Ela para ao seu lado e
vê que o ruivo viajava em pensamentos olhando o lírio em uma de suas mãos e a
outra passando delicadamente pelas pétalas grandes e azuis que formavam a flor
que ela sempre mais gostou, imaginou-se sendo tocada por ele, se repreendeu e
vendo que ele estava tão fundo em seus pensamentos que nem seus sentidos de
guerreiro a detectou ali do lado dele.
– Não consegue
dormir Kenshin? – Sua voz doce em uma forma de pergunta entrou como musica em
seus ouvidos, ele nunca imaginou que ela estaria acordada àquela hora da noite,
saindo de seus pensamentos mais sombrios virou o rosto para o lado fechou os
olhos e deu um sorriso terno a ela.
– Senhorita
Kaoro! – Sua voz surpresa saiu e ele abriu seus olhos quase violetas para
olha-la. - Perdi o sono, resolvi ficar aqui e sentir a brisa da noite. – Ele vê
o vento batendo cabelos negros e soltos dela, seus olhos azuis serenos e
cativantes, cheio de vida e de pureza. – Também está sem sono? – Ele perguntou
vendo-a sentar-se ao seu lado, escorar na pilastra que seguia na horizontal ajudando
a firmar o telhado, meio sem jeito ela olhou para o céu, sentindo a brisa tocar
seu rosto.
– Eu perdi o
sono e vi que você estava acordado, pensei em lhe fazer companhia. – Ela ficou
meio rubra, mas ele não percebeu.
O silêncio
pairou no ar alguns instantes, alguns grilos e bichos noturnos quebravam o
silêncio da noite e feito pelos dois.
–Senhorita
Kaoro! – Kenshin resolve quebrar o silêncio.
– O que foi
Kenshin? – Ela tinha vontade de colocar a cabeça sobre seu ombro, mas não tinha
coragem, apenas deixava seus olhos vagarem pelo rosto enigmático dele, depois
volta a olhar a noite cheia de belezas.
– Eu... Queria
falar mais de mim para a senhorita... – Ele não a olhou, manteve os seus olhos
no lírio tão azul tão as flor era tão meiga quanto os olhos da sua dama, porém
ele sabia que se dissesse ele poderia perdê-la para sempre, mas ele tinha que
arriscar, pois só saberia se ela continuaria ao seu lado ou se ele voltaria a
ser um andarilho esquecendo aquele amor e voltar a vagar sem um rumo certo.
– Eu já lhe
disse que o seu passado não me importa Kenshin. – Ela tocou a mão delicada
sobre a dele.
– Eu sei o que
a senhorita disse, mesmo assim... Eu preciso lhe dizer... – Ele a encarou e
depositou o belo lírio sobre o colo dela.
Kaoro soube
que aquele lírio era pra ela.
“Será que ele
está me amando”. – Ela se pergunta vendo ele a encarar com seu rosto serio,
seus olhos quase violetas olhando nos azuis dela tão penetrantes que ela achou
que fosse ir para o céu, seu coração começou a bater descompassado quando viu
desviar o olhar e tocar com a outra mão sobre a dela.
– Eu fui
casado... – A voz dele soou tão fraca que as palavras se perderam no ar,
entrando nos ouvidos da Kaoro fazendo seu coração disparar ainda mais, fez com
que ela tirasse a mão das mãos dele e formava varias e varias perguntas em sua
mente.
Kenshin a
olhava esperando alguma palavra, só percebeu que ela se assustou um pouco com
suas palavras, porém esperou ela processar aquelas pequenas palavras.
“Então Kenshin
tem alguém em seu coração, mas o que será que aconteceu com ela? Eu não vou ter
mais uma chance com ele?” Kaoro processava as palavras ditas pelo runori que
aprendeu a gostar.
– Vocês...
Estão separados? – Ela perguntou de uma forma fria e triste, tanto que ele
percebeu isso nas palavras dela. – Você tem filhos?
