caminham lentamente em
sua direção, notando que o homem franzino e aparentemente mais jovem que a sua
verdadeira idade não havia conseguido dormir. Ela sabia que ele estava
acordado, sabia que ele pensava em muitas coisas, já o vira acordado algumas
noites parado no mesmo lugar, mas nunca tivera coragem de ir até ele e saber
por que não estava dormindo, mas aquela noite ela tomou coragem e foi em
direção ao homem que carregava uma cruz marcada em seu rosto do lado direito.
Seus passos
lentos e silenciosos percorriam o corredor feito em tabuas e coberto por telhas
fazendo uma ampla varanda quase contornando o dojo todo. Sua coragem diminuía
um pouco ao se aproximar cada vez mais dele, mas a vontade de estar ao lado
dele era maior, a vontade de saber o que tanto o incomodava a ponto de tirar o
seu sono algumas noites, não era batalhas, pois todas elas tinham sido vencidas
e decididas a risca, quase o tomando dela, seus passos aumentaram um pouco, mas
ainda silenciosos ela já visualiza a silueta do homem um pouco mais adiante.
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