As estrelas já brilhavam algum
tempo no céu, os grilos faziam as suas serenatas em meio à relva perto daquela
casa. Goten já dormia tranquilamente em sua cama, mas foi acordado com batidas
a sua janela.
Ao ouvir o barulho, abriu os
olhos lentamente, esfregou as temporãs com uma das mãos, se levantou
preguiçosamente e foi à mesma, abriu e viu o seu amigo de cabelos lilás do lado
de fora.
- O que ouve dessa vez Trunks?
– perguntou ele sonolento.
- Conversar – o rapaz de
cabelo lilás o olhou. – Não vai me convidar para entrar.
- Entrai aí – ele saiu de
frente à janela e o amigo entrou.
- Sobre o que quer conversar?
– perguntou o moreno sentando-se a cama.
Trunks ficou em pé de frente a
ele.
- Sobre a Maron... – ele mexeu
as mãos dentro dos bolsos do casaco e encarou o amigo. – Eu sei que ficou
chateado comigo por causa dela.
Goten franziu o cenho, quase
unindo as sobrancelhas, fechou o rosto ficando sério.
- Não quero falar sobre ela...
- Goten, eu sei que ainda
gosta dela, mas... – sentiu-se inseguro, mas resolveu dizer – Quando ela se
declarou para mim, eu... Não podia dizer não... Pois eu também gosto dela...
Nunca te disse isso por que sabia que gostava dela.
Goten o encarou; se levantou,
preparou um soco e deu no rosto do amigo. Trunks deixou-se ser atingido.
- Eu sempre soube seu idiota –
riu ele desviando os olhos do rapaz. – Estava na sua cara. – Ele virou de costa
a ele. – Também percebi que a Maron gostava de você, pois ela sempre me
ignorava quando estávamos juntos. – Ele virou-se novamente para o amigo, pós a
mão no ombro dele. – Acho que eu já deixei tudo isso de lado.
- Achei que você ia tentar
lutar por ela – Trunks passava a mão no rosto no local do soco. – Podia ter
socado mais leve – sorriu e também colocou a mão no ombro do amigo.
- Não vou lutar pelo amor da
Maron, ela gosta de ti e está contigo – ele tirou a mão do ombro do amigo e
abaixou a cabeça. – Mas ai de você se magoar ela, vai se ver comigo.
- Ei, calma – Trunks, pós uma
mão do lado da outra. – Eu não vou magoá-la.
- Jura? – perguntou Goten olhando-o
desconfiado.
- Juro! – ele jurou mesmo. – E
a professora, vai investir nela? – perguntou mudando o assunto.
Goten se sentou novamente na
cama e disse:
- Como assim?
- Goten, não se faça de tonto,
você sente algo por aquela horrorosa – falou aproximando do amigo.
- Trunks, ela não é tão feia
assim – Goten tentou argumentar.
- Haha, te peguei – riu ele
deixando o amigo rubro. – Você sente algo pela tribufu. – continuou rindo. –
Vai mesmo encarar a feiosa?
- Trunks Briefs! – falou ele
nervoso. – Não critique as pessoas, nós podemos ser bonitos, mas não somos
exatamente normais – falou ele bravo.
- Tá eu parei. – Ele caminhou
em direção à janela aberta. – Nos vemos amanhã Romeu... – Brincou e saiu voando
pela janela acenando ao garoto.
Goten suspirou fundo, fechou a
janela, se jogou na cama e seus pensamentos foram àquela professora. “Será que
o Trunks tem razão?” Se perguntou, mas desconsiderou a hipótese e adormeceu
novamente.
**********
No dia seguinte Goten e Trunks
foram para a faculdade, os dois conversavam animadamente, mas Goten se despediu
do amigo e foi para sua classe. Logo ele
chegou à mesma, entrou e viu a sua amiga sentada em uma das carteiras olhando a
janela com um olhar perdido.
Goten sentou-se na cadeira ao
lado e disse:
- Bom dia, Coralina – sorriu
ele tímido.
- Bom dia Goten – ela saiu dos
seus devaneios. - A hoje o senhor veio – ela deu o caderno a ele.
- A sim, hoje eu não vou fugir
- ele roçou a nuca com uma das mãos. – Tem muita coisa? – ele perguntou
passando as folhas do caderno.
- Tem, mas não precisara
pressa para pôr em dia – ela voltou novamente o olhar para a janela.
- Ué por quê? – ele perguntou
erguendo a sobrancelha.
- A professora sofreu um
acidente ontem?