–Não deu tempo
de ter filhos. – Ele sorriu meio torto e sua expressão mudou quando ele
resolveu terminar as respostas. – Eu a matei senhorita Kaoro... – Ele olhou a
luz da meia lua que enfeitava o céu escuro.
Kaoro se
levantou de uma forma rápida que Kenshin percebeu e começou a andar, mas ele a
segurou no braço.
– Eu não
terminei de contar o que aconteceu... – Ele falou triste, mas ela o olhou com
lagrimas nos olhos e desvencilhou-se de sua mão e correu o mais rápido que pode
para o seu quarto.
Kenshin viu o
vago deixado por ela, sua cabeça baixou e um grande suspiro saiu de seus
lábios. Agora ele sabia que ia voltar a ser um andarilho, ele sabia que ali não
era mais seu lugar. Agora era tarde de mais pra voltar atrás. Sua culpa invadia
a alma novamente. Aquele acidente com a Tomoe marcou profundamente a sua alma
tanto que ele se culpava, agora ao tentar contar o seu passado a senhorita
Kaoro viu que ela ficou triste com a sua revelação, talvez assustada, mas agora
ele não podia mais ficar ali, agora não era mais seu lugar e dando um passo à
frente ele olha o chão e vê o lírio esmagado pelos passos apressados. Kenshin
se abaixa e pega o lírio azul e tenta desamassar suas pétalas, mas em vão, era
assim que se sentia agora, esmagado, como um nada.
Kenshin
caminha ate o seu quarto e veste a sua típica roupa uma camisa grade e rosa,
com mangas até próximo ao seu punho, um leve aberto no peito, sua calça também
larga que vai abrindo até próximo aos seus pés, na cor branca, coloca seu
chinelo de dedo, pega sua sakabatou e coloca em seu sinto do lado esquerdo e
sai do quarto. Ele caminha até a porta do quarto dela e pousa o lírio amassado
bem rente a porta.
– Adeus
senhorita Kaoro... – Ele sussurrou só para o seus ouvidos e caminhou passos
silenciosos e apressados até aporta de saída do dojo Kamiya Kashin.
Parou e olhou
o grande portão de madeira que se dividia em dois, bastava abri-lo e ele
começaria a sua nova jornada, uma jornada que ele achou que tinha acabado e que
ele tinha achado o aconchego de amigos e um amor, mas ele estava realmente
enganado, seus sentimentos nunca alçaram a dama que ele admirou desde o
primeiro dia que ele a viu enfrentar um falso battousai e ser ferida pela
katana do mesmo, se ele não tivesse agido rápido ela estaria morta. Desde
aquele dia ela tem ocupado seu coração, com sua coragem, com sua determinação,
com seu gênio forte, mas com seu olhar meigo e seu jeito gentil, mas agora tudo
tinha morrido e ele voltaria a andar, andar sem um rumo certo e com seu coração
em pedaços ele abriu o portão e saiu o fechando delicadamente e sem olhar para
trás ele rumou em direção à luz do luar que agora era coberto por nuvens
grossas e espessa tampando a metade da lua e deixando o céu negro e escuro.
Depois de
caminhar algumas horas por uma rua completamente deserta, pois todos estavam em
suas camas dormindo confortavelmente. Kenshin está perdido em seus pensamentos,
sua franja ruiva cobriam um pouco seus olhos tampando a sua tristeza e seu
coração partido, quando ouve uma doce voz lhe chamar.
– Kenshin... –
Ele se virou reconhecendo a voz da bela dama que acabara de sair de uma casa.
– Senhorita
Megumi, como sempre atendendo os seus pacientes em qualquer hora. Realmente és
uma excelente médica. – Ele tentou não mostrar a sua tristeza, tentando manter
seu jeito natural da melhor maneira possível, mas a medica o conhecia muito
bem.
– E você por
que está andando a essa hora da noite? – Ela perguntou pondo se ao seu lado e
viu-o abaixar um pouco a cabeça.
– Eu estava
tomando um ar. – Ele respondeu caminhando ao lado dela. – Acompanharei a
senhorita até a casa do doutor, é perigoso andar sozinha por essas ruas
desertas. – Ele falou e continuou acompanhando a aprendiz de medicina.
Em um silêncio
constrangedor eles andaram lado a lado até chegar a casa onde Megumi estava
hospedada.
Megumi abriu o
portão de madeira e foi caminhando, mas se virou e viu Kenshin parado.
– Não quer
entrar? – Ela perguntou vendo seus olhos escondidos por baixo da sua franja
ruiva, ele não queria encara-la, sabia que ela já tinha percebido.
– Eu vou
continuar a andar... – Ele se virou e deu um passo, mas viu-a segurar seu
braço,
– Vem logo
Kenshin e me diz o que aconteceu que você não esta no dojo da Kaoro. – Megumi o
puxou para dentro e fechou o portão a sua frente.
Megumi
caminhou até um banco debaixo de uma arvore no fundo do quintal e sentou-se
começando a ver a escuridão começando a sumir lentamente.
Kenshin a
seguiu e sentou ao seu lado, não queria voltar naquele assunto, mas tinha a
necessidade de se abrir com alguém e ninguém melhor que a sua amiga medica que
o conhecia muito bem e já tinha tratado de suas feridas varias e varias vezes.
– Então
Kenshin diga-me o que ouve no dojo? – Ela perguntou o olhando, mas resolveu
fazer a pergunta diferente. – Melhor o que ouve com você e a Kaoro?
Kenshin
suspirou fundo, sua cabeça um pouco baixa, sua dor agora era visível, nem a dor
da espada de um inimigo doía tanto.
– Ela não me
deixou explicar o que aconteceu naquele dia. – Ele ainda permanecia de cabeça
baixa.
– Kenshin seja
mais claro. – Ela olhou cerrando os olhos e confusa.
– Senhorita
Megumi. – Começou a falar com uma tristeza muito grande na voz. – Eu fui
casado... – Ele deixou as palavras voarem junto com o vento.
– Separou-se
da sua esposa? – Megumi perguntou intrigada.
– Não, eu a
matei... – Ele falou temendo que ela fugisse dele também, mas pelo contrario
outra pergunta veio.
– Conte-me
como foi? – Ela queria desvendar o mistério do andarilho que um dia a ajudou a
sair do fundo do poço e viver para ajudar as pessoas.
– Ela me
disse: “Você realmente faz chover sangue”. – Kenshin suspirou fundo e
prosseguiu. – Foi quando eu há vi pela primeira. Eu ainda participava da guerra
e sem saber havia matado o noivo dela. – Kenshin olhou o céu que clareava
vagarosamente. – Na noite que eu a conheci ela estava bêbada, levei ela para a
pensão onde eu ficava, mas não tinha quartos, ela acabou ficando no meu quarto.
Estavam contra o nosso clã na era do xogunato, descobriram onde nos estávamos e
pra disfarçar mudamos de Kyoto e passamos a ser marido e mulher, mas nos
apaixonamos de verdade. – Ele parou um pouco se levantou e virou de costa para
medica. – Izuka-san, um de nossos membros me avisou que ela era uma espiã que
queria vingança por ter matado o noivo dela. – Ele a olhou e voltou a historia.
– Li uma parte do diário dela e ela havia indo embora, mas eu fui atrás dela. –
Algumas lagrimas escorriam em seus olhos, a dor e a culpa ainda estava no seu
peito. – Eu lutei bravamente eu ia matar o homem do xogunato, mas não vi quando
ela se colocou na frente da minha katana e a lamina atravessou os dois corpos.
– Megumi via as lagrimas de Kenshin escorrer pela face dele e continuou
ouvindo. – A culpa foi minha, eu matei o noivo dela, eu a matei e no fim compreendi
a dor que ela carregou no peito. –Kenshin sentiu Megume abraça-lo.