Goten arregalou os olhos,
colocou as mãos sobre a mesa com força a quebrando e perguntou assustado.
- Como?
Coralina se assustou com o
rapaz que havia quebrado toda a mesa que era confeccionada em madeira e ferro.
Goten roçou a nuca sem jeito e
disse:
- Eu faço artes marciais... –
ficou rubro como um pimentão.
Coralina sorriu divertida e
começou a narrar:
- Ela saiu rolando pela escada
que dava para o térreo; ela tinha saindo da sala para o corredor, depois foi
descer as escadas. Ninguém sabe o que aconteceu direito. – Coralina juntou as mãos em preocupação - Ela
foi levada às pressas para o hospital – a loira comentou.
- Sabe para qual hospital ela
foi levada, Coralina? – perguntou Goten.
- Não sei Goten – ela falou e
viu um dos professores entrar, virou-se para frente e sentou-se corretamente na
cadeira, puxou a mesa e o professor começou a aula.
Goten suspirou fundo por ela
não ter desconfiado da sua super força e caiu na desculpa dele. Ele teve que
mudar de lugar, pois havia quebrado a mesa, sentou-se e foi prestar atenção a
aula.
******
As aulas se passaram rapidamente
assim como as horas e eles já estavam saindo da sala de aula.
- Coralina – gritou o rapaz a
chamando antes que ela saísse da sala.
- O que foi Goten? – Ela
perguntou e sorriu a ele meio encabulada.
- Obrigada por me emprestar a
matéria de ontem, amanhã eu te devolvo.
- A de nada Goten, sabe que se
precisar... – ela deu uma piscadela. – Eu estarei aqui.
- Obrigada – ele agradeceu
novamente, saiu rapidamente da sala e logo encontrou o seu amigo o esperando.
- Então Goten o que vai fazer
agora à tarde? – perguntou Trunks vendo o moreno parar ao seu lado.
- Eu queria procurar o
hospital que a professora está – ele falou com a mão no queixo e pensativo.
- Eu fiquei sabendo o que
aconteceu – comentou Trunks caminhando ao lado do amigo. – Coitadinha, ela é
feia, mas não merecia esse tombo – Trunks sorriu ao amigo.
- Trunks ela não é feia, só é
diferente – Goten comentou meio cabisbaixo enquanto caminhava ao lado do amigo.
- É impressão ou sua queda por
ela está aumentando? – perguntou ele com um sorriso maroto.
Goten ficou rubro e não
respondeu.
- Procura pelo ki dela, tenho
certeza que você acha o hospital rapidinho – deu uma cotovelada de leve no
amigo e saiu voando sem que ninguém percebesse.
Goten ficou olhando o seu
amigo sumir no céu, depois se concentrou e sentiu o ki da professora bem
distante dali.
“Ótima ideia o Trunks me deu”.
Deu um sorriso e saiu voando sem que ninguém o visse.
Logo ele chegou a um prédio
branco, com ambulâncias chegando e saindo, alguns taxis na porta. Olhou um lugar
mais deserto para aterrissar, achou uma rua estava deserta perto do hospital. Andou
alguns passos e logo viu uma porta de vidro grande e transparente, com macas
entrando e saindo, alguns barulhos de sirenes, as paredes pintadas em branco do
lado de fora e de dentro.
Goten empurrou a grande porta
de vidro e logo viu alguns bancos de espera meio azulados, algumas pessoas
machucadas com curativos e outras apenas conversando e aguardando alguém que
possivelmente estava sendo atendido. Ele caminhou até a recepção e disse:
- Por favor, eu gostaria de
visitar a Kiria. – Ele falou a recepcionista.
- É parente dela? – perguntou
a moça o olhando desconfiada.
- Não, sou um aluno dela e vim
visitá-la. – Goten apoiou o braço sobre a bancada.
- Lamento, mas não podemos
deixar ninguém estranho entrar. São as normas do hospital.
Goten abaixou a cabeça meio
triste;
- Entendo... Posso deixar um
bilhete a ela - ele observava a mulher com um uniforme verde do outro lado do
balcão.
- Claro que sim - falou a
mulher entregado o papel e uma caneta ao jovem rapaz.
Ele escreveu, entregou a
caneta e saiu deixando o bilhete para a garota entregar.
Alguns minutos depois alguém
bate à porta do quarto.
- Pode entrar? – a voz doce e meiga
soou animada.
Ela estava lendo um livro encostada em seu
travesseiro, sentada a cama.
- Um aluno deixou esse bilhete
a senhorita e queria visitá-la, mas como ele é estranho não podemos deixar
ninguém entrar.