– Não foi sua
culpa, ela queria te proteger. – Ela acariciou o cabelo longo e ruivo dele. – E
por que não terminou de contar a Kaoro.
– Ela saiu
chorando antes que eu terminasse... – Kenshin se desvencilhou dos braços dela.
– Agora eu voltarei a ser um runori sem rumo – Ele já ia caminhando novamente
quando ela o gritou.
Ele virou-se e ela disse;
– Fique e
descase. Também se acalme um pouco, assim que acabar de amanhecer eu vou falar
com a Kaoro – Ela estava determinada, pois ele não tivera culpa foi um acaso do
destino e Kaoro nem o deixou terminar de explicar, como sempre ela sempre
entendia errado.
Megumi viu
Kenshin se sentar no futtun em um quarto e foi preparar um chá, logo ela trouxe
para acalmar o ex-hittokiri.
Ele bebericou
o chá que saia uma leve fumaça, agradeceu a moça e olhou pela janela, o dia
ainda não tinha nascido, mas a leve claridade já anunciava que logo seria um
novo dia. Megume o deixou ali no quarto e foi descansar um pouco assim que o
sol surgisse ela iria falar com Kaoro.
Os primeiros
raios de sol já adentravam a janela do quarto de Kaoro, seus olhos inchados de
tanto chorar e pensar por qual motivo Kenshin havia matado a sua primeira
esposa. Há duvida pairava em sua mente ela não entendia o porquê dele ter
matado ela, qual motivo e por que ele estaria revelando para ela naquela hora.
Com esses pensamentos ela se sentou na cama e falou para si mesma.
– O Kenshin tem
que ter uma explicação – Ela levantou passou a mão no rosto secando as lagrimas
que ainda insistiam em cair, foi ao banheiro lavou o rosto.
Ela abriu a
porta do quarto e viu o lírio azul amassado bem diante dos seus pés. Ela
abaixou e pegou o lírio, sentiu um aperto em seu coração, saiu correndo em
direção ao quarto dele quando chegou lá puxou a porta e viu o futtun dobrado, o
quarto vazio e iluminado pelos primeiros raios de sol.
– Yahiko... –
gritou o garoto o mais rápido que pode e no susto o jovem saiu à porta de seu
quarto e viu que ela o procurava.
– O que você
quer sua feiosa? – ele gostava de chama-la assim só para ver brava, mas dessa
vez foi em vão.
– Viu o
Kenshin? – perguntou desesperada, queria reposta, queria saber o que aconteceu
de verdade, mas ela não tinha dado chance antes, mas agora ela queria saber a
todo custo ela queria saber o que ouve e por que ele estava se abrindo com ela.
– Não o vi –
Ele respondeu esfregando os olhos com a costa da mão. – Não esta dormindo?
– Não, acabei
de vir do quarto dele – Mas uma vez o seu coração aperto, ela levou as duas
mãos ao kimono próximo ao seu peito, algo lhe dizia que ele tinha ido embora e
dessa vez ele não voltaria.
Deixou o
Yahiko e correu novamente ao seu quarto, vestiu seu kimono de passeio e ia
procura por ele.
Já ia saindo a
porta do seu lar quando deu de cara com a Megume que abria um dos lados do
imenso portão de madeira.
As duas se
olharam e Kaoro pode mostrar os seus olhos azuis e trêmulos quando ouviu a
aprendiz de medicina dizer.
– Preciso
falar com você - Megume estava seria e a encarava fixamente.
– Não tenho
tempo agora, tenho que procurar o Kenshin.
– E sobre ele
mesmo que eu quero falar.
Os olhos de
Kaoro se regalaram, e desviaram para o céu azul e límpido daquela manha, alguns
passaram cantavam alegres nas arvores em volta do dojo anunciando que o novo
dia já havia chegado.
Nenhum comentário:
Postar um comentário