- Aluno? – ergueu a
sobrancelha. – Eu entendo as normas do hospital, mas aluno? – “Como um dos alunos havia há descoberto ali”.
Pensou ela intrigada. – Deixe-me ver – Kiria estendeu a mão para pegar o papel.
- Aqui – ela entregou o
pequeno papel a ela.
- Obrigada – agradeceu e viu-a
saindo, abriu o pedaço de papel meio amassado, nada muito cordial, um pedaço de
papel qualquer pego em uma recepção de hospital com algumas entrelinhas escrita
com uma letra meio torta, trêmula, mas legível.
“Prezada
professora, peço desculpas por não ter ido a sua aula ontem, no entanto hoje
fiquei sabendo do seu acidente e quero desejar- lhe melhoras, pois fiquei muito
triste com o ocorrido, espero que volte a dar aula logo na faculdade.”
“Sei
que não vai muito com a minha cara, mas eu acho a senhorita muito esforçada,
espero que fique bem, amanhã eu passo aqui para ver como a senhorita está.”
Assinado:
Son Goten.
“Que rapaz estranho!” Ela
olhava as letras traçadas, meio desalinhadas, em um papel de recepção de
hospital.
- Que papel é esse? – perguntou
o mordomo já entrando no quarto.
- Bom... Eu não sei como ele
achou o hospital, até por que eu só disse ao reitor onde eu estava... Mas o
Goten, um aluno meu, veio aqui me visitar e me deixou esse pequeno bilhete.
- Hum... Parece que ele gosta
de você – comentou o mordomo.
- Acho que não, só ficou
preocupado, pelo que ele escreveu aqui – ela entregou o papel ao mordomo e ele
o pegou.
Leu as linhas escritas e
disse:
- Parece bem preocupado mesmo
– ficou intrigado com o rapaz. - Talvez ele perguntou ao reitor, onde era o hospital
– ele sorriu olhando para ela.
- Mas por quê? – Ela ergueu a
sobrancelhas tentando entender.
- Vai saber... – deu os
ombros. – Se ele aparecer de novo vai recebê-lo?
- Não... - ela olhou o soro
que escorria pela mangueira e entrava pela veia de seu braço.
- Por que senhorita? –
perguntou Lui colocando a mão no queixo.
- Não quero que ele me veja
sem o meu disfarce. – ela sorriu a ele. - Não sei ao certo o que ele vai
pensar, ou agir.
- Eu entendo senhoria, a sua
vontade. – ele se sentou e lhe ficou fazendo companhia.
*********
Goten já entrava pela porta da
cozinha, quando Chichi ouviu o ranger da mesma.
- Demorou Goten – ela o viu
fechar a porta e caminhar.
- Oi mãe – beijou-lhe a testa.
– Eu fui visitar a minha professora no hospital.
- O que ouve com ela? –
perguntou Chichi curiosa
- Ela rolou as escadas, me
parece que não foi nada grave, mas não me deixaram entrar no quarto que ela
estava no hospital - ele a olhou carinhosamente. – Vou guardar os cadernos e
lavar as mãos, pois estou morrendo de fome.
Chichi sorriu vendo o filho
subir as escadas e foi esquentar a comida para ele.
Logo Goten voltou e sentou-se à
mesa e foi servido pela mãe.
- Onde está o papai? –
perguntou já levado um garfo a boca.
- Disse que ia tirar um
cochilo - ela falou meio nervosa. – Aquele ali quando não ta treinando, está
comendo, quando não está comendo, está dormindo.
Goten riu alto do jeito que a
mãe falou e brincou;
- Por que não vai fazer
companhia a ele, eu cuido da louça – Goten deu uma piscadela para mãe e viu
Chichi ficar rubra.
- Goten isso é jeito de falar
comigo – ela estava rubra, pegou a barra do avental e ficou sem jeito.
- Uai mãe, eu não disse nada
de mais, só disse para senhora ir fazer companhia para o papai - seu rosto ingênuo
mostrou que Chichi estava pensando em outras coisas.
Chichi deu graças a deus que o
filho era ingênuo como o pai.
Goten deu um sorriso e
terminou seu grande almoço.
- Bom, mãe, eu vou subir fazer
uns trabalhos da faculdade e colocar umas coisas em dia. - Goten subiu as
escadas e deixou a mãe na cozinha lavando a louça que ele deixou suja.
Depois de lavar toda a louça
Chichi pegou a ideia de Goten e foi fazer companhia para o marido.
